Há alguns anos Itinha começou a apresentar uma doença que afeta a memória dela – o que impossibilita que ela mesmo apresente sua história. As irmãs Marfiza e Meirinha fazem o papel de narradoras.
Itinha gosta de colecionar pequenas
coisas. Conchas de rios são guardadas em uma cristaleira. Ela etiquetou
cada lote com o nome do local onde pegou. Ela guarda também fosseis,
algo surpreendentemente comum de se encontrar no Sertão de décadas
atrás.
Luiz Gonzaga era muito amigo da professorinha do Araripe. Quando ela apresentou os primeiros sintomas de diabetes, há 40 anos, precisou fazer exames no Recife. Luiz Gonzaga, sem dizer nada, foi até o Juazeiro do Norte e comprou duas passagens aéreas de ida e volta para Itinha fazer os exames na capital. A irmã Marfiza a acompanhou. “Meu pai disse a ele que não precisava. Mas ele insistiu, disse que era um prazer ajudar Itinha”, conta.
Itinha nunca casou, nem teve filhos. Mas teve uma longa historia de amor, que começou no ginasial, no Crato. Ele foi embora para Fortaleza estudar e Itinha negou o romance a distância. Ele nunca a esqueceu. No início eram cartas, depois telefonemas. Ele casou, teve filhos, enviuvou. Há uns três, quatro anos ele enviou uma carta de São Paulo: queria se mudar para o Araripe, viver com Itinha. Ela recusou. “Ela disse que a família não ia gostar disso, de ele vir morar aqui. Ele é dentista e também não está mais lúcido”, lamenta dona Meirinha.
Itinha segue sorrindo, cantando e morando no Araripe, a terra amada de Gonzaga.
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