quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Morte a caminho da escola

Rafael Barbosa - repórter

As brigas, entre rivais de torcidas organizadas, que antes aconteciam nos estádios, ganharam as ruas dos bairros de Natal. Elas estão presentes na escola e nas proximidades dela e os vestígios dessa ‘rixa’ estão evidentes, seja em pichações nos muros ou no rastro da violência, que assombra a comunidade escolar. Nesta terça-feira, 20, a presença das torcidas organizadas nas escolas de Natal pode ter feito mais uma vítima: Yuram Clisma da Costa dos Santos, 14 anos.

Magnus NascimentoEscola Josino Macedo suspendeu aulas ontem após assassinato 
Escola Josino Macedo suspendeu aulas ontem após assassinato
 
A polícia já tem um suspeito pelo crime e investiga se o assassinato ocorrido no Panatis e outro que aconteceu na semana passada, no Vale Dourado, têm como motivação a disputa entre as torcidas dos clubes de futebol  da capital. Para o tenente da Polícia Militar, Willame Barbosa, responsável por coordenar a atividade da Ronda Escolar, as grandes instituições de ensino da cidade são o ponto de encontro de jovens de diferentes realidades.

“Essas escolas reúnem alunos de diferentes comunidades, que têm várias diferenças entre si, inclusive a opção pelos times que torcem”, explicou o policial. E é exatamente no ambiente escolar, disse ele, que ocorre o primeiro conflito dessas diferenças, que depois culminam em brigas e, em casos mais graves, nas lesões corporais ou até execuções - “seja na escola, ou numa boate, em um estádio”, completou Willame Barbosa.

 O assassinato de Yuram Clisma ocorrido ontem na esquina da Escola Estadual Professor Josino Macedo, no Panatis, pode ter ligação com uma desavença entre ele e Diego Henrique Pimenta, de 15 anos, morto na quarta-feira,  14, no Vale Dourado. Ambos estudavam na instituição. Segundo o depoimento que a mãe de Yuram prestou à polícia, o estudante revelou o nome do suposto assassino pouco tempo antes de morrer. Trata-se de um terceiro adolescente, amigo de Diego Pimenta.

O motivo, ainda de acordo com o depoimento, seria uma suspeita entre os amigos de Pimenta de que Yuram teria envolvimento na morte do adolescente. A mulher relatou aos policiais da Delegacia de Plantão Zona Norte que as suspeitas teriam surgido depois que os dois brigaram, dias antes do homicídio. Imbuído do desejo de vingança, um deles teria procurado o filho dela para um acerto de contas.

Na semana passada, depois que Diego Pimenta foi assassinado, a polícia confirmou que a linha de investigação mais forte para a motivação do crime seria ‘rixa’ entre as torcidas organizadas. O adolescente era torcedor do ABC e os supostos executores do América. O diretor da escola Juvino Macedo confirmou que Yuram torcia para o alvirrubro, mas não soube dizer se ele participava de torcidas organizadas.

A mãe do adolescente foi ouvida na DP de Plantão em virtude da greve da Polícia Civil. Mas o caso deve ficar com a 9ª DP, que responde pelo bairro onde aconteceu o homicídio. Ela não quis dar entrevista, mas confirmou que o filho teria sido vítima de um atentado recente. Ontem, a escola suspendeu as aulas.

Local do crime

Coleta de provas, depoimentos iniciais de testemunhas e perícias técnicas. Nada disso foi feito no local do crime. Isso porque, de acordo com o delegado Everaldo Lemos, da Plantão Zona Sul, a Polícia Civil e o Instituto Técnico e Científico de Polícia só comparecem quando a vítima morre no lugar no local do crime.

Como Yuram Clisma foi socorrido e foi a óbito no hospital, durante atendimento, configurou-se uma lesão corporal seguida de morte. Nesses casos, segundo o delegado Lemos, a DP registra o Boletim de Ocorrência e expede o documento que autoriza a necrópsia pelo Itep.

Nas proximidades da escola, uma moradora recolheu os pedaços de um celular, que supôs ser da vítima, e entregou a um policial militar. O aparelho foi devolvido à mãe de Yuram. Outra prova, uma cápsula de bala deflagrada, que poderia indicar o modelo da arma utilizada no crime, foi vista por várias pessoas, mas a polícia não tem notícia do objeto.

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