Acidentados por motos lotam corredores do pronto-socorro Clóvis Sarinho, onerando os cofres públicos; enquanto o estado realiza mutirão para atender demada reprimida, projeto do Hospital de Trauma empaca na assembleia
Ricardo AraújoDO NOVO JORNAL
Com uma média semanal de 50 pacientes à espera de uma ou mais
cirurgias ortopédicas seletivas, os corredores do Pronto-Socorro Clóvis
Sarinho, em Natal, se transformaram, mais uma vez, em cenário da guerra
urbana contemporânea. Pacientes que se envolveram em acidentes
automobilísticos amargam o tempo da espera por um procedimento
cirúrgico, enfaixados, engessados e estirados em macas.
A situação é tão crítica que levou a Secretaria de Saúde de Natal a duplicar o valor do contrato para cirurgias ortopédicas com o Hospital Memorial, saltando dos R$ 490 mil/mês para R$ 967 mil/mensais. Somente em outubro passado, o Município pagou quase R$ 2 milhões em procedimentos cirúrgicos ortopédicos.
Assim como nos campos de concentração, os pacientes são identificados por um número. A maioria dos acidentes envolvem motocicletas, mas as informações dos agentes públicos relacionadas ao tema não são fiéis. O único dado preciso, disponível pela Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores (Fenabrave), é o relacionado à comercialização de motos a partir de 100 cilindradas, aquelas que precisam ser registradas e emplacadas nos órgãos de fiscalização de trânsito.
Os relatórios da instituição confirmam o que é perceptível ao mais desatento observador do tráfego urbano: a proliferação das motocicletas pelas vias. Entre os anos de 2007 a novembro de 2013, foram emplacadas 227.754 motos de modelos diversos no Rio Grande do Norte. Uma média de 90 motos por dia.
Nesta contabilidade, contudo, não entram as que se tornaram febre entre adolescentes, adultos e até mesmo entre crianças do interior, as de 50 cilindradas, as “cinquentinhas”. Para os ciclomotores, não é necessário o registro no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), tampouco a emissão de Carteira de Habilitação. Até mesmo a utilização de capacete, imprescindível item de segurança, é ignorada pela maioria dos condutores das cinquetinhas, que podem adquiri-las em lojas de eletrodomésticos ao custo médio de R$ 3.500.
União, Estados e Municípios não absorvem, para si, a responsabilidade do registro de tal categoria, alegando falta de recursos. Inclusive um Projeto de Lei para regulamentação dos ciclomotores de 50 cilindradas foi aprovado pela Câmara de Vereadores de Natal em 2010, mas vetado pela então prefeita, Micarla de Sousa sob o argumento da falta de recursos para a regularização da frota. O tema permanece no limbo da atual gestão da Câmara, enquanto o número de acidentes envolvendo motociclistas cresce e se transforma em caso de saúde pública.
O número exato de vítimas também é subdimensionado, em consequência da instabilidade do serviço de estatística virtual do maior hospital de emergência do Estado, para onde, geralmente, os acidentados são levados. No Itep, quando ocorre a morte no local do acidente, nem sempre a ocorrência é descrita com todas as informações necessárias, tais como modelo da moto.
“Ocorreu um aumento considerável de acidentes com os ciclomotores – as de 50 cilindradas – principalmente no interior do Estado”, comenta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Condutores de Veículos de Duas ou Três Rodas (Sindmoto/RN), José Barreto de Melo. “Muitas mulheres nos procuram pedindo ajuda, dizendo que perderam o ‘ganha pão’ porque o marido deixou de trabalhar após o acidente”, diz.
Outro dado desconhecido do poder público é o custo médio de um paciente acidentado por moto. Não existem estudos técnicos, no âmbito do Hospital Walfredo Gurgel, do quanto é gasto com tais acidentados.
Já o Núcleo de Segurança e Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho no RN não soube informar os custos públicos com o afastamento de um trabalhador vítima de acidente de trânsito envolvendo motocicletas. O órgão não dispõe, também, de estatísticas relacionadas ao número de ocorrências.
A situação é tão crítica que levou a Secretaria de Saúde de Natal a duplicar o valor do contrato para cirurgias ortopédicas com o Hospital Memorial, saltando dos R$ 490 mil/mês para R$ 967 mil/mensais. Somente em outubro passado, o Município pagou quase R$ 2 milhões em procedimentos cirúrgicos ortopédicos.
Assim como nos campos de concentração, os pacientes são identificados por um número. A maioria dos acidentes envolvem motocicletas, mas as informações dos agentes públicos relacionadas ao tema não são fiéis. O único dado preciso, disponível pela Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores (Fenabrave), é o relacionado à comercialização de motos a partir de 100 cilindradas, aquelas que precisam ser registradas e emplacadas nos órgãos de fiscalização de trânsito.
Os relatórios da instituição confirmam o que é perceptível ao mais desatento observador do tráfego urbano: a proliferação das motocicletas pelas vias. Entre os anos de 2007 a novembro de 2013, foram emplacadas 227.754 motos de modelos diversos no Rio Grande do Norte. Uma média de 90 motos por dia.
Nesta contabilidade, contudo, não entram as que se tornaram febre entre adolescentes, adultos e até mesmo entre crianças do interior, as de 50 cilindradas, as “cinquentinhas”. Para os ciclomotores, não é necessário o registro no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), tampouco a emissão de Carteira de Habilitação. Até mesmo a utilização de capacete, imprescindível item de segurança, é ignorada pela maioria dos condutores das cinquetinhas, que podem adquiri-las em lojas de eletrodomésticos ao custo médio de R$ 3.500.
União, Estados e Municípios não absorvem, para si, a responsabilidade do registro de tal categoria, alegando falta de recursos. Inclusive um Projeto de Lei para regulamentação dos ciclomotores de 50 cilindradas foi aprovado pela Câmara de Vereadores de Natal em 2010, mas vetado pela então prefeita, Micarla de Sousa sob o argumento da falta de recursos para a regularização da frota. O tema permanece no limbo da atual gestão da Câmara, enquanto o número de acidentes envolvendo motociclistas cresce e se transforma em caso de saúde pública.
O número exato de vítimas também é subdimensionado, em consequência da instabilidade do serviço de estatística virtual do maior hospital de emergência do Estado, para onde, geralmente, os acidentados são levados. No Itep, quando ocorre a morte no local do acidente, nem sempre a ocorrência é descrita com todas as informações necessárias, tais como modelo da moto.
“Ocorreu um aumento considerável de acidentes com os ciclomotores – as de 50 cilindradas – principalmente no interior do Estado”, comenta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Condutores de Veículos de Duas ou Três Rodas (Sindmoto/RN), José Barreto de Melo. “Muitas mulheres nos procuram pedindo ajuda, dizendo que perderam o ‘ganha pão’ porque o marido deixou de trabalhar após o acidente”, diz.
Outro dado desconhecido do poder público é o custo médio de um paciente acidentado por moto. Não existem estudos técnicos, no âmbito do Hospital Walfredo Gurgel, do quanto é gasto com tais acidentados.
Já o Núcleo de Segurança e Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho no RN não soube informar os custos públicos com o afastamento de um trabalhador vítima de acidente de trânsito envolvendo motocicletas. O órgão não dispõe, também, de estatísticas relacionadas ao número de ocorrências.
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