As obras de transposição do São Francisco, que estão
78,6% concluídas, segundo dados de agosto deste ano, possuem mais de 700
quilômetros de canais de concreto.
Diante do relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), apresentado
no Estado do Ceará no início de novembro e que aponta risco de poluição
das águas do projeto de transposição do Rio São Francisco, o deputado
federal Rafael Motta (Pros) solicitou ao ministro das Cidades, Gilberto
Kassab, e ao presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Antônio
Henrique Pires, a priorização dos municípios situados na margem das
águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), nos
programas de esgotamento sanitário do Governo Federal.
De acordo com o TCU, 57% dos 390 municípios da área de influência
direta do projeto não possuem serviços adequados de esgotamento
sanitário, nem sequer convênios para construção de esgotos.
“A informação apresentada pelo Tribunal é grave e aponta para um
gargalo que pode prejudicar a transposição, já que essa ausência de
sistemas de esgoto representa um elevado risco de poluição das águas,
impossibilitando o seu consumo por seres humanos”, destacou o deputado
Rafael Motta.
A transposição do São Francisco será capaz de tornar a água um bem
perene em mais de 60 municípios do Rio Grande do Norte, fato muito
relevante para um Estado que vive hoje a maior crise hídrica dos últimos
cem anos, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária
(EMPARN).
O relatório do TCU foi apresentado durante audiência pública
realizada pela Comissão Externa da Transposição do Rio São Francisco, no
último dia 5 de novembro, no município de Juazeiro do Norte-CE.
Em setembro passado, quando esteve visitando o Rio Grande do Norte, o
ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi participou de
encontros em Mossoró e em Natal, na Assembleia Legislativa, quando
detalhou o projeto.
As obras de transposição do São Francisco, que estão 78,6%
concluídas, segundo dados de agosto deste ano, possuem mais de 700
quilômetros de canais de concreto em dois grandes eixos (Norte e Leste)
ao longo do território de quatro estados nordestinos (Pernambuco,
Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte). Em agosto, a estação de
bombeamento do Eixo Norte foi inaugurada pela presidente Dilma Rousseff,
que esteve em Pernambuco. Na ocasião, ela garantiu aos deputados
estaduais e ao governador do RN, Robinson Faria (PSD), a conclusão do
trecho de 6 quilômetros que fará a transposição passar da Paraíba ao Rio
Grande do Norte.
No Rio Grande do Norte, as águas do Velho Chico chegarão ao estado
duas maneiras. Uma delas é com a perenização do rio Piranhas/Açu.
Significa que as águas do rio, que nasce na Serra do Piancó, na Paraíba,
devem ser represadas pela barragem de Oiticica antes que elas
desemboquem na barragem Armando Ribeiro Gonçalves.
A outra forma de a água entrar no Estado será com a construção um
sistema denominado Ramal Apodi, uma etapa da obra que faz parte do
chamado Eixo Norte da transposição. Por este ramal, as águas deverão
correr por canais, túneis, aquedutos e barragens, totalizando 115,5
quilômetros de extensão. Para isso, ainda de acordo com o ministério,
estima-se que 857 propriedades terão que ser relocadas ou os donos
indenizados em treze municípios da Paraíba, Ceará e no próprio Rio
Grande do Norte.
Em solo potiguar, a transposição afetará famílias em Luís Gomes,
Major Sales e José da Penha, por onde o ramal passará até chegar ao
açude público de Pau dos Ferros, de onde as águas partirão até Angicos,
já na região Central do estado. Ao final do percurso, 44 municípios
devem ser beneficiados. O MI afirma que todo o Eixo Norte tem
investimento orçado em R$ 5,25 bilhões e que já trabalha na elaboração
do edital de licitação para que os serviços no Rio Grande do Norte
tenham início. Só não disse quando.
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