O inquérito é mantido sob sigilo no Supremo e motivou parte dos
mandados de busca e apreensão autorizados nesta terça-feira (15) pelo
Supremo e que envolveu integrantes da cúpula do PMDB.
Além de Cunha, são alvos do STF neste caso os ministros Henrique
Eduardo Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), além do
ex-deputado Alexandre Santos e Nelson Bornier, prefeito de Nova Iguaçu
(RJ).
Em relação a Pansera, ele foi acusado pelo doleiro Alberto Youssef,
um dos delatores da Lava Jato, de ser “pau mandado” de Cunha e agir na
CPI da Petrobras para intimidar sua família.
Apontado como outro aliado de Cunha, o ex-diretor da Caixa Econômica
Federal Fábio Cleto é suspeito de usar a instituição a favor do
presidente da Câmara. Cleto, que também foi alvo de buscas, foi
exonerado do cargo há cinco dias, num gesto visto como retaliação do
governo a Cunha, diante do avanço do processo de impeachment.
Na manhã desta terça, a PF realizou uma ação na residência oficial da
Câmara por mais de cinco horas, na qual foram apreendidos documentos e
três aparelhos de celular de Cunha. Houve ainda busca em endereços
ligados ao deputado no Rio de Janeiro. Não houve pedido de prisão.
Segundo a Folha apurou, um dos objetivos da operação
desta terça seria reunir elementos que possam reforçar uma eventual
justificativa para afastar Cunha do comando da Câmara. Por isso, a
apreensão do celular utilizado pelo peemedebista. A expectativa é de que
possam ser encontradas mensagens que indiquem obstrução de seu processo
de cassação no Conselho de Ética e ainda dos desdobramentos da Lava
Jato.
O presidente da Câmara é acusado de ser beneficiado de desvios da
Petrobras. Segundo dois delatores, ele teria recebido US$ 5 milhões em
propina de contratos de navios-sondas. A Procuradoria já ofereceu
denúncia ao STF neste caso contra Cunha. Há ainda um outro inquérito que
investiga se um negócio fechado pela Petrobras na África teria
abastecido contas no exterior mantidas pelo peemedebista e familiares na
Suíça.
No caso da atuação de Cunha e aliados para se beneficiar, há
suspeitas sobre vendas de emendas em medidas provisórias ou outras ações
do mandato que podem ter resultado até mesmo no recebimento de propina.
Como o inquérito é sigiloso, não há detalhes ainda sobre as acusações sobre cada um deles.
Como o inquérito é sigiloso, não há detalhes ainda sobre as acusações sobre cada um deles.
OUTRO LADO
Indagado sobre a nova frente de investigações da PGR e da PF, Eduardo
Cunha afirmou, no início da noite desta terça-feira (15), que já havia
falado tudo o que julgava necessário sobre a Operação Catilinárias —ele deu uma curta entrevista na tarde de hoje no Salão Verde da Câmara— e disse que não iria fazer comentários sobre “um novo suposto inquérito”.
Recomendou que a imprensa procurasse seus advogados que, contudo, não foram localizados para comentar o assunto.


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