Infecção em mulheres grávidas é suspeita de provocar um aumento nos casos de microcefalia registrados no país
Por Paula Laboissière/Agência Brasil
A análise foi feita a partir de amostras
de uma paciente na Região Nordeste que sofreu um aborto retido (quando o
feto para de se desenvolver dentro do útero) na oitava semana de
gravidez, após apresentar sintomas de infecção pelo vírus Zika.
De acordo com o instituto, amostras da
placenta passaram por exames capazes de verificar uma infecção por vírus
do mesmo gênero do Zika, como dengue, chikungunya e febre amarela. Os
resultados foram positivos e confirmaram a presença de proteínas virais
nas células placentárias.
Em seguida, amostras do tecido que
apresentavam alterações morfológicas foram retiradas e utilizadas para
análise por técnicas moleculares. O exame confirmou a infecção de
células da placenta pelo Zika e também a transmissão placentária.
Uma das possibilidades levantadas por
cientistas da Fiocruz é que o vírus pode estar usando a capacidade
migratória dessas células para alcançar vasos fetais.
“Embora não possamos relacionar esses
achados com os casos de microcefalia e outras alterações congênitas,
esse resultado confirma de modo inequívoco a transmissão intrauterina do
Zika vírus, além de contribuir na aquisição de conhecimento sobre sua
biologia e interação com células do hospedeiro e auxiliar no
delineamento de estratégias antivirais que visem a bloquear o processo
de infecção e/ou transmissão”, explicou a virologista-chefe do
Laboratório de Virologia Molecular do instituto, Cláudia Nunes Duarte
dos Santos.
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