Após
os anúncios do governo do Estado para a construção dos presídios no
município de Santana do Seridó, posteriormente Afonso Bezerra, uma onda
de reprovação, tanto da população, quanto de prefeitos, tomou conta do
cenário do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte. Com isso
abre-se um leque de reflexões, dentro do campo político, sobre como
lidar com tal situação, já que outras prefeituras também se manifestam
contrárias à construção de presídios em suas áreas.
Deputados
estaduais já pensam, através da comissão do sistema prisional da
Assembleia Legislativa, em como atuar diante dessa crise carcerária
temida em todo o Estado. O deputado estadual e presidente da comissão,
Kelps Lima (SD), diz que isso se deve ao clima de insegurança
proporcionado por um presídio, e que o governo deveria criar um ambiente
de segurança ao município, antes de tomar a decisão.
“Qual a
referência que as pessoas têm de presídio? Alcaçuz. Nos últimos dois
anos teve o maior contexto de fugas na história do Rio Grande do Norte,
isso não deixa as pessoas seguras”, afirma.
Além disso, ele
destaca que o governo não demostra segurança técnica na construção dos
presídios, agravado pelos diferentes anúncios da construção dos
presídios em diversos municípios. “Qual a informação que chega para quem
está recebendo? O governo não sabe o que está fazendo”, avalia.
Na
mesma linha, o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) afirma que o
governo deveria dar uma “compensação” aos municípios, como um reforço na
área, para possibilitar esse clima. “Você não pode construir um
presídio numa área que não tem sequer delegacias, uma força policial
estruturada”, diz.
Sobre a compensação Kelps vai além. Ele pontua
que com um benefício de investimentos que gere emprego, melhoria na
qualidade de vida, a população e o gestor do município acabam acatando a
decisão do Estado.
E não apenas o governo deve decidir, avalia o
deputado estadual Getúlio Rego (DEM). Segundo ele, um diálogo com a
população deveria ser feito para intermediar o descontentamento geral,
já que até protestos estão sendo feitos em Santana do Seridó para
contestar a construção do presídio.
“Quem tem um imóvel com valor x
em determinada área, e de repente se constrói um presídio lá, o valor
desse imóvel desce. O que o governo deveria fazer era abrir uma
discussão com a comunidade da cidade em que vai ser instalado o presídio
para democratizar a definição”, avalia.
PRESIDENTE DA FEMURN TAMBÉM DEFENDE COMPENSAÇÕES
O
presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn),
Benes Leocádio, disse nesta terça-feira 14 compreender a preocupação
dos prefeitos e moradores cujas cidades foram anunciadas como locais
onde serão construídos novos presídios no estado.
Em entrevista ao
Agora Jornal, Benes declarou que a instalação de um presídio requer
diversos outros investimentos. Daí a “preocupação natural” dos gestores.
“Se espera que um equipamento como este melhore a questão da segurança.
Porém, normalmente o que acontece é o aumento da violência. Isso requer
mais estrutura no tocante ao aumento do efetivo policial, por exemplo”,
comentou o ex-prefeito do município de Lajes, se referindo às dezenas
de fugas registradas nos últimos meses nos presídios do estado.
Segundo
o presidente da Femurn, o anúncio da construção de um presídio para
determinada região deveria ser melhor discutido, principalmente no que
diz respeito à preparação. “A demanda por novas vagas no sistema
prisional existe, e o presídio tem que ser construído em algum lugar.
Mas isso precisa ser melhor discutido previamente com os setores
envolvidos. Há de se discutir a preparação do município para receber um
equipamento como este”, ressaltou.
No início deste ano, um
massacre deixou 26 mortos confirmados em Alcaçuz. A rebelião durou mais
de um semana e ganhou proporções internacionais. Atualmente, a
penitenciária está passando por revitalizações para restabelecer sua
estrutura.
Benes também defende uma espécie de compensação para os
municípios que receberão as unidades prisionais. “Isso é importante – e
precisa ser discutido – até como incentivo”, conclui, argumentando que,
quando um presídio é construído, diversos outros problemas são criados
além do possível aumento da insegurança. Muitos familiares dos apenados,
por exemplo, se mudam para perto das unidades, demandando moradias e
aumento na estrutura de oferta de serviços públicos.

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