As ações criminosas já duram 12 dias com 201 ataques a ônibus, bancos, prédios públicos e propriedades privadas
Chegou a 353 o número de suspeitos capturados por envolvimento nas
últimas ações criminosas ocorridas no Ceará. Tendo cada um deles
história de vida diferente, são muitas as versões contadas sobre os
porquês de participarem dos ataques. Em alguns casos, o caminho até ser
preso em flagrante foi longo e já não se mostrou novidade. Para outros,
ainda sem passagens pela Polícia, ser apontado como responsável pelas
ofensivas é um erro.
Em parte dos autos a que a reportagem teve acesso foi percebida uma
explicação em comum: a participação aconteceu em troca de droga. Nas
áreas da Capital e Região Metropolitana dominadas pela facção Comando
Vermelho (CV), alguns suspeitos apontaram que incendiaram veículos ou
prejudicaram a iluminação pública em troca de não morrer ou receber
pouca quantidade de entorpecente, para uso próprio.
Identificado pela Polícia Civil como encarregado de danificar
equipamentos públicos no bairro Paupina, José Ednardo Alves de Souza, de
47 anos, sem antecedentes criminais, é um dos que teria participado dos
ataques em prol de drogas. De acordo com a Secretaria da Segurança
Pública e Defesa Social (SSPDS), Ednardo foi flagrado por policiais do
6º Distrito Policial. No termo de interrogatório do preso, ele contou
que trabalhava em serviços gerais e nunca havia se envolvido em crimes.
José Ednardo teria dito aos policiais que nos fins de semana fazia uso
de cocaína e, um dia, quando estava cortando árvore, um rapaz
identificado como 'Lorin' pediu para que quebrasse a lâmpada de um
poste. Ednardo confessou que atendeu ao pedido de 'Lorin', segundo ele,
traficante do CV, após ter recebido uma 'bala de cocaína', no valor de
R$ 10.
Reincidência
Quando preso em Caucaia, no último dia 7 deste mês, Juan Victor da
Rocha Sampaio exibiu uma explicação diferente para ter cooperado com o
crime. Sampaio, que já esteve encarcerado por tráfico de drogas, assumiu
ser simpatizante da facção Comando Vermelho e disse que a combinação de
passar pelas ruas do Município ordenando que comerciantes fechassem as
portas partiu de uma conversa em um grupo do WhatApp, com outros membros
da mesma organização.
Outro detido também no dia 7 foi Diógenes Pereira Barros, de 34 anos,
com antecedentes por roubos, tráfico de drogas e por participação em
fuga de preso. Pereira foi preso em Fortaleza, sob suspeita de lançar um
artefato explosivo no 20º Batalhão da Polícia Militar.
De acordo com interrogatório assinado por Diógenes, ele estava dentro
da sua residência quando policiais pediram para entrar. No local,
teriam sido encontradas armas e drogas. O suspeito negou que os objetos
fossem dele, mas assumiu já ter sido preso antes.
Nos autos consta ainda que, na região onde ele mora, prevalece a
Guardiões do Estado (GDE), mas ele não pertenceria à organização. "Eu
não visto a camisa não, mas por eu morar na área né, os cara perdoa não"
(sic), disse Pereira, reafirmando que não participou ou planejou o
ataque contra o quartel. O titular da Delegacia de Repressão às Ações
Criminosas Organizadas (Draco), delegado Harley Filho, confirmou que
dentre todos os presos há membros das facções CV, GDE e Primeiro Comando
da Capital (PCC).
Retorno
Desde o início das capturas, a Secretaria da Segurança Pública e
Defesa Social (SSPDS) não especificou cada prisão. Apenas alguns nomes
de presos foram revelados. Quando contatada pela reportagem sobre o
perfil de quem vinha sendo preso sob suspeita de cometer os ataques, a
Pasta explicou que neste momento, devido às muitas demandas, não teria
como detalhar.
Do DN
Nenhum comentário:
Postar um comentário