segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sob aplausos, gritos e fogos, corpo de Eduardo Campos é enterrado

Com 160 mil, despedida de Campos vira ato político

 

Paulo Whitaker/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters
A despedida do ex-governador Eduardo Campos neste domingo (17) ganhou ares de ato político com distribuição de bandeiras, jingles executados em carros de som, banners em postes, vaias e gritos de "Fora, Dilma!", "Fora, PT!" e "Marina presidente!".
Velório e enterro aconteceram quatro dias após a morte de Campos, quatro assessores - o jornalista Carlos Percol, o fotógrafo Alexandre Severo, o cinegrafista Marcelo Lyra e o assessor Pedro Valadares - o piloto Marcos Martins e o copiloto Geraldo Magela Barbosa da Cunha.
As pessoas começaram a chegar ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, já na manhã de sábado. Algumas caravanas vieram do interior. Os caixões com os restos mortais de Campos, Percol e Severo chegaram por volta das 2h.
A cerimônia reuniu 160 mil pessoas, segundo o governo de Pernambuco, 100 mil apenas durante a 1 hora e 40 minutos de missa campal celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido.
Coberto com as bandeiras do Brasil, de Pernambuco e do PSB, o caixão de Campos foi rodeado por familiares, amigos, artistas e políticos.
Admiradores esperavam por três horas em uma fila quilométrica para passar diante das urnas fúnebres. A maioria estava emocionada e muitos fizeram fotos e vídeos.
Marina Silva, que com a morte do ex-governador assume a disputa presidencial pelo PSB, ficou ao lado da viúva Renata e dos cinco filhos do casal durante quase todo o tempo entre o início da noite de sábado e o sepultamento, às 18h38 de domingo. Havia, também, muitos aplausos e fogos.
Ela foi recebida por um grito de guerra antes dito com o nome Eduardo: "Brasil, pra frente! Marina presidente!".
Renata e a mãe de Campos, a ministra do TCU (Tribunal de Contas da União) Ana Arraes, foram saudadas e retribuíram com acenos e beijos de cima do caminhão dos Bombeiros que levou o corpo do ex-governador em cortejo.
Em certo momento, os filhos de Campos mostraram quatro dedos da mão e gritaram "Quarenta! Quarenta!", número do PSB.
Os pouco mais de dois quilômetros de cortejo entre a sede do governo e o cemitério tiveram ruas tomadas. Nas janelas dos prédios, panos pretos e bandeiras do partido.
Carros de som tocavam o jingle de Campos na campanha de reeleição em 2010 e o da presidencial deste ano.
Banners com o rosto do ex-governador e frases como "Suas ideias permanecem vivas em cada um de nós" foram afixados em postes.
Na chegada ao cemitério, uma multidão já aguardava do lado de dentro. Muitos não conseguiram entrar.
Emocionados, Renata e os filhos beijaram o caixão e depositaram um chapéu de palha sobre ele. Sob aplausos e 20 minutos de fogos de artifício, Campos foi sepultado.
Eduardo Campos
Campos tinha 49 anos e estava em terceiro lugar na corrida presidencial. Tinha 8% das intenções de voto, de acordo com o Datafolha. Ex-governador de Pernambuco e ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula, era considerado um dos políticos mais promissores de sua geração.
Campos era casado com a economista e auditora licenciada do Tribunal de Contas de Pernambuco Renata Campos, com quem teve cinco filhos - Maria Eduarda, João Henrique, Pedro Henrique, José Henrique e Miguel, que nasceu no começo de 2014.
O VELÓRIO
A chuva forte do início da manhã deste domingo não interrompeu a romaria de admiradores que foram se despedir do ex-governador Eduardo Campos no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco.
A movimentação é intensa desde a madrugada.
Organizadas em fila, as pessoas passaram bem próximo aos caixões de Campos e de dois dos assessores mortos no acidente aéreo da última quarta-feira (13), o jornalista Carlos Percol e o fotógrafo Alexandre Severo.
Eram duas horas da madrugada deste domingo quando o cortejo fúnebre do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos chegou ao Palácio. Os restos mortais de Campos e seus assessores chegaram à sede do governo sob os gritos de "justiça, justiça" do público que aguardava em frente ao palácio.
Os caixões foram retirados de cima dos caminhões do Corpo de Bombeiros e colocados lado a lado. Nos último metros do trajeto, os filhos de Campos que estavam em cima do caminhão puxavam o grito.
"Eduardo guerreiro do povo brasileiro", eram acompanhados com aplausos e gritos eufóricos de centenas de pessoas.
As urnas fúnebres são cobertas por bandeiras. A de Campos tem, além de um porta-retratos com uma foto dele, as bandeiras do Brasil, de Pernambuco e do PSB. A de Severo, a de Pernambuco e a do Santa Cruz, seu time do coração. O caixão de Percol tem as bandeiras do Estado, do Recife e do Sport Clube.
Reuters
Urnas fúnebres foram cobertas por bandeiras. A de Campos tem, além de um porta-retratos com uma foto dele, as bandeiras do Brasil, de Pernambuco e do PSB
Familiares dos três estiveram sentados ao redor dos caixões. A ex-primeira-dama Renata Campos e os cinco filhos do casal passaram boa parte da madrugada junto à urna e depois recolheram-se no próprio palácio.
Por volta das 8h30, representantes de blocos carnavalescos "O Bonde", "Bloco das Ilusões", "Tribo Indígena Tapirapé" e "Flor da Lira de Olinda" marcaram presença no velório.
Vestidos com fantasias de carnaval, tocaram trechos da marcha fúnebre em frente aos caixões, sendo aplaudidos pelos presentes.
A mãe de Severo, que descansava no interior do palácio, disse que pretendia doar o acervo fotográfico do filho para uma das universidades onde ele estudou.
Alguns passaram pelas urnas tirando foto e filmando com celulares. Muitos choraram. Constantemente, grupos pararam diante do caixão de Campos e, inclusive, cantavam o hino de Pernambuco, hinos religiosos e aplaudiam.
Bandeiras de Pernambuco e da campanha presidencial foram distribuídas nas imediações do palácio. Algumas pessoas usaram bandeirões de Campos e Marina Silva como manto.
Durante a madrugada, maracatus reverenciaram as vítimas do acidente. Ao amanhecer, um grupo, que usava chuteiras e meiões, parou por alguns minutos diante do caixão de Eduardo Campos.
MARINA SILVA
Candidata a vice na chapa de Campos, Marina Silva acompanhava a família do ex-governador durante todo o trajeto, desde a Base Aérea de Recife.
Às três horas da madrugada, a ex-senadora ainda permanecia no palácio com diversos assessores. "Marina tem muita resistência", disse um deles.
Na quarta-feira (20), o PSB deve oficializar em Brasília o nome de Marina como cabeça da chapa ao Palácio do Planalto.
Entre os gritos para Eduardo Campos, foi possível ouvir um sonoro "Marina, Marina, Marina" assim que os carros dos Bombeiros chegaram ao Campo das Princesas.
MISSA
Uma missa campal foi celebrada e comandada pelo arcebispo dom Fernando Saburido, de Olinda e Recife, no final da manhã. Às 17h, o corpo de Eduardo Campos seguiu em direção ao cemitério de Santo Amaro, onde será enterrado ao lado do jazigo de seu avô, o ex-governador Miguel Arraes (1916-2005).
Centenas de pessoas já estavam em frente ao palácio do Campo das Princesas no início da noite de sábado (16). Trouxeram faixas e cartazes e entoavam cânticos religiosos citando o ex-governador.
Há inúmeras coroas de flores dentro e fora da sede do governo, além de telas pintadas com o rosto de Eduardo Campos. Em destaque estão as coroas enviadas pelo ex-presidente Lula Inácio Lula da Silva e pela ex-primeira-dama Marisa Letícia. Os governos dos EUA e do Canadá também mandaram adornos.
Cerca de 120 mil pessoas acompanharam o velório e a missa. Três telões foram instalados fora do palácio para transmitir a cerimônia ao público que eventualmente não conseguir entrar.
A desempregada Mauricea de Azevedo, 54 anos, chegou ao palácio às 14h de sábado (16) e disse que ficaria até o fim do velório. Com duas bandeiras - uma, de Campos; outra, de Miguel Arraes -, ela passou o dia debruçada sobre a grade que separa o público da área reservada para a missa.
"Eduardo e Arraes entraram pela porta da frente deste palácio e saíram no caixão", disse. "Quero ficar o mais próximo possível", completou. Em suas mãos, um álbum com fotos de Campos. "Até agora a ficha não caiu."
Reuters
Presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram vaiados
LULA E DILMA FORAM VAIADOS
A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram vaiados na manhã deste domingo ao chegarem ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, para o velório de Eduardo Campos, que se tornou adversário dos dois no ano passado, quando decidiu disputar a Presidência.
Eles chegaram por pouco antes das 10h. Lula chorou na chegada, abraçou um dos filhos de Eduardo Campos, conversou longamente com Renata, viúva de Campos, e ficou atrás do prefeito do Recife, Geraldo Julio.
Já Dilma ficou deslocada em meio à família do ex-governador de Pernambuco. Após as vaias, alguém puxou aplausos e o público acompanhou. Pessoas na plateia gritaram o nome de Campos.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o ex-ministro da Saúde de Dilma e candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, e o ministro da Casa Civil, Aloísio Mercadante estiveram junto com a presidente e o ex.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o ex-governador José Serra (PSDB-SP) também estiveram no velório. O senador Aécio Neves (MG), candidato tucano à Presidência, também estava no velório.
Além dele, acompanharam a cerimônia o governador Jaques Wagner (PT-BA), Agnelo Queiroz (PT-DF), Renato Casagrante (PSB-ES), Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL), a ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos), o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, os senadores Armando Monteiro (PTB-PE) e Eunício Oliveira (PMDB-CE).
O palco onde estão os caixões de Eduardo Campos e de seus assessores Carlos Percol e Alexandre Severo estiveram tão lotado que um segurança da presidente Dilma pediu pelo rádio para a área ser evacuada, pois a estrutura estava balançando.
O pastor Everaldo, candidato à Presidência pelo PSC, a coordenadora do programa de governo de Marina, Neca Setúbal, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT) também participaram da missa campal.
A CHEGADA NO RECIFE
Foi ao lado de Marina Silva que Renata Campos, viúva do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, recebeu no sábado os restos mortais do marido, na base aérea do Recife. Todos os filhos - inclusive o caçula Miguel, de sete meses - acompanharam a mãe.
Às 23h05 chegaram as caixas fúnebres de Campos e dos três integrantes de sua campanha mortos no acidente aéreo que serão velados na capital de Pernambuco: o jornalista Carlos Percol, o fotógrafo Alexandre Severo Gomes da Silva e o cinegrafista Marcelo de Oliveira Lyra.
Renata e os cinco filhos ficaram à espera da aeronave na pista de pouso, dentro de um ônibus disponibilizado pela Infraero. Junto com a família, estava Marina Silva.
Os filhos de Campos vestiam uma camiseta amarela com a frase com que ele encerrou sua entrevista no Jornal Nacional, da TV Globo, um dia antes de morrer: "Não vamos desistir do Brasil". Renata e Ana Arraes, assim como o bebê Miguel, vestiam roupas claras.
APLAUSOS NA CHEGADA
Sob aplausos, o caixão de Campos foi levado a um caminhão do Corpo de Bombeiros com ajuda dos dois filhos mais velhos, João Henrique e Pedro.
O caixão de Percol e Severo foram colocados, também sob aplausos, em um outro caminhão dos Bombeiros. Lyra, que não será velado no palácio do Campo das Princesas, foi levado por um carro funerário.
O cortejo fúnebre saiu perto da meia-noite de domingo (17) com destino à sede do governo.
O corpo de Pedro Valadares, ex-deputado federal e assessor pessoal de Campos, também estava no voo para o Recife. Após a parada em Pernambuco, seus restos mortais seguiram no avião da FAB para Aracaju. Ele será velado em Simão Dias (SE), sua cidade natal.
O cortejo percorreu as ruas do Recife até o palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual. É ali que três dos corpos foram velados até o fim da tarde deste domingo (17). Apenas Lyra, por escolha da família, teve o velório realizado no cemitério Morada da Paz.
Nas ruas em torno do aeroporto, dezenas de pessoas estiveram na calçada a passagem dos caminhões.
Agência Brasil
Momento em que chegaram as caixas fúnebres de Campos e dos três integrantes de sua campanha mortos no acidente aéreo que serão velados na capital de Pernambuco
Agência Brasil
Os filhos de Campos vestiram uma camiseta amarela com a frase com que ele encerrou sua entrevista no Jornal Nacional, da TV Globo, um dia antes de morrer: "Não vamos desistir do Brasil"

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