Com 160 mil, despedida de Campos vira ato político
| Paulo Whitaker/Reuters |
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| Ricardo Moraes/Reuters |
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A despedida do ex-governador Eduardo Campos neste domingo (17) ganhou
ares de ato político com distribuição de bandeiras, jingles executados
em carros de som, banners em postes, vaias e gritos de "Fora, Dilma!",
"Fora, PT!" e "Marina presidente!".
Velório e enterro aconteceram quatro dias após a morte de Campos,
quatro assessores - o jornalista Carlos Percol, o fotógrafo Alexandre
Severo, o cinegrafista Marcelo Lyra e o assessor Pedro Valadares - o
piloto Marcos Martins e o copiloto Geraldo Magela Barbosa da Cunha.
As pessoas começaram a chegar ao Palácio do Campo das Princesas, sede
do governo de Pernambuco, já na manhã de sábado. Algumas caravanas
vieram do interior. Os caixões com os restos mortais de Campos, Percol e
Severo chegaram por volta das 2h.
A cerimônia reuniu 160 mil pessoas, segundo o governo de Pernambuco,
100 mil apenas durante a 1 hora e 40 minutos de missa campal celebrada
pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido.
Coberto com as bandeiras do Brasil, de Pernambuco e do PSB, o caixão de
Campos foi rodeado por familiares, amigos, artistas e políticos.
Admiradores esperavam por três horas em uma fila quilométrica para
passar diante das urnas fúnebres. A maioria estava emocionada e muitos
fizeram fotos e vídeos.
Marina Silva, que com a morte do ex-governador assume a disputa
presidencial pelo PSB, ficou ao lado da viúva Renata e dos cinco filhos
do casal durante quase todo o tempo entre o início da noite de sábado e o
sepultamento, às 18h38 de domingo. Havia, também, muitos aplausos e
fogos.
Ela foi recebida por um grito de guerra antes dito com o nome Eduardo: "Brasil, pra frente! Marina presidente!".
Renata e a mãe de Campos, a ministra do TCU (Tribunal de Contas da
União) Ana Arraes, foram saudadas e retribuíram com acenos e beijos de
cima do caminhão dos Bombeiros que levou o corpo do ex-governador em
cortejo.
Em certo momento, os filhos de Campos mostraram quatro dedos da mão e gritaram "Quarenta! Quarenta!", número do PSB.
Os pouco mais de dois quilômetros de cortejo entre a sede do governo e o
cemitério tiveram ruas tomadas. Nas janelas dos prédios, panos pretos e
bandeiras do partido.
Carros de som tocavam o jingle de Campos na campanha de reeleição em 2010 e o da presidencial deste ano.
Carros de som tocavam o jingle de Campos na campanha de reeleição em 2010 e o da presidencial deste ano.
Banners com o rosto do ex-governador e frases como "Suas ideias permanecem vivas em cada um de nós" foram afixados em postes.
Na chegada ao cemitério, uma multidão já aguardava do lado de dentro. Muitos não conseguiram entrar.
Emocionados, Renata e os filhos beijaram o caixão e depositaram um
chapéu de palha sobre ele. Sob aplausos e 20 minutos de fogos de
artifício, Campos foi sepultado.
Eduardo Campos
Campos tinha 49 anos e estava em terceiro lugar na corrida
presidencial. Tinha 8% das intenções de voto, de acordo com o Datafolha.
Ex-governador de Pernambuco e ex-ministro de Ciência e Tecnologia do
governo Lula, era considerado um dos políticos mais promissores de sua
geração.
Campos era casado com a economista e auditora licenciada do Tribunal de
Contas de Pernambuco Renata Campos, com quem teve cinco filhos - Maria
Eduarda, João Henrique, Pedro Henrique, José Henrique e Miguel, que
nasceu no começo de 2014.
O VELÓRIO
A chuva forte do início da manhã deste domingo não interrompeu a
romaria de admiradores que foram se despedir do ex-governador Eduardo
Campos no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco.
A movimentação é intensa desde a madrugada.
A movimentação é intensa desde a madrugada.
Organizadas em fila, as pessoas passaram bem próximo aos caixões de
Campos e de dois dos assessores mortos no acidente aéreo da última
quarta-feira (13), o jornalista Carlos Percol e o fotógrafo Alexandre
Severo.
Eram duas horas da madrugada deste domingo quando o cortejo fúnebre do
ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos chegou ao Palácio. Os restos
mortais de Campos e seus assessores chegaram à sede do governo sob os
gritos de "justiça, justiça" do público que aguardava em frente ao
palácio.
Os caixões foram retirados de cima dos caminhões do Corpo de Bombeiros e
colocados lado a lado. Nos último metros do trajeto, os filhos de
Campos que estavam em cima do caminhão puxavam o grito.
"Eduardo guerreiro do povo brasileiro", eram acompanhados com aplausos e gritos eufóricos de centenas de pessoas.
As urnas fúnebres são cobertas por bandeiras. A de Campos tem, além de
um porta-retratos com uma foto dele, as bandeiras do Brasil, de
Pernambuco e do PSB. A de Severo, a de Pernambuco e a do Santa Cruz, seu
time do coração. O caixão de Percol tem as bandeiras do Estado, do
Recife e do Sport Clube.
| Reuters |
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| Urnas fúnebres foram cobertas por bandeiras. A de Campos tem, além de um porta-retratos com uma foto dele, as bandeiras do Brasil, de Pernambuco e do PSB |
Familiares dos três estiveram sentados ao redor dos caixões. A
ex-primeira-dama Renata Campos e os cinco filhos do casal passaram boa
parte da madrugada junto à urna e depois recolheram-se no próprio
palácio.
Por volta das 8h30, representantes de blocos carnavalescos "O Bonde",
"Bloco das Ilusões", "Tribo Indígena Tapirapé" e "Flor da Lira de
Olinda" marcaram presença no velório.
Vestidos com fantasias de carnaval, tocaram trechos da marcha fúnebre em frente aos caixões, sendo aplaudidos pelos presentes.
A mãe de Severo, que descansava no interior do palácio, disse que
pretendia doar o acervo fotográfico do filho para uma das universidades
onde ele estudou.
Alguns passaram pelas urnas tirando foto e filmando com celulares.
Muitos choraram. Constantemente, grupos pararam diante do caixão de
Campos e, inclusive, cantavam o hino de Pernambuco, hinos religiosos e
aplaudiam.
Bandeiras de Pernambuco e da campanha presidencial foram distribuídas
nas imediações do palácio. Algumas pessoas usaram bandeirões de Campos e
Marina Silva como manto.
Durante a madrugada, maracatus reverenciaram as vítimas do acidente. Ao
amanhecer, um grupo, que usava chuteiras e meiões, parou por alguns
minutos diante do caixão de Eduardo Campos.
MARINA SILVA
Candidata a vice na chapa de Campos, Marina Silva acompanhava a família
do ex-governador durante todo o trajeto, desde a Base Aérea de Recife.
Às três horas da madrugada, a ex-senadora ainda permanecia no palácio
com diversos assessores. "Marina tem muita resistência", disse um deles.
Na quarta-feira (20), o PSB deve oficializar em Brasília o nome de Marina como cabeça da chapa ao Palácio do Planalto.
Entre os gritos para Eduardo Campos, foi possível ouvir um sonoro
"Marina, Marina, Marina" assim que os carros dos Bombeiros chegaram ao
Campo das Princesas.
MISSA
Uma missa campal foi celebrada e comandada pelo arcebispo dom Fernando
Saburido, de Olinda e Recife, no final da manhã. Às 17h, o corpo de
Eduardo Campos seguiu em direção ao cemitério de Santo Amaro, onde será
enterrado ao lado do jazigo de seu avô, o ex-governador Miguel Arraes
(1916-2005).
Centenas de pessoas já estavam em frente ao palácio do Campo das
Princesas no início da noite de sábado (16). Trouxeram faixas e cartazes
e entoavam cânticos religiosos citando o ex-governador.
Há inúmeras coroas de flores dentro e fora da sede do governo, além de
telas pintadas com o rosto de Eduardo Campos. Em destaque estão as
coroas enviadas pelo ex-presidente Lula Inácio Lula da Silva e pela
ex-primeira-dama Marisa Letícia. Os governos dos EUA e do Canadá também
mandaram adornos.
Cerca de 120 mil pessoas acompanharam o velório e a missa. Três telões
foram instalados fora do palácio para transmitir a cerimônia ao público
que eventualmente não conseguir entrar.
A desempregada Mauricea de Azevedo, 54 anos, chegou ao palácio às 14h
de sábado (16) e disse que ficaria até o fim do velório. Com duas
bandeiras - uma, de Campos; outra, de Miguel Arraes -, ela passou o dia
debruçada sobre a grade que separa o público da área reservada para a
missa.
"Eduardo e Arraes entraram pela porta da frente deste palácio e saíram
no caixão", disse. "Quero ficar o mais próximo possível", completou. Em
suas mãos, um álbum com fotos de Campos. "Até agora a ficha não caiu."
| Reuters |
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| Presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram vaiados |
LULA E DILMA FORAM VAIADOS
A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
foram vaiados na manhã deste domingo ao chegarem ao Palácio do Campo
das Princesas, sede do governo de Pernambuco, para o velório de Eduardo
Campos, que se tornou adversário dos dois no ano passado, quando decidiu
disputar a Presidência.
Eles chegaram por pouco antes das 10h. Lula chorou na chegada, abraçou
um dos filhos de Eduardo Campos, conversou longamente com Renata, viúva
de Campos, e ficou atrás do prefeito do Recife, Geraldo Julio.
Já Dilma ficou deslocada em meio à família do ex-governador de
Pernambuco. Após as vaias, alguém puxou aplausos e o público acompanhou.
Pessoas na plateia gritaram o nome de Campos.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o ex-ministro da Saúde de
Dilma e candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, e o
ministro da Casa Civil, Aloísio Mercadante estiveram junto com a
presidente e o ex.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o ex-governador José Serra
(PSDB-SP) também estiveram no velório. O senador Aécio Neves (MG),
candidato tucano à Presidência, também estava no velório.
Além dele, acompanharam a cerimônia o governador Jaques Wagner (PT-BA),
Agnelo Queiroz (PT-DF), Renato Casagrante (PSB-ES), Teotônio Vilela
Filho (PSDB-AL), a ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos), o
porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, os senadores Armando Monteiro
(PTB-PE) e Eunício Oliveira (PMDB-CE).
O palco onde estão os caixões de Eduardo Campos e de seus assessores
Carlos Percol e Alexandre Severo estiveram tão lotado que um segurança
da presidente Dilma pediu pelo rádio para a área ser evacuada, pois a
estrutura estava balançando.
O pastor Everaldo, candidato à Presidência pelo PSC, a coordenadora do
programa de governo de Marina, Neca Setúbal, o governador do Rio, Luiz
Fernando Pezão (PMDB) e o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz
Marinho (PT) também participaram da missa campal.
A CHEGADA NO RECIFE
Foi ao lado de Marina Silva que Renata Campos, viúva do ex-governador
de Pernambuco Eduardo Campos, recebeu no sábado os restos mortais do
marido, na base aérea do Recife. Todos os filhos - inclusive o caçula
Miguel, de sete meses - acompanharam a mãe.
Às 23h05 chegaram as caixas fúnebres de Campos e dos três integrantes
de sua campanha mortos no acidente aéreo que serão velados na capital de
Pernambuco: o jornalista Carlos Percol, o fotógrafo Alexandre Severo
Gomes da Silva e o cinegrafista Marcelo de Oliveira Lyra.
Renata e os cinco filhos ficaram à espera da aeronave na pista de
pouso, dentro de um ônibus disponibilizado pela Infraero. Junto com a
família, estava Marina Silva.
Os filhos de Campos vestiam uma camiseta amarela com a frase com que
ele encerrou sua entrevista no Jornal Nacional, da TV Globo, um dia
antes de morrer: "Não vamos desistir do Brasil". Renata e Ana Arraes,
assim como o bebê Miguel, vestiam roupas claras.
APLAUSOS NA CHEGADA
Sob aplausos, o caixão de Campos foi levado a um caminhão do Corpo de
Bombeiros com ajuda dos dois filhos mais velhos, João Henrique e Pedro.
O caixão de Percol e Severo foram colocados, também sob aplausos, em um
outro caminhão dos Bombeiros. Lyra, que não será velado no palácio do
Campo das Princesas, foi levado por um carro funerário.
O cortejo fúnebre saiu perto da meia-noite de domingo (17) com destino à sede do governo.
O corpo de Pedro Valadares, ex-deputado federal e assessor pessoal de
Campos, também estava no voo para o Recife. Após a parada em Pernambuco,
seus restos mortais seguiram no avião da FAB para Aracaju. Ele será
velado em Simão Dias (SE), sua cidade natal.
O cortejo percorreu as ruas do Recife até o palácio do Campo das
Princesas, sede do governo estadual. É ali que três dos corpos foram
velados até o fim da tarde deste domingo (17). Apenas Lyra, por escolha
da família, teve o velório realizado no cemitério Morada da Paz.
Nas ruas em torno do aeroporto, dezenas de pessoas estiveram na calçada a passagem dos caminhões.
| Agência Brasil |
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| Momento em que chegaram as caixas fúnebres de Campos e dos três integrantes de sua campanha mortos no acidente aéreo que serão velados na capital de Pernambuco |
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