Valdir Julião - Repórter
Uma pessoa que não faz parte da
comunidade escolar de um bairro em Natal, hoje, tem acesso ao interior
de um estabelecimento da rede pública de ensino com facilidade. A
segurança na rede pública estadual é falha. Na manhã desta quarta-feria
(22), a TRIBUNA DO NORTE esteve em três escolas da rede estadual de
ensino e, em duas delas, o repórter passou por dois portões e entrou sem
que fosse incomodado. Em um dos casos, a TN flagrou o porteiro
terceirizado da empresa prestadora de serviços à Secretaria Estadual de
Educação e Cultura (SEEC) – a Interbrasil, aguando um pé de coqueiro
na área externa da Escola Estadual Jean Mermoz, situada na rua Barão de
Mauá, no Bom Pastor, Zona Leste de Natal.
João Maria Alves
Parte das escolas tem Guarda Patrimonial. As que estão em áreas de risco possuem segurança privada contratada pela Secretaria
O
diretor da E.E Jean Mermoz, Francisco de Assis Varela, disse que tem
quatro servidores que atuam na área de limpeza do prédio e admitiu que
pode ter havido um descuido da parte do porteiro. “Ninguém manda que
ele vá aguar planta, se foi, ele foi de livre espontânea vontade”.
Francisco Varela disse que, às vezes, acontece de alguém pedir para o
porteiro pegar a mangueira e, na volta pode ter ocorrido dele aguar a
planta, tendo ele garantido que vai conversar com o porteiropara que
tenha mais cuidado com a portaria.
O diretor da Jean Mermoz
afirma que, realmente, o porteiro “não tem a mesma noção de segurança
de um vigilante que faz um treinamento”, mas adiantou que, por isso, não
está existindo casos de violência, além de algumas desavenças normais
que possam acontecer entre adolescentes dentro da escola. Varela
informou que a escola Jean Mermoz não tem vigilantes no horário diurno,
mas confirmou que dos três guardas patrimoniais que faziam vigilância no
período noturno, ficou apenas um que vem a cada três dias.
No
entanto, Varela confirmou que nas salas de direção, de vídeo,
biblioteca, cozinha, estão instalados alarmes eletrônicos monitorados
pela empresa de vigilância Emvipol, que mandam vigilantes ao local
quando o alarme dispara. “Quando acontece de eu abrir o portão e o
alarme disparar, ligo e passos os meus dados todos para a Emvipol”,
disse o diretor da Jean Mermoz, que conta com 1.526 alunos nos três
turnos.
A vigilância eletrônica também ocorre durante à noite na
Escola Estadual Padre Monte, nas Rocas, onde o repórter adentrou pelo
saguão depois de passar dois portões. Um porteiro da Interbrasil havia
saído para consertar a torneira de um bebedouro e outro admitiu que
tinha ido colocar o cadeado em outro portão do laudo da entrada da
escola.
O coordenador administrativo da E.E Padre Monte, Carlos
Antônio de Oliveira Barbosa, disse que está há 24 anos trabalhando no
estabelecimento, mas nos últimos quatro anos “a comunidade veio para
dentro da escola” e não existe casos de violência. Carlos Barbosa
minimizou o episódio, informando que “viu pelo vidro” quando o repórter
entrou e conhece quando a pessoa não é da comunidade.
Apenas na
Escola Estadual Maria Queiroz, em Felipe Camarão, na Zona Oeste de
Natal, a reportagem da TN foi barrada por um porteiro da Interbrasil,
que encerrou a conversa ao celular quando viu uma pessoa estranha se
aproximar. O porteiro perguntou ao repórter a quem queria se dirigir e o
levou até a sala da vice-diretora Rejane do Nascimento Souza. “Quando o
porteiro sai, fica outra pessoa na entrada da escola”, disse ela.
A
dirigente da E.E. Maria Queiroz disse que está há sete anos naquela
escola e não é de seu conhecimento que tenha ocorrido alguma violência
devido o aumento da criminalidade, nesse período. Rejane Souza afirmou
que ocorre, o que é normal para a idade, desavenças entre adolescentes
“que são resolvidas pelo Conselho Escolar”, integrado, inclusive, pelos
pais dos 1.380 alunos.
O problema maior de insegurança, segundo ela, ocorre nos feriados
prolongados e fins de semana, à noite, que a vigilância fica descoberta.
Ela relatou casos de destelhamento e arrombamento do almoxarifado. Para
evitar os roubos de computadores e equipamentos de som, como já
ocorreu, ela disse que “as coisas de valores estão sendo guardadas,
agora, no laboratório da escola, que é estucado”.
Seec envia equipe a Porto do MangueA
Subcoordenadoria de Ensino Médio da Secretaria Estadual de Educação foi
na manhã desta quarta-feira (22) ao município de Porto do Mangue para
dar assistência à família do jovem de 20 anos, morto dentro da escola
Escola Estadual Professora Josélia de Souza Silva.
Segundo a
assessoria de Imprensa da SEED, a equipe se reuniu com a direção da
escola para avaliar a situação de segurança e definir possíveis medidas
de reforço. O jovem foi morto por esfaqueamento nesta terça-feira (21)
por um adolescente de apenas 15 anos de idade, que invadiu a escola. A
agressão teria sido motivada por uma rixa. O menor foi apreendido logo
após o ocorrido, por volta das 14h30. O adolescente pulou o muro da
escola e conseguiu ter acesso à sala de aula, onde praticou o crime.