
A Justiça concedeu liberdade provisória à mulher de 44 anos que
agrediu a própria filha, uma adolescente de 16 anos, e cortou o cabelo
da jovem durante uma ação registrada em vídeo e divulgada nas redes
sociais. O caso tramita em segredo de Justiça por envolver uma vítima
adolescente.
Francisca Lopes da Silva havia sido presa em
flagrante na madrugada de terça-feira 14 para quarta-feira 15, após
diligências realizadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte a
partir da repercussão das imagens.
Na decisão que soltou a mulher,
a Justiça determinou o cumprimento de medidas cautelares. Entre as
obrigações impostas, estão a proibição de se ausentar da comarca por
mais de 15 dias sem comunicação ao juízo e o comparecimento obrigatório a
todos os atos processuais para os quais for convocada.
O caso
aconteceu no bairro Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte de
Natal. A prisão foi efetuada por uma equipe da 1ª Delegacia de Plantão
de Atendimento a Grupos em Situação de Vulnerabilidade (1ª DPAGV). O
procedimento foi encaminhado à Delegacia Especializada de Proteção à
Criança e ao Adolescente (DPCA/Natal), que dará continuidade às
investigações.
As imagens, que viralizaram nas redes sociais,
mostram a adolescente sendo agredida pela mãe. Nas imagens, a mulher usa
um cinto para bater na jovem. Além disso, ela cortou o cabelo da
adolescente. A vítima aparece sem reagir durante parte da ação
registrada no vídeo.
Após o acionamento do Centro Integrado de
Operações em Segurança Pública (Ciosp), a Guarda Municipal de Natal foi
enviada para atender a ocorrência. Durante a ação, a adolescente foi
encaminhada, acompanhada do pai e do irmão, para um serviço
especializado de acolhimento, onde recebeu os primeiros atendimentos.
Com
o avanço das diligências, a mãe foi localizada e presa. Antes da
prisão, ela afirmou que agrediu a filha como forma de correção por
considerar que ela estava mentindo e seguindo “o caminho errado”.
Segundo
ela, a intenção era discipliná-la e não praticar maus-tratos. “Dei o
corretivo na minha filha. Porque ela estava mentindo. Dei o corretivo na
minha filha porque ela foi para o caminho errado. Eu bati com o cinto.
Hoje em dia, eu não posso nem corrigir. Na época da gente, meu pai não
chamava a polícia. Se eu não corrigir, quem vai corrigir?”, declarou.
Ela
também afirmou que sempre cuidou dos filhos e negou abandono. “Eu nunca
deixei passar fome no meu filho. Lavo até roupa dos outros para
sustentar meus filhos”, disse. Ela acrescentou que chegou a pensar em
expulsar a filha de casa, mas desistiu.
A Polícia Civil informou
que os veículos de comunicação e a população devem evitar a divulgação
de imagens ou informações que possam identificar a adolescente, em
respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e para preservar a
integridade e a dignidade da vítima.
Por causa da agressão, a
mulher poderá responder por maus-tratos, lesão corporal ou tortura, a
depender do entendimento da Polícia Civil e do Ministério Público.
Metade dos brasileiros admite já ter dado tapas em crianças
Pesquisa
do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a
Quaest, mostra que, embora 91% dos brasileiros defendam o diálogo como
principal forma de educar crianças, práticas violentas ainda aparecem no
cotidiano. O levantamento aponta que 49% já deram tapas em crianças e
27% afirmam ter usado objetos em agressões. Outros 62% admitem já ter
gritado com filhos ou crianças.
O estudo também revela que 65% dos
entrevistados sofreram agressões físicas durante a infância, indicando a
repetição de padrões entre gerações. Além disso, 62% afirmam que não
interfeririam ao presenciar uma agressão contra uma criança em público. A
pesquisa destaca ainda que 91% consideram inaceitáveis ofensas verbais e
79% rejeitam agressões com objetos.
O que mostra a pesquisa
Violência ainda faz parte da educação de muitas crianças no Brasil:
- 91% defendem o diálogo como principal forma de educar.
- 91% consideram inaceitável xingar ou ofender crianças.
- 79% rejeitam agressões com objetos.
- 64% consideram inaceitável ameaçar bater em uma criança.
- 51% afirmam que dar tapas também é inaceitável.
- 49% admitem já ter dado tapas em crianças.
- 27% dizem já ter utilizado objetos para agredir menores.
- 62% reconhecem que já gritaram com crianças.
- 62% afirmam que não interviriam ao presenciar uma agressão em público.
- 65% sofreram agressões físicas durante a própria infância.
Fonte:
Pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra
crianças e adolescentes, do Instituto Futuro é Infância Saudável
(Infinis), em parceria com a Quaest.
Agora RN