
O Açude Marechal Dutra, o Gargalheiras, localizado em Acari, Foto: Moraes Neto
Apesar do alerta, a gestão estadual afirma que não há risco de
interrupção do abastecimento até o fim do ano e que outros mananciais
têm água suficiente para atender os municípios, caso seja necessário.Cinco
reservatórios que abastecem nove municípios do Seridó potiguar estão
sob risco de colapso hídrico até dezembro deste ano, segundo alerta da
Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern).
Caso a
previsão se confirme, mais de 63 mil pessoas poderão ser afetadas. O
cenário consta em ofício encaminhado pela Companhia ao Gabinete Civil do
Governo do Estado neste mês de setembro. Apesar do alerta, a gestão
estadual afirma que não há risco de interrupção do abastecimento até o
fim do ano e que outros mananciais têm água suficiente para atender os
municípios, caso seja necessário.
A lista
dos municípios afetados conta com Currais Novos, Equador, Parelhas,
Carnaúba dos Dantas, Jardim do Seridó, São João do Sabugi, Ipueira, São
José do Seridó e Ouro Branco. A avaliação considera os volumes dos
reservatórios que atualmente atendem essas cidades e aponta a
possibilidade de esgotamento dos mananciais até dezembro.
Em Currais
Novos, por exemplo, o Açude Dourado, com capacidade para pouco mais de
10 milhões de metros cúbicos, está com menos de 1% de água armazenada,
com a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern)
passando a contar apenas com o Açude Marechal Dutra, o Gargalheiras,
localizado em Acari, para atender 100% dos domicílios no município
currais-novense.
Além do Açude Dourado, em Gargalheiras, também constam
no relatório o Açude Mamão, responsável pelo abastecimento de Equador; o
Boqueirão, que atende Parelhas, Jardim do Seridó e Carnaúba dos Dantas;
o Santo Antônio, em São João do Sabugi; e o Martelo, em Ipueira.
O alerta consta em documento obtido pela
TRIBUNA DO NORTE, elaborado pela Caern. Segundo a SEMARH, o
abastecimento nos municípios citados não chega a estar ameaçado até o
fim do ano. “É uma avaliação preliminar, necessária para o trabalho que
fazemos que não é só executivo, mas também preventivo.
A partir disso
sabemos quais medidas tomar e nos antecipar. O trabalho de gestão de
águas projeta ações para seis, sete meses na frente. Para esse ano, o
abastecimento dos municípios está garantido, mesmo que não chova nos
próximos meses”, afirma o auxiliar.
De acordo com o documento, a
situação de Ouro Branco e São João do Sabugi é apontada como mais
delicada pela Caern, já que os dois municípios “não dispõem de um
sistema de abastecimento emergencial”. Atualmente, segundo a estatal, o
abastecimento de Ouro Branco está sendo feito por poços rasos. Segundo a
SEMARH, de junho de 2025 até agosto de 2026 foram perfurados 31 poços
no município.O monitoramento dos
reservatórios potiguares é feito diariamente pelo Instituto de Gestão
das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), orientando as
decisões sobre o abastecimento.
A utilização de poços, como ocorre em
Ouro Branco, é uma das alternativas em caso de baixo nível dos
reservatórios utilizados. Outras ações que são empregadas são o
transporte de água através de carros-pipa e a utilização de adutoras já
existentes para levar água de uma região para outra.
Fiscalização de irregularidades é reforçada
A Caern mantém um programa permanente de
fiscalização de irregularidades na rede de água para monitorar e
combater o uso clandestino do sistema de abastecimento. A ação ganha
ainda mais importância durante os períodos de estiagem, quando a
disponibilidade de água é menor e qualquer desvio irregular pode
comprometer o fornecimento para cidades e comunidades atendidas.
No Seridó, as fiscalizações são realizadas
pelas equipes da Caern e podem resultar na retirada da tubulação
clandestina e na aplicação de multa aos responsáveis.
No início do mês,
uma ligação clandestina, conhecida como “gato”, foi identificada em
tubulação da Adutora Serra de Santana. A irregularidade impactou
diretamente o abastecimento das cidades atendidas pela Adutora Serra de
Santana: Florânia, Tenente Laurentino Cruz, São Vicente, Bodó e Lagoa
Nova, além da zona rural desses municípios.
Com
o avanço da estiagem, também aumenta a ocorrência de ligações
clandestinas em áreas rurais, principalmente para utilização da água em
atividades de irrigação. Por isso, a fiscalização também é realizada
nessas localidades, com o objetivo de preservar a água disponível e
garantir que ela chegue aos consumidores que dependem do sistema
público.
A água distribuída pela Caern é destinada
exclusivamente ao abastecimento humano. A Caern já realizou
fiscalizações em comunidades rurais de Currais Novos, incluindo as áreas
de Bulhões, Barra Verde, Brejuí e Acauã. O trabalho terá continuidade
em outras cidades da região.
A fiscalização de ligações clandestinas é
uma das medidas adotadas para proteger o sistema de abastecimento e
contribuir para o uso responsável da água, especialmente em períodos de
estiagem.
Adutora Seridó deve ser entregue até dezembro
Para contribuir com o cenário, o Governo
do Estado acompanha, com expectativa, as obras para conclusão da Adutora
Seridó. A estrutura, segundo a SEMARH, tem previsão para iniciar os
trabalhos a partir de dezembro, trazendo águas da Barragem Engenheiro
Armando Gonçalves, em Assú, para o Seridó potiguar. Esse primeiro ponto
faz parte do eixo Sul, que trará águas para Jucurutu, São Vicente,
Florânia, Cruzeta, Acari e Currais Novos.
Varella
informou que uma reunião com a Secretaria Nacional de Recursos
Hídricos, realizada há 15 dias, confirmou a expectativa para a entrega
ainda neste ano. A obra do Governo Federal é tratada pelo Estado como
uma solução definitiva para ampliar a segurança hídrica da região.
Além da Adutora Seridó, a gestão das águas
trabalha com a possibilidade de utilizar as águas da Barragem de
Oiticica, em Jucurutu, em caso de necessidade de algum município da
região. Atualmente, são mais de 500 milhões de metros cúbicos em níveis
que aumentam diariamente, com o Rio Piranhas levando mais água para o
reservatório.
“Temos
água suficiente no território, contando com Oiticica. Anteriormente era
mais complicado, porque em caso de emergência, essa água tinha que ser
retirada aqui de Natal, por exemplo”, observa o secretário.
Tribuna do Norte