O homem apontado como autor da chacina em
Santa Cruz, que matou três mulheres de uma mesma família e feriu duas
crianças no município do Agreste potiguar na sexta-feira 18, já tinha
passado cerca de dez anos preso por um homicídio.
José Juscelino de
Oliveira, de 33 anos, havia sido condenado por um assassinato em
Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. Há uns dois anos, segundo
as informações apuradas, ele ganhou progressão de regime — a passagem
para uma forma mais branda de cumprimento da pena — e passou a ser
monitorado por tornozeleira eletrônica, equipamento que permite à
Justiça acompanhar a localização do preso fora da cadeia.
As mulheres assassinadas são Maria
Aparecida Macena, de 40 anos, a filha dela, Maria Yasmin, de 18, e Maria
Emanuele de Freitas, de 22, prima de Yasmin. As três foram mortas
dentro de uma casa no bairro Paraíso, em Santa Cruz.
Dois filhos de
Maria Aparecida, uma menina de 12 anos e um menino de 8, também foram
baleados. Os dois foram atingidos na cabeça, socorridos e levados para o
Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal.
Juscelino mantinha um relacionamento com
Maria Aparecida, mãe das crianças baleadas. Cerca de um mês antes do
crime, ela decidiu terminar a relação por causa de episódios de
agressividade atribuídos a ele e do uso de drogas. Segundo a
investigação, o homem não aceitou a separação.
Ele matou a minha família.
Mesmo ferida
no rosto e escondida dentro da casa, a menina de 12 anos conseguiu usar o
celular para pedir socorro ao padrinho por mensagens, enquanto o
atirador ainda estava no imóvel.
A adolescente presenciou a morte da
mãe, da irmã e da prima. O crime aconteceu logo cedo, na manhã da
sexta-feira 18.
No primeiro contato, pediu apenas que ele chamasse a
polícia. Quando o padrinho perguntou o que tinha acontecido, ela
respondeu por escrito, numa mensagem curta: “Ele matou a minha família”.
Na conversa, a adolescente contou que
estava em um quarto, debaixo de um lençol azul, e que o atirador ainda
andava pela casa sem saber que ela estava viva.
“Não dá. Ele está pela
casa e não sabe que estou viva”, escreveu. Em outro momento da conversa,
a menina avisou que o sono estava chegando e pediu, mais de uma vez,
que o padrinho viesse acompanhado de policiais.
Ela mandou ainda o
endereço da casa e o número de telefone do pai, que assim foi avisado do
ataque e correu até o local.
A agricultora Valéria Carvalho, conhecida
da família, disse que foi esse pedido de ajuda que permitiu avisar os
parentes.
“Ligou para a madrinha dizendo que a pessoa tinha matado a
mãezinha dela, que chamasse o pai dela. Aí a madrinha ligou pra saber do
ocorrido. Aí ele [o pai] veio, arrombou, entrou e a gente tirou as
crianças, tentou resgatar ali”, contou.
Estado das crianças
A menina foi
atingida por um tiro no rosto, e a bala ficou alojada na região da
coluna cervical. Segundo o pai, Thiago Eduardo, ela não vai precisar de
cirurgia.
O irmão, de 8 anos, que também foi baleado, teve um pequeno
sangramento na cabeça e ainda passaria por novos exames. Os dois
receberam o primeiro atendimento numa unidade de saúde de Santa Cruz e
depois foram transferidos para o Walfredo Gurgel.
De acordo com o pai,
os dois estavam conscientes e conseguiam conversar.
Responsável pelo atendimento das crianças
na unidade de Santa Cruz, o médico Deoclécio Diniz disse que o menino
foi ferido na parte de trás da cabeça. Ele chegou sonolento e com o
nível de consciência rebaixado, mas com os sinais vitais estáveis.
Como foi o ataque
As mulheres foram
baleadas por volta das 6h, provavelmente enquanto dormiam, segundo as
primeiras informações da investigação.
Os policiais militares do 15º
Batalhão foram acionados logo depois que as três foram atingidas pelos
disparos dentro da residência. De acordo com o sargento Pontes, do 15º
BPM, os corpos estavam em dois cômodos diferentes: uma das vítimas foi
encontrada em um dos quartos, e as outras duas, em outro.
Depois de deixar a casa, Juscelino seguiu
para o Santuário de Santa Rita de Cássia, onde acabaria morrendo com um
tiro na própria cabeça. Segundo a Polícia Militar, o vigia do santuário
contou que ele chegou ao local dizendo que ia tirar a própria vida.
Equipes policiais foram mobilizadas e houve tentativa de negociação,
mas, segundo o sargento Pontes, ele não aceitou se render. “A polícia,
ao chegar no local, ele reagiu. Foi negociado, mas ele não quis acordo
com a Polícia Militar, chegou a puxar sua arma e atirou na cabeça”,
afirmou o sargento.
Antes de morrer, o suspeito trocou tiros
com os policiais. Um PM foi atingido por estilhaços no antebraço, foi
atendido e passa bem, segundo a corporação.
O Santuário de Santa Rita de
Cássia chegou a ser fechado temporariamente depois da ocorrência.
Juscelino foi enterrado na noite da sexta-feira 18, em São Tomé.