
Mulheres que vivem ou já viveram situações de violência, assim como aquelas que enfrentam a sobrecarga do cuidado de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras, podem solicitar atendimento psicológico gratuito pela internet, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço está disponível em todo o país através do Acolhe Mais, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
No Rio Grande do Norte, a Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (SEMJIDH), por meio da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), articula a divulgação da iniciativa para ampliar o acesso das potiguares ao atendimento. A secretaria recebeu um representante da AgSUS para discutir estratégias de apresentação do serviço em diferentes espaços e ações voltados às mulheres.
Entre as possibilidades de divulgação estão o programa Maria Vai às Cidades, atividades junto ao Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM/RN) e iniciativas realizadas no Centro Especializado de Atenção às Vítimas (CEAV). A proposta é aproximar o serviço de mulheres que podem precisar de acompanhamento psicológico, mas encontram dificuldades para acessar a rede de atendimento.
O Acolhe Mais integra a estratégia Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres, desenvolvida pelo Ministério da Saúde. A iniciativa disponibiliza até 100 mil teleatendimentos mensais em todo o Brasil e busca ampliar a assistência psicológica a grupos que enfrentam situações específicas de vulnerabilidade.
O serviço é destinado a mulheres com 18 anos ou mais que vivenciam ou vivenciaram situações de violência, incluindo agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais.
A assistência também contempla mulheres que exercem atividades de cuidado não remunerado de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. Nesse grupo estão não apenas mães, mas também avós, tias, irmãs e outras familiares responsáveis por acompanhar essas pessoas.
A inclusão das cuidadoras considera uma realidade frequentemente atravessada pela sobrecarga física e emocional. A dedicação contínua ao cuidado de outras pessoas pode reduzir o tempo disponível para atividades pessoais, profissionais e para a própria saúde, além de produzir situações de isolamento e sofrimento psicológico.
No caso das mulheres que sofreram violência, a assistência também considera que os efeitos dessas experiências podem permanecer mesmo depois do encerramento das agressões. Medo, ansiedade, insegurança e sofrimento emocional podem fazer parte do processo de reconstrução da vida e da busca por proteção.
Para solicitar o atendimento, não é necessário apresentar boletim de ocorrência, medida protetiva, laudo ou qualquer documento que comprove a situação de violência ou a condição de cuidadora. Também não há exigência de encaminhamento prévio por uma unidade de saúde.
As consultas são realizadas por videochamada com psicólogas habilitadas, com duração mínima de 50 minutos. O primeiro contato envolve uma avaliação das necessidades apresentadas pela mulher, considerando sua situação emocional, possíveis riscos e a existência de uma rede de apoio.
A proposta prevê ciclos de até dez sessões de acompanhamento psicológico, com possibilidade de renovação quando houver necessidade. A continuidade do atendimento busca favorecer a construção de vínculo entre a profissional e a usuária.
Depois de realizar o cadastro, a equipe responsável entra em contato em até 24 horas para organizar o agendamento. A usuária recebe as informações sobre a consulta e, posteriormente, o link para acessar a videochamada.
O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, no horário de Brasília.
A modalidade virtual também permite que mulheres com dificuldades de deslocamento, falta de tempo ou outras barreiras de acesso à rede presencial possam procurar acompanhamento psicológico.
O serviço não substitui os demais equipamentos de saúde. Quando a avaliação profissional identificar a necessidade de continuidade do cuidado presencial, a mulher poderá ser orientada a procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou outro serviço da rede pública.
Como acessar o Acolhe Mais pelo SUS?
O acesso é gratuito e pode ser feito pelo aplicativo ou pelo portal Meu SUS Digital, utilizando uma conta Gov.br.
Para solicitar o atendimento, é necessário:
- Acessar o aplicativo Meu SUS Digital ou o portal oficial;
- Entrar com a conta Gov.br;
- Procurar a opção “Miniapps”;
- Selecionar “Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”;
- Ser direcionada à plataforma da AgSUS;
- Preencher o cadastro e responder às perguntas sobre a situação vivenciada;
- Finalizar a solicitação e aguardar o contato da equipe para agendar a consulta.
As informações fornecidas durante o cadastro são utilizadas para orientar o acolhimento e identificar as necessidades de atendimento. A iniciativa prevê sigilo profissional e proteção dos dados pessoais das usuárias.
Em situações de violência ou risco imediato, o Acolhe Mais não substitui os canais de emergência. A Polícia Militar pode ser acionada pelo 190, e o SAMU, pelo 192. Para orientação, acolhimento e denúncias de violência contra a mulher, também está disponível o Ligue 180, gratuitamente, 24 horas por dia.





















