Uma perfuração realizada para encontrar água no interior do Ceará terminou levantando a hipótese de um novo ponto com potencial petrolífero no Nordeste. O caso ocorreu na zona rural de Tabuleiro do Norte, onde um agricultor encontrou um líquido escuro ao atingir cerca de 40 metros de profundidade.
A descoberta aconteceu em novembro de 2024, no Sítio Santo Estevão. O agricultor Sidrônio Moreira buscava água para abastecer os animais da propriedade quando o material emergiu. Inicialmente, a família acreditou que se tratava de água, mas a ausência de fluxo contínuo gerou desconfiança.
“Quando eles estavam perfurando, já estavam quase a 40 metros, depois de 30 metros, saiu um líquido, e aí no vídeo meu pai até comemora porque ele pensava que era água. E acabou que depois que o perfurador parou, não saiu nada (de água)”, relatou ao G1 Saullo Moreira, filho do agricultor.
Uma amostra foi encaminhada ao Instituto Federal do Ceará, que solicitou apoio do Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Mossoró (RN). Testes físico-químicos indicaram que o líquido é composto por hidrocarbonetos com características semelhantes às do petróleo extraído na Bacia Potiguar.
Apesar da similaridade, a confirmação oficial depende de análise realizada por laboratório credenciado pela ANP. O órgão informou, em fevereiro, que abriu procedimento administrativo para apurar o caso e que acionará o órgão ambiental competente, sem detalhar prazos.
Embora Tabuleiro do Norte não esteja inserido atualmente em blocos de exploração leiloados, o ponto identificado fica a cerca de 11 quilômetros de uma área da Bacia Potiguar já destinada a estudos.
Enquanto aguardam esclarecimentos, os moradores seguem enfrentando o problema inicial: a falta de água. Um segundo poço, com aproximadamente 20 metros de profundidade, também não apresentou resultado satisfatório. A família utilizou recursos próprios e empréstimos para custear as perfurações e, em períodos mais críticos, depende de carro-pipa.
“O que a gente queria era água, né? O que a gente queria era solucionar o problema da água lá, até porque meu pai já é idoso, gosta de criar esses animais. Hoje, eu queria que, se fosse petróleo, a gente resolvesse o mais rápido possível pra ele ter essa forma de renda extra e aí sim, se tiver uma forma de renda extra, ele conseguir, de alguma forma, levar a água, nem que seja mais próximo. Hoje eles compram carro-pipa quando falta [água] por muito tempo. E aí, se ficar, se tiver algum recurso, eles podem comprar com mais frequência”, afirmou Saullo.
Até a conclusão das análises, novas perfurações foram suspensas para evitar possíveis danos ambientais ou contaminação do lençol freático.





