Por: Ciro Marques
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, do
PMDB, aparentemente, continua sendo o “elo forte” da união entre o
partido dele e o DEM na base aliada do Governo do Estado. Segue assim,
no entanto, por evitar a todo custo projetar a aliança para o pleito
eleitoral de 2014. Tanto é assim que nesta quinta-feira, ao lado da
governadora Rosalba Ciarlini em evento da gestão estadual, voltou a
pedir união da classe política. União pelo menos por enquanto, uma vez
que 2013 não é um ano eleitoral.
“Estamos distante da eleição que naturalmente nos divide”, afirmou o
parlamentar durante seu discurso, pedindo união política em prol do Rio
Grande do Norte e cobrando, mais uma vez, projetos por parte da
governadora Rosalba Ciarlini, para que possa usar seu poder de
articulação em Brasília como forma de viabilizá-los economicamente.
“Peço pressa porque meu mandato é de apenas dois anos e não podemos
perder essa oportunidade”, acrescentou.
É importante ressaltar o peso desse “naturalmente nos divide” do
discurso de Henrique, uma vez que ele encontra consonância na declaração
de outro peemedebista, o ministro da Previdência Social, Garibaldi
Alves Filho, que afirmou no início do ano que para o pleito de 2014, a
conjuntura nacional, de união entre PMDB e PT, naturalmente, afastava o
partido deles do DEM no Rio Grande do Norte.
O fato é que, atualmente, Henrique Alves tem sido o principal
defensor da permanência da aliança entre PMDB e DEM, aparecendo sempre
que possível, ao lado de Rosalba Ciarlini. Nesta segunda-feira não foi
diferente. Henrique foi ao lançamento do Mais RN, projeto que visa
mapear a atividade econômica no Estado – suas qualidades e seus gargalos
para resolvê-los – e, apesar da declaração acima sobre a eleição de
2014, elogiou a gestão Rosalba Ciarlini em alguns momentos, sobretudo,
seu perfil “correto”.
Enquanto isso, Garibaldi Filho, que na eleição de 2010 foi o
principal apoiador do PMDB da candidatura de Rosalba, tem preferido
assumir uma postura mais neutra. Os encontros com a governadora são
raros e já afirmou que vê com dificuldade a possibilidade da gestão se
recuperar até a eleição. No final de semana, inclusive, Garibaldi
defendeu o nome de Henrique em uma eventual candidatura própria do PMDB
ao Governo do Estado no próximo ano.
Garibaldi, por sinal, foi outro que já cobrou mais projetos da gestão
Rosalba Ciarlini para que Henrique pudesse, efetivamente, ajudar o Rio
Grande do Norte. Ainda em março, pouco depois que Henrique assumiu o
cargo de presidente da Câmara, o ministro afirmou que se o “Governo
tivesse projetos, que levasse a Brasília. Porque a hora é essa de fazer o
Estado se desenvolver”.
É importante lembrar que além de Garibaldi Filho, Walter Alves,
deputado estadual filho do ministro da Previdência, é outro peemedebista
que tem demonstrado certa insatisfação com a gestão atual do DEM. Na
segunda-feira, inclusive, o parlamentar recebeu o próprio Henrique Alves
para uma reunião a portas fechadas no gabinete dele na Assembleia
Legislativa.
Em março, Walter Alves afirmou em entrevista aO Jornal de Hoje que
era hora do Rio Grande do Norte aproveitar o momento favorável
politicamente e evoluir em relação a infraestrutura e a projetos.
Segundo ele, o PMDB ia apoiar o Estado de todas as maneiras, mas não
especificamente o Governo, uma vez que a possibilidade de ficarem juntos
no pleito do próximo ano ainda não estava confirmada.
Presidente da Câmara vai devolver valor de reforma
O gasto de R$ 24 mil na “mini” reforma na residência oficial do
presidente da Câmara dos Deputados, em Brasília, não repercutiu bem após
ter sido divulgado pelo jornal Folha de São Paulo e pelo portal Contas
Abertas. Tanto foi assim que o deputado federal Henrique Eduardo Alves,
do PMDB, anunciou que vai devolver, pelo menos, R$ 8,7 mil gastos com a
instalação de uma cobertura ao lado da piscina da residência oficial
Câmara. A Folha revelou hoje que, a pedido de Alves, foi construído no
local um deck com recursos públicos.
Segundo a Folha de SP, Henrique Alves afirmou que mandou construir a
cobertura porque não havia nenhuma sombra perto da piscina, o que
inviabilizaria sua utilização, e que decidiu devolver o dinheiro porque
não era algo que já existia na casa. Duas árvores foram cortadas para
dar lugar ao deck.
Com relação aos gastos com enxoval, o deputado afirmou que não irá
restituir os valores por considerar que são utensílios que compõem a
Casa independentemente de sua vontade. A Câmara gastou R$ 4.000 com a
compra de nove colchas de casal, dois jogos de lençol, 5 toalhas de
banho, 8 colchas de solteiro, 4 travesseiros e 7 toalhas de piso.
Um único lençol custou R$ 599,00. Segundo uma loja especializada, por
esse valor é possível adquirir um lençol de “600 fios, toque acetinado e
de puro algodão”. Outras quatro colchas de solteiro saíram pelo total
de R$ 796,00.
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