quinta-feira, 27 de junho de 2013

Cabeça no lugar

São Paulo - A seleção foi aprovada em seu teste mais difícil. Ontem, o time de Luiz Felipe Scolari sofreu em campo contra a retranca do Uruguai, contou com pênalti defendido pelo goleiro Julio Cesar e aguentou a pressão dos rivais no final para vencer pelo placar de 2 a 1, graças ao gol de Paulinho, aos 40 minutos do segundo tempo, e avançar à final.
wagner meier/agfi/aeO volante Paulinho subiu bem para marcar o gol da vitória da Seleção Brasileira sobre o Uruguai 
O volante Paulinho subiu bem para marcar o gol da vitória da Seleção Brasileira sobre o Uruguai

A vitória suada foi aplaudida de pé pelos torcedores presentes no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, onde a seleção sofreu sua última grande vaia - no amistoso contra o Chile, no dia 24 de abril. Desta vez, as arquibancadas vibraram com a defesa de Julio Cesar em pênalti cobrado por Forlán, com a entrada de Bernard no segundo tempo e com a postura guerreira do time nos minutos finais da partida.

O triunfo, que não chegou a ser ameaçado pelas manifestações em Belo Horizonte, garantiu a seleção em sua quinta final da Copa das Confederações. Em busca do tricampeonato consecutivo, os comandados do Felipão aguardam a outra semifinal, entre Espanha e Itália. A final será disputada neste domingo, às 19 horas, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

A partida de ontem foi precedida de uma mensagem e de uma homenagem. Os zagueiros Thiago Silva e Lugano, capitães dos dois times, leram textos de conteúdo antirracista, seguindo campanha antidiscriminação da Fifa. Quando os jogadores estavam postados em campo, a entidade lembrou a morte do camaronês Marc-Vivien Foé. Há exatos 10 anos, ele sofreu um colapso cardíaco e faleceu no gramado durante partida entre Camarões e Colômbia, pela Copa das Confederações de 2003, na França. Uma foto nos telões do Mineirão recordou o episódio trágico que assustou o futebol mundial.

Com a bola rolando, a seleção brasileira logo parou na retranca uruguaia. Os visitantes contavam com até dez jogadores atrás da linha da bola. Os times se estudavam, a marcação dava resultados nos dois lados do campo. E a torcida não tinha motivos para sorrir ou lamentar.

Até que David Luiz endureceu na marcação e fez falta em Lugano dentro da área. Sem hesitar, o árbitro chileno Enrique Osses confirmou o pênalti. Na cobrança, Forlán finalizou no canto esquerdo, mas Julio Cesar fez grande defesa, levantando a torcida mineira, que comemorou como se fosse um gol, aos 14 minutos.

Passado o susto, os brasileiros tentaram responder no ataque. A primeira finalização dos anfitriões só saiu aos 16 minutos em chute de Oscar, de fora da área, por cima do gol. Empurrado pela torcida, o Brasil tentava capitalizar o bom momento, mas não conseguia esboçar pressão.

Os uruguaios fechavam bem pelo meio e aproveitavam a atuação discreta de Oscar para neutralizar as investidas brasileiras pelo setor. Neymar e Hulk, assim, concentravam as jogadas pelas pontas, tentando se esquivar das linhas defensivas do Uruguai. Em seu melhor lance, Hulk tabelou dentro da área e bateu de canhota para longe do gol, aos 27 minutos.

O Brasil também tinha dificuldade na ligação entre defesa e ataque, o que não havia acontecido nos jogos anteriores. Tal limitação só foi superada quando Paulinho acertou belo lançamento e achou Neymar dentro da área. O atacante tentou encobrir Muslera, que deu rebote. Fred, livre dentro da área, pegou mal, de canela, e balançou as redes aos 40 minutos.

Além de marcar seu terceiro gol na competição, o atacante mineiro aumentou a sua incrível média no Mineirão. Agora, ele soma 42 gols em 47 jogos disputados no estádio - a maior parte dos gols, 36, foram anotados com a camisa do Cruzeiro.

A vantagem, contudo, não durou muito tempo. O Uruguai chegou ao empate logo aos 2 minutos da segunda etapa, em uma vacilada geral da defesa brasileira. David Luiz, Marcelo e Thiago Silva falharam em série ao tentar afastar a bola dentro da área e Cavani não bobeou. Acertou o pé e igualou o placar.

O gol preocupou Felipão, que resolveu mudar o meio de campo. Trocou Hulk e Oscar por Bernard e Hernanes, respectivamente. A entrada do jogador do Atlético Mineiro levantou a torcida presente no estádio. As mudanças deram novo fôlego ao Brasil, que acelerou o jogo na tentativa de surpreender a defesa rival. Os jogadores também demonstravam maior nervosismo, com cartões amarelos distribuídos aos dois times.

O time da casa seguia dominando, com até 65% de posse de bola. Mas não criava muito mais jogadas que os uruguaios. Aos 20 minutos, Forlán cobrou falta na área e Thiago Silva quase marcou contra, rente ao travessão.

Aos trancos e barrancos, a seleção respondia com velocidade, mas sem o mesmo perigo. Aos 21 minutos, Fred tentou bater de primeira dentro da área e mandou longe. Dois minutos depois foi a vez de Neymar finalizar colocado e parar na defesa de Muslera.

Depois de seguidas tentativas frustradas, o Brasil superou a defesa uruguaia em lance de bola parada. Aos 40 minutos, Neymar bateu escanteio e achou Paulinho na segunda trave. O volante aproveitou saída atrapalhada de Muslera e cabeceou para as redes, garantindo a vitória e a vaga na decisão.

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