quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ruy Pereira sob ameaça de despejo

Daísa Alves - repórter

Após três anos de inaugurado, o Hospital Estadual Doutor Ruy Pereira dos Santos pode sofrer despejo do prédio onde funciona. O Governo do Estado deve R$ 1,162.800,00 ao Instituto de Traumatologia e Ortopedia do RN (Itorn), locatário da estrutura hospitalar do Ruy Pereira. Ontem, o juiz  Geraldo Antônio Mota, da 3ª Vara da Fazenda Pública determinou o pagamento do débito.  Somado ao valor publicado na ação, ainda está pendente o pagamento dos meses de agosto e setembro de 2013, em torno de R$ 400 mil.
Adriano AbreuHospital Dr. Ruy Pereira está instalado no antigo prédio do Itorn desde outubro de 2010 
Hospital Dr. Ruy Pereira está instalado no antigo prédio do Itorn desde outubro de 2010

Pela determinação judicial, se o pagamento não for efetuado em até cinco dias, a partir da intimação, os proprietários do prédio estarão respaldados para realizar o despejo da unidade hospitalar.

 A dívida é pertinente às mensalidades, no valor de R$ 200 mil cada, em atraso de setembro de 2012 a fevereiro de 2013, referentes ao arrendamento à Secretaria de Saúde do Estado (Sesap) de toda a estrutura hospitalar do antigo Itorn, que deu lugar ao Hospital Dr. Ruy Pereira.

Estão incluídos no pagamento o uso de 101 leitos, sendo 10 de UTI, esquipamentos, móveis e utensílios, assim como o prédio, localizado na rua Joaquim Manoel, bairro de Petrópolis, pelo valor mensal de R$ 200 mil.

O Itorn depende do pagamento desta dívida para regularizar pagamentos de verbas trabalhistas, pelos quais chegou a ser decretado leilão do prédio em 2011. Está acordado que 30% da receita decorrente da locação destina-se à Justiça do Trabalho. De acordo com Sanderson Mafra, advogado representante do Itorn, há cerca de quatro meses houve negociações com a Sesap, no entanto, sem efetivação dos pagamentos em atraso, “apenas promessas”.

“Tentamos todas as medidas administrativas possíveis, sem necessidade de ações judiciais, mas o déficit vem aumentando. A ordem já foi de despejo, contudo, o juiz considerou o caso de ser um hospital e deu o prazo de cinco dias para a Secretaria”, informa Mafra, acrescentando que os meses de agosto e setembro também estão abertos. No ano de 2013, o período de março a julho estão regularizados.

Luiz Roberto Fonseca, secretário da Sesap, disse que está ciente da situação, mas que não recebeu a notificação oficial. Ele reconhece a debilidade financeira atual do Estado e vai solicitar um acordo ao Itorn. “O Estado já sofre com a falta de recursos. É uma situação real que precisamos lidar. Vamos solicitar à direção do Itorn um acordo. Já conversei com Cipriano Correia, e acredito que até sexta-feira teremos um desfecho positivo”, promete Luiz Roberto.

“Se realmente houver um fechamento será uma perda muito grande”, considerou Robson Alencar, diretor médico do Ruy Pereira. O hospital é especializado em cirurgias angiovasculares, especialmente a pacientes diabéticos, servindo como retaguarda do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. De acordo com Alencar, são utilizados hoje 96 leitos, sendo 8 de UTI. 

Segundo Alencar, inicialmente, a unidade tinha 60 leitos. Após uma ano e meio, foram acrescidos mais 30 leitos para suprir a alta demanda. “Realizamos o aumento mesmo sem condições, mas pela necessidade. Já temos um excedente de 30 leitos do planejado. Estamos fazendo mais do que o possível”, relata.

Memória

O Hospital Dr Ruy Pereira dos Santos foi inaugurado no dia 8 de outubro de 2010, no prédio do antigo Itorn e foi criado com o intuito de desafogar o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.

Realiza atendimento de clínica geral, UTI, e  cirurgias vasculares. São atendidos, principalmente, pacientes diabéticos com necessidades cirúrgicas. Este ano, fez 163 procedimentos, entre angioplastias, arteriografias, colocação de implantes, enxertos e próteses arteriais. Tanto a enfermaria, quanto a UTI, estão lotadas. É uma unidade hospitalar de “porta fechada”, pois recebe pacientes já encaminhados pela rede básica. Por semana, 60 pacientes são atendidos. O Estado gasta R$ 2,4 milhões por 12 meses de locação. O Itorn já foi protagonista em ações judiciais. Em julho de 2011, a Justiça determinou leilão do prédio por causa das dívidas fiscais e trabalhistas. Ficou acertado a penhora de 38% do valor pago por mês pelo Estado ao itorn [à título de aluguel], para pagamento das dívidas.

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