sábado, 23 de novembro de 2013

Marina é pop

Yuno Silva - repórter

Marina Elali está chegando onde queria! Aos 31 anos, a cantora é perseverante e tem na superação o norte para seu trabalho. Bonita e talentosa, ela tem motivos de sobra para estar de bem com a vida: em plena divulgação nacional do DVD/CD “Duetos”, lançado no início deste ano no qual presta homenagem ao avô Zé Dantas e seu famoso parceiro Luiz Gonzaga, a potiguar curte parceria com o namorado, o produtor musical norte-americano JC, e planeja novo projeto só com músicas autorais para 2014.

Moradora da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, Marina passou rapidamente por Natal no início desta semana para participar da gravação de um programa sobre viagens da TV Gazeta, de São Paulo, e o VIVER aproveitou uma brecha na agenda da artista para rápida conversa sobre o novo trabalho, o reencontro com suas origens musicais ao lado da avó Iolanda Dantas, viúva do médico-compositor Zé Dantas (1921-1962), o desafio de se lançar compositora e as possibilidade de voltar a atura. Por enquanto não há data em solo potiguar para o lançamento de “Marina Elali Duetos” (Som Livre).
Divulgação 
Marina Elali: Minha alma é de cantora, gosto de estar no palco, de cantar, de poder fazer do meu jeitoMarina Elali: Minha alma é de cantora, gosto de estar no palco, de cantar, de poder fazer do meu jeito

A cantora concedeu entrevista a TRIBUNA DO NORTE pouco antes de embarcar de volta ao Sudeste, onde cumpre compromissos em São Paulo (25) e no Rio de Janeiro (30) em eventos fechados; dia 28 faz show aberto em Duque de Caxias (RJ). Gravado ao vivo em outubro de 2012, no Recife, com participação de nomes de peso da música brasileira como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Ivete Sangalo, Zezé Di Camargo e Luciano, Waldonys, Aviões do Forró, entre outros, o DVD/CD “Duetos” reforça o perfil pop de Marina, que vestiu a regionalidade do avô e do Rei do Baião com tons eletrônicos e modernos.

“Foram seis meses até encontrar um dia que desse certo para todos os convidados”, revelou. Uma das coisas que surgiu durante o processo foi a proposta de chamar artistas de vários estilos, e assim levar a música de Zé Dantas a um público maior, capaz de ultrapassar o universo regional. “Claro que teve a participação da minha amiga Elba Ramalho, que conheço há 15 anos, representando essa lado, mas queríamos participações inusitadas, e resolvemos trazer pessoas de cada estilo, gente que eu gosto e que poderiam acrescentar ao projeto”.  “Duetos” é o segundo DVD ao vivo de Marina Elali e seu quatro CD. O projeto recebeu apoio do Governo de PE e da Globo Nordeste, que exibiu como show especial do centenário de Luiz Gonzaga em dezembro de 2012.

A potiguar despontou para o cenário nacional em 2001, aos 19 anos, quando gravou participação na novela “O Clone” (TV Globo), interpretando música que havia sido incluída na trilha sonora do folhetim escrito por Glória Perez. Três anos depois foi finalista do programa Fama, também na Globo, e em 2005 emplacou outra música na novela “América”. Neste mesmo ano lançou o clipe da música “Mulheres Gostam”, que entrou na trilha do filme “Se Eu Fosse Você” de Daniel Filho. Em 2006, nova presença em trilhas de novela: com o cover da música “One Last Cry”, do cantor Brian McKnight (EUA), na novela “Páginas da Vida”, ficou entre as mais pedidas nas rádios naquele ano. Também esteve com a canção “Sabiá” na minissérie Amazônia (2007) – essa constante presença em trilhas sonoras acabaram se transformando em bloco obrigatório durante seus shows.

Agora seu foco está voltado para a produção de um novo disco de estúdio, previsto para ser lançado em 2014, que acabou ficando de lado enquanto trabalhava a homenagem ao avô famoso. Será a prova de fogo para Marina, com a cantora se assumindo enquanto compositora.

Como estão os preparativos para este novo disco autoral?

Tem muita coisa encaminhada. Comecei a experimentar já está nesse DVD “Duetos”, com uma música chamada “Adeus Saudade”: era uma letra até então inédita do meu avô que musiquei. Numa das vezes que fui à casa da minha avó pesquisar o repertório, ela me mostrou, me deu de presente, e me parceira do meu avô. Estou seguindo um caminho cada vez mais pop, o lado eletrônico continua, até mais acentuado, que é a minha verdade como artista.

Como foi o processo de criação dessa homenagem ao seu avô Zé Dantas?

Dediquei dois anos da minha vida a esse projeto, desde quando comecei o planejamento e a fazer os arranjos, a gravação... agora estou curtindo o trabalho. Foi tudo muito especial! Aconteceu tudo na hora certa, na hora certa, em um momento mais maduro meu como pessoa e como artista. Tinha muita dúvida de como ia fazer essa homenagem por eu não ser uma cantora com estilo mais regional, e aí conseguimos dar uma cara pop, mais jovem, bem alegre, a minha cara. De todos os meus trabalhos, esse é o meu querido, o meu xodó.
E a pesquisa do repertório? Como foi seu envolvimento com essa parte?

Como sempre me envolvo com todo no processo. JC (produtor musical e diretor musical norte-americano, namorado da cantora) me ajudou bastante, Lincoln Olivetti que está sempre comigo também. Muita coisa escolhi com minha avó, Iolanda Dantas (83 anos, viúva de Zé Dantas). Fui várias vezes ao Recife para pesquisar esse acervo, ouvi a obra completa. Vovó me mostrou tudo de Zé Dantas, as que Luiz Gonzaga gravou e não gravou. Tive a oportunidade de pegar registros originais, letra do “Xote das Meninas”, “Cintura Fina”, com a letra dele, tem coisa datilografada. Como ele era médico, vovó guarda as gravatinhas borboleta dele, o violão, o piano que ele usava para compor, tem quase um museu dentro de casa. E nisso fui ouvindo e me identificando com as músicas, gravei muita coisa lado B e deixei algumas separadas para outro projeto.

E qual o tratamento que você deu às músicas?

Conseguimos encontrar o equilíbrio entre o tradicional e o pop. O mais legal é que as duas pessoas que estavam mais próximas, além da equipe, eram minha avó e Rosinha Gonzaga (filha do Rei do Baião). As duas estavam o tempo inteiro me apoiando; e o que elas mais gostaram do projeto é justamente o fato de ser moderno. Quando o DVD ficou pronto Rosinha disse que se Gonzagão fosse vivo “tenho certeza que ia gostar muito do projeto, meu pai era pra frente e você fez um negócio moderno, jovem, até o toque árabe você conseguiu encaixar direitinho com suas danças”. E minha vó: “seu avô ia adorar, ele gostava de coisas diferentes”.

Você comentou que seu avô também tinha um lado pop...

Verdade. Poucas pessoas sabem. Encontrei duas informações que me impressionaram bastante: ele fez uma versão em inglês da música “A Dança da Moda”, que no DVD eu cantei com Gilberto Gil, e minha vó me falou que o cantor preferido dele era Nat King Cole. As pessoas nem imaginam esse lado internacional dele.

Qual o futuro dessa homenagem?

Virou um projeto histórico, para o Brasil. Conseguimos reunir artistas maravilhosos, um repertório lindo... foi uma noite muito iluminada aquel do show no Recife. Estava passando um momento muito especial, de muita fé acreditando que tudo ia dar certo. Por alguma razão sabia que os dois estavam ali presentes ali comigo me guiando.
E os convidados, você indicou os nomes?

Liguei para cada um deles explicando a proposta, que era uma homenagem e tal, e as coisas foram dando muito certo, recebi um sim atrás do outro. Então teve uma força maior que fez esse projeto ser muito especial. Uma gravação dessas, com esse tanto de artista, com uma estrutura grandiosa, existia uma probabilidade de algo não dar certo, de falhar som e luz, de alguém não aparecer, e foi tudo perfeito! Passamos seis meses até encontrar a data que desse para todo mundo, não queria dois ou três dias de gravação.

A homenagem já nasceu com o formato DVD ao vivo?

A ideia de homenagear meu avô tinha desde de menina, sabia da importância dele para a música brasileira, que também queria ser artista como ele e isso foi amadurecendo. Queria fazer uma coisa grandiosa, que a ocasião pedia isso, mas a princípio queria fazer só um CD pois achei que seria impossível conseguir fazer ao vivo: um disco de estúdio seria mais fácil conciliar as agendas, um grava no Rio outro em São Paulo, peço pra Ivete gravar no estúdio dela em Salvador, e quando apresentei o projeto pra Som Livre disseram que deveria ser um DVD. Pensei: ‘tá bom, então vamos fazer um DVD em estúdio, que aí vou atrás de cada um’. Mas preferiram que fosse ao vivo. E como juntar esse povo todo no mesmo dia no palco? E começamos a trabalhar. A Som Livre falou que é um projeto de catálogo, que eles querem todos os anos colocar nas lojas.   

E a carreira de atriz?

Minha alma é de cantora, gosto de estar no palco, de cantar, de poder fazer do meu jeito. Claro que se um dia surgir um novo convite vou pensar com carinho, fiz teatro na escola, mas minha paixão sempre foi a música. Se tiver a ver comigo e algo que eu possa fazer bem, pois tem toda uma questão de me preparar. Não me sinto uma profissional nessa área, então tem que estar à vontade. Mas em TV, este ano fui jurada por cinco meses no programa Raul Gil do quadro Mulheres que Brilham que vale a pena participar e depois fiquei no júri do Jovens Talentos ao lado de Rodriguinho (ex-Travessos), Paula Lima, Eduardo Lage (maestro do Roberto Carlos. E agora ir no Jô Soares, fui três vezes lá, na Fátima Bernardes...

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