Nova York (AE/ABr) - A revista
Time escolheu ontem o papa Francisco como “personalidade do ano”,
afirmando que o novo líder da igreja católica mudou a percepção da
instituição de uma forma extraordinária num curto período de tempo. O
papa venceu Edward Snowden, o ex-analista terceirizado da Agência
Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, no título, que é
concedido pela revista desde 1927. O ex-cardeal argentino Jorge Mario
Bergoglio foi eleito em março deste ano como o primeiro latino-americano
e primeiro jesuíta a ocupar o cargo. Desde que assumiu o posto, ele tem
pedido à igreja que não seja tão obcecada com “regras mesquinhas” e
enfatize a compaixão em vez da condenação ao lidar com temas delicados
como aborto, homossexualidade e contracepção.
Ele condenou a “idolatria ao dinheiro” e o “escândalo global” que é o fato de quase 1 bilhão de pessoas passarem fome, além de encantar as massas com seu estilo simples e senso de humor. Suas aparições atraem milhões de pessoas e sua conta no Twitter alcançou, recentemente, 10 milhões de seguidores. “Ele realmente destacou-se como alguém que mudou o tom, a percepção e o foco de uma das maiores instituições de uma forma extraordinária”, afirmou Nancy Gibbs, editora da revista.
O Vaticano disse que a honraria não foi uma surpresa, tendo em vista a ressonância que o papa tem com o público em geral, porém, afirmou que a escolha foi um reconhecimento “positivo” dos valores espirituais pela mídia internacional. “O santo padre não procura se tornar famoso ou receber honrarias”, disse o porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi. “Mas a escolha da pessoa do ano ajuda a espalhar a mensagem do Evangelho, a mensagem do amor de Deus, para todos. Ele certamente ficará feliz com isso.” É a terceira vez que um papa e escolhido pela Time. João Paulo II foi a pessoa do ano em 1994 e João XXII em 1962.
Além do papa Francisco e Edward Snowden, estavam na lista de personalidade do ano a ativista Edith Windsor, que conseguiu que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decretasse a inconstitucionalidade de restringir o casamento a pessoas heterossexuais; e Ted Cruz, senador republicano norte-americano que foi uma das mais vozes de bloqueio à reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos. Em 2012, a revista Time escolheu como personalidade do ano o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Campanha
Em vídeo de lançamento da campanha mundial da Cáritas Internacional contra a fome, o papa Francisco fez ontem uma conclamação a todos a lutar contra o “escândalo mundial” da fome. “Estamos diante de um escândalo mundial de um bilhão de pessoas que ainda hoje sofrem de fome”, diz o papa.
“Não podemos olhar para o outro lado fingindo que o problema [da fome] não existe. Os alimentos à disposição no mundo são suficientes para acabar com a fome de todas as pessoas. A parábola da multiplicação dos peixes nos ensina que, quando há vontade, o que temos não acaba e, inclusive, sobra e não ser perde”, acrescentou, em referência à passagem em que Jesus alimentou uma multidão de famintos fazendo a multiplicação de cinco pães e dois peixes.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira lançaram ontem, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a campanha no país, que irá durar até 2015. Com o tema Uma Família Humana, Pão e Justiça para Todas as Pessoas, a campanha mundial visa a luta contra a fome, a pobreza as desigualdades.
No lançamento, o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, disse que “caminhamos muito, mas muitos ainda morrem de fome”, e por isso a Igreja decidiu estimular o movimento para evitar que tantas pessoas continuem sofrendo. O presidente da Cáritas Brasileira, dom Flávio Giovenale, explicou que a meta da campanha é sensibilizar e mobilizar a sociedade a combater a fome, miséria e a desigualdade. Ele recordou que um dos Objetivos do Milênio, traçados pelas Nações Unidas, é reduzir a fome no mundo em 50% até 2015. “Infelizmente, na maioria dos países, essa meta não entrou em pauta”, disse.
"A escolha ajuda a espalhar a mensagem do Evangelho, a mensagem do amor de Deus, para todos",
Federico Lombardi
porta-voz do Vaticano
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