Repórter
A matéria relembra a visita do ministro Joaquim Barbosa, presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF) ao Rio Grande do Norte no ano passado,
quando veio fazer uma inspeção em Alcaçuz, em abril. “É muito
desumano”, disse o ministro no período, quando presenciou “urina
escorrendo pelas paredes, forte cheiro de fezes e celas e corredores
escuros e sem ventilação”, diz a revista. Um novo relatório do CNJ,
obtido pela Época, referente a uma vistoria feita em dezembro,
acrescenta novos dados sobre o problema.
Os relatos da última vistoria revelam que “o quadro não deixa dúvidas
de que, se nada for feito rapidamente, o Rio Grande do Norte é forte
candidato a se tornar o próximo Maranhão”, alerta a revista. Segundo a
publicação, o presídio tem 800 presos, em um local onde caberiam apenas
600, sob custódia de apenas oito agentes penitenciários. “As visitas
íntimas ocorrem de forma promíscua no meio do pavilhão, além disso, os
confinados não recebem atendimento médico, mesmo muitos deles sofrendo
com doenças infecciosas, como a tuberculose. Cenário considerado
perfeito para nutrir atitudes monstruosas”, detalha a revista.
A última vítima do criminoso foi em 2012, um religioso que foi
liberado para ler a bíblia para Pai Bola. O homem acabou sendo
esfaqueado e morto. Mesmo com todos esses crimes, apenas na semana
passada a Justiça mandou uma correspondência ao presídio em busca de
algum atestado sobre a saúde mental do assassino. O Ministério Público
Estadual pediu que seja declarada a insanidade dele.
Ainda de acordo com a reportagem, o juiz Henrique Baltazar dos
Santos, da Vara de Execuções Penais, explica a violência na
penitenciária. “Ele conta que as facas usadas para matar são feitas com
pedaços de ferro extraídos das próprias celas. Não são compridas o
suficiente para atingir um órgão vital nem muito afiadas. Por isso, são
necessários vários golpes para matar. O assassino geralmente começa o
ataque pelo pescoço para deixar a vítima sem reação”. O Conselho
Nacional de Justiça elaborou um relatório que enumera 20 assassinatos de
presos dentro de Alcaçuz desde 2007, até a visita do Ministro Joaquim
Barbosa.
Revista também critica governos
O Governo do RN joga as responsabilidades para gestão anterior da
ex-governadora Wilma de Faria (PSB), e afirma que se criou uma espécie
de presídio no papel. “Sem nenhuma reforma, Wilma simplesmente
transformou, numa canetada, delegacias da Polícia Civil em centros de
detenção. Atualmente, cerca de 1.430 presos, o que corresponde a 20% da
população carcerária, cumprem penas nesses locais, muitas vezes sem
banho de sol nem segurança contra fugas”, relatou a revista.
A diretora do presídio de Alcaçuz, Dinorá Simas Lima Deodato, afirmou
que não houve melhorias, mesmo após a visita do ministro, e estava
disposta a mostrar o interior da penitenciária quando foi surpreendida
por um telefone da Secretaria Estadual de Justiça, que negou a entrada
da equipe.
Aos jornalistas do veículo, Dinorá mostrou um saco de cimento e
alguns tijolos, comprados para reformas no presídio, mas que continuavam
no pátio de entrada da penitenciária. “Essa é a providência mais
visível da administração da governadora Rosalba Ciarlini contra o caos
nos estabelecimentos penais e em resposta ao alerta do CNJ”, finaliza a
matéria.
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