Açude Gargalheiras tem apenas 2,63% de sua capacidade
O cenário mais preocupante vem se formando em Acari. O Açude
Gargalheiras, que tem capacidade para 44,5 milhões de m³ d’água, possui
apenas 1,1 milhão de m³ – 2,63% de sua capacidade, de acordo com o
último levantamento da Semarh realizado no dia 8 de janeiro de 2015.
“Arrisco dizer que estamos vivendo, talvez, o período mais longo de
estiagem dos últimos 50 anos. Com exceção de três reservatórios, a
região do semi-árido potiguar está toda preocupante”, comentou o novo
secretário de Recursos Hídricos, José Mairton França.
As barragens de Santa Cruz, em Apodi; Umai, em Umarizal; e Armando
Ribeiro Gonçalves, em Assu, são as que se apresentam em situação mais
confortável, com 40%, 36% e 32% de suas capacidades, respectivamente. Em
contrapartida, outros importantes reservatórios aumentam a preocupação
do secretário José Mairton França, como a barragem Passagem das Traíras,
em Jardim do Seridó, que está com 1,88% da capacidade, e o Açude de Pau
dos Ferros, com 1,75%.
“Estamos esperando que venham chuvas. Não temos como mensurar a
quantidade necessária para melhorar os reservatórios, mas qualquer
chuva, por menor que seja, é bem vinda”, disse, considerando que o
Estado não pode ficar apenas na expectativa. Segundo ele, a equipe da
Semarh já está concentrada na elaboração de um plano de emergência para
convivência em período de estiagem.
“Uma das quatro principais prioridades do Governo Robinson Faria,
segundo ele mesmo afirmou, é a construção de uma política de gestão de
recursos hídricos, incluindo educação ambiental, uso racional da água
pela população e utilização de tecnologias que sirvam para guardar a
água que temos. Nossa equipe está estudando as medidas e um prazo para
elaborarmos tudo”, comentou. “Iremos traçar as medidas mais adequadas
para este momento e depois iremos correr atrás de recursos financeiros”.
De acordo com dados da secretaria, os reservatórios que deverão
entrar em situação de emergência nos próximos meses, caso não haja
chuva, são o Boqueirão (Parelhas), que está com 13,68% da capacidade;
Sabugi (São João do Sabugi), com 13,67%; Itans (Caicó), com 9,27% e
Cruzeta, com 7,73%.
Barragem de Oiticica
A barragem de Oiticica, que vem sendo construída no leito do rio
Piranhas-Açu, entre os municípios de Caicó e Jucurutu, seria a “carta na
manga” do Governo do Estado para atender a situação dos municípios em
crise, caso estivesse com as obras em andamento. Porém, as constantes
interrupções que a obra vem sofrendo colocam a expectativa de
inauguração da barragem apenas para 2017.
“Devido às interrupções, estimamos estar inaugurando a barragem
apenas em 2017. Ela terá uma capacidade de 600 milhões de m³, garantindo
abastecimento a 17 municípios. O nosso problema, no momento, é o
andamento dos projetos sociais. Temos ordem do Governo do Estado para
agilizar as ações de indenização às famílias e assim faremos. Acredito
que nos próximos dias teremos a situação equacionada e, a medida em que
formos pagando, retomaremos a obra”, explicou o secretário da Semarh.
A obra da barragem foi paralisada pela terceira vez pelo Movimento
dos Atingidos pela Barragem de Oiticica, que cobram direito dos
agricultores ainda não cumpridos pelo Governo do Estado. Nas
reivindicações dos agricultores estão o pagamento das indenizações de
127 processos judicializados; conclusão da terraplenagem do Alto do
Paiol; a definição de desapropriação de área para construção do novo
cemitério de Barra de Santana; garantia financeira para as
contrapartidas do projeto geral da barragem e, em especial, para as
questões sociais.

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