Secretária avalia os primeiro seis meses de governo, reconhece a deficiência da Policia Civil e espera logo a abertura de novos editais para concursos na Segurança Pública
Reconhece que não tem policiais suficientes, principalmente na
Policia Civil, e nem estrutura, para combater o crime. Reconhece também
que o Instituto Técnico-científico de Polícia praticamente não existe e
que precisa reestrutura-lo 100%.
Cogita possibilidade de concurso para Policia Civil e, por fim, a
secretária Kalina Leite comenta sobre as investigações para elucidar a
chacina em Itajá, onde cinco mulheres foram executadas a tiros semana
passada.
A secretária defende a tese de que todas secretarias de governo e a
sociedade precisam se unir para enfrentar o crime. “Só vai melhorar a
situação do Rio Grande do Norte se estivermos todos de mãos dadas pela
paz”, diz.
MH – A senhora falou que a deficiência de delegados é de 70%.
Situação pior são de escrivãs, que passa de 80%. Os concursados que
estão fazendo o curso não passa nem perto de atender à necessidade. Tem
previsão de concurso?
Já há uma autorização do tribunal de contas e do governo do estado
para que urgentemente a gente faça um concurso público para repor.
Sabemos do problema de delegados e agente, mas o problema com o escrivão
é gritante. Chega a 80% de déficit. É uma categoria que está muito
sofrida em razão do pouco número de profissionais e por ser uma
atividade fundamental na delegacia. Nós temos dois escrivãs na
Assembleia Legislativa e já oficializamos ao poder legislativo que nos
devolva esses dois profissionais que nos fazem muita falta, tem um no
tribunal de contas também, que a gente suplica que seja devolvido. São
apenas 3, mas que fazem uma diferença muito grande no nosso efetivo
diante de uma deficiência de 80% no quadro. A Polícia Militar e o Corpo
de Bombeiros também tem uma deficiência significativa. Então a gente tem
que recompor esses quadros efetivos e por isso hoje essa necessidade
tão grande de se utilizar das diárias operacionais, que não são todos os
policiais que querem usufruir desses recursos. Muitos fazem para ter a
polícia na rua, porque esse momento é no sacrifício dos policiais, na
hora de seu descanso que ele vai cumprir essa jornada extra de trabalho.
E a gente precisa recompor esses quadros para diminuirmos esse número
de diárias operacionais que o estado hoje desembolsa.
MH – Doutora, sabemos que hoje os presídios estão
superlotados, mas além disso eles se transformaram em fábricas de
bandidos, onde homens entram lá ruins e saem péssimos, bem piores do que
entraram. O estado está trabalhando essa restruturação a partir dos
motins de março? Como está se dando esse processo?
KLG – Quero deixar claro que o sistema prisional não interfere na
secretaria de segurança. Mas claro que interfere frontalmente o nosso
trabalho, porque nos destinamos qualquer instabilidade no sistema
prisional, pois a polícia e junto com os agentes penitenciários fazer a
proteção e a guarda. Mas a restruturação do sistema prisional está a
cargo da secretaria de justiça do estado, que tem a frente o Dr. Edilson
e é extremamente conhecedor do tema e pelo que tenho acompanhado, está
acontecendo essa restruturação. Mas não basta somente a restruturação no
Brasil. Infelizmente o sistema prisional no país é caótico, há uma
superlotação, há violação de direitos, enfim ninguém entra no sistema
prisional para sair melhor, o que é péssimo. E tratar mal o bandido não é
um bom negócio, o bom seria re- socializar e que ele voltasse ao
convívio da sociedade com condições. Mas infelizmente essa é uma prática
que não acontece no Brasil.
MH – Nesta semana aconteceu essa chacina em Itajá, no Vale no
Assu, onde 5 mulheres foram assassinadas. Quais as providências que a
secretaria está tomando para que crime absurdo como este não venha mais
acontecer?
KLG – É lamentável esse fato, onde aconteceu, como aconteceu, são
pessoas vulneráveis e estão em um ambiente não propício e que favorece a
esse tipo de ação criminosa. Mas a secretaria de segurança junto com a
polícia civil e militar imediatamente encaminhou suas equipes para o
local, tais como a delegacia de homicídio e a divisão do oeste, e eles
estão fazendo um trabalho de acompanhamento e apuração dos fatos. Além
disso, a área de inteligência está monitorando toda a investigação. É
importante que a população contribua com informações, a polícia
sobrevive de informações e por isso é importante que denunciem e que
acreditem na polícia, porque com denúncia a gente consegue ter mais
eficiência e eficácia.
MH – Qual a mensagem que a senhora deixa para essas pessoas que estão com medo de sair ou chegar em casa com medo de assalto?
KLG – É muito difícil e eu compreendo esse pânico. Agora a gente
recebe diversas informações e somos obrigados a desmentir muitas delas.
Por exemplo, assalto em um barzinho. Houve um assalto e propagam que foi
um arrastão, e isso não foi verdade. Pessoas aproveitam uma situação e
propagam inverdades. Então é importante que a população se aproxime da
polícia, para saber o seu trabalho e que tenha os cuidados mínimos que
todo cidadão tem que ter em toda e qualquer cidade do país.
MH – Vamos comentar um pouco por setor. Como está a restruturação do ITEP?
KLG – O ITEP é preocupante. Nós temos duas grandes preocupações na
segurança pública: que é a questão de recursos humanos e de estrutura
física. Nós temos excelentes servidores, tanto nas polícias quanto no
ITEP e no caso específico da polícia técnica, o governador sabe que
precisamos passar por um reordenamento completo. O ITEP, eu diria que
praticamente ele não existe. Ele precisa nascer, com uma legislação
completa, comtemplando os cargos que são necessários e as funções que
são necessárias para que a gente tenha um instituto de perícia
condizente com a realidade que o estado precisa, que a justiça criminal
precisa, porque a perícia faz parte fundamentalmente da impunidade ou da
percussão criminal e daquilo que a gente quer investigar.
MH – Para formatar um processo investigativo, para um
promotor ter uma boa peça na sua denúncia e para um juiz aplicar uma
sentença justa, é muito importante a questão pericial, é isso mesmo?
KLG – Eu diria que é fundamental a questão pericial. Se discute a
muitos anos a formatação do ITEP e eu acredito que este ano, ano de
muita dificuldade, de mudança de governo, de mudança de equipe, mas nós
já estamos há 6 meses, já evoluímos e eu tenho fé em Deus e acredito
muito no governador, nos servidores que estão no ITEP e nas pessoas
envolvidas nesse processo, o Diretor do ITEP é uma pessoa muito
respeitada a nível nacional, é um gestor excelente. Então eu acredito
que neste ano, nós colocaremos um ponto final nessa novela que se
arrasta a tantos anos no ITEP.
Fonte: Mossoro Hoje
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