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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Operação Manus: Solto pela Justiça, Fred Queiroz teria negociado delação premiada

Portal Agora RN: A Justiça Federal do Rio Grande do Norte libertou na última sexta-feira, 23, o empresário Fred Queiroz, suspeito de integrar uma organização criminosa que teria praticado lavagem de dinheiro comprando apoios políticos na eleição para o Governo do Estado, em 2014, para o então candidato Henrique Eduardo Alves (PMDB).
A verba utilizada para tal fim, segundo apontam investigações do Ministério Público Federal, teve origem em propina paga por empreiteiras, notadamente a OAS, favorecidas pela influência do ex-deputado e ex-ministro dos governos Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB).
O relaxamento da prisão de Fred, que foi secretário de Obras do município de Natal durante a gestão de Carlos Eduardo Alves (PDT), foi assinado pelo juiz Francisco Eduardo Guimarães, titular da 14ª Vara Federal, o mesmo que expediu o mandato de prisão preventiva no dia 6 de junho, durante a Operação Manus. Na oportunidade, Henrique Alves também foi preso por ter supostamente praticado corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de organização criminosa. Agora solto, Fred vai precisar cumprir uma série de determinações. Caso contrário, ele volta para a ser preso.
Entre as medidas estão a proibição de entrar no diretório do PMDB, de manter contato com outros investigados e com filiados do partido que possuam mandatos eletivos e a obrigação de se apresentar mensalmente na 14ª Vara para prestar informações de suas atividades.
Segundo informações apuradas pelo Portal Agora RN/Agora Jornal, a soltura de Fred Queiroz integra uma das benesses proporcionadas pela negociação de um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. O depoimento, inclusive, já teria sido prestado.
Na delação, além de confirmar as denúncias contra Henrique, Fred Queiroz pode ter entregado outras possíveis engrenagens da Prátika Locações, empresa de sua propriedade que monta tendas para a Prefeitura de Natal desde a primeira gestão da ex-governadora Wilma de Faria. A mesma empresa teria sido utilizada no esquema de lavagem de dinheiro obtido por propina da OAS em 2014 durante a campanha para o Governo do Estado.
Ainda de acordo com informações de bastidores, promotores do Ministério Público Estadual participam da negociação, o que denota que o conteúdo do depoimento envolve diversas figuras políticas. O esquema de corrupção no Idema, já desvelado pela operação Candeeiro e que envolve o deputado estadual Ricardo Motta (PSB), também teria sido mencionado pelo empresário. Apesar disso, o ex-ministro Henrique Alves teria sido o maior atingido pela colaboração, o que pode complicar ainda mais a sua situação.
A Prátika Locações presta, há muitos anos, serviços a vários órgãos do Rio Grande do Norte, a exemplo da Prefeitura de Natal. Somente na gestão passada de Carlos Eduardo (2012-2016), a empresa contratou mais de R$ 10 milhões com a gestão municipal. A empresa era responsável por quase todas as montagens de tendas e palcos para a gestão do pedetista, até se tornar secretário municipal.
A Prátika esteve ativa ainda durante o governo de Rosalba Ciarlini (2011-2015). Na época, a empresa firmou compromisso com duas partes: a Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema).
Com a Emprotur, a Prátika tomou parte em contrato que culminou em nove termos aditivos, sendo o último, datado de 2 de abril de 2013, no valor diminuído de R$ 485 mil. Já no caso do Idema, o Diário Oficial do Estado de 7 de outubro de 2011 mostra traços da contratação. No documento, apresenta-se um termo de aditivo que acrescenta 25% (vinte e cinco por cento) a um objeto contratado no valor de R$ 325 mil – correspondente a 25% do valor inicialmente contratado, referente à inclusão de mais oito municípios no evento ambiental itinerante “Caravana Ecológica”.

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