O corregedor-geral da Justiça
Eleitoral, ministro Jorge Mussi, decidiu instaurar mais duas Ações de
Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) contra o presidenciável Jair
Bolsonaro (PSL) e seu candidato a vice, Hamilton Mourão. As ações foram
propostas pela Coligação Brasil Soberano (PDT/Avante) e pelo PDT com
base em reportagem da Folha de S.Paulo que aponta que o candidato do PSL
estaria se beneficiando da ação de empresas de disparo de mensagens em
massa via WhatsApp, contratadas por empresários que o apoiam.
Em uma das ações instauradas hoje, a Coligação Brasil Soberano pede que
Bolsonaro seja declarado inelegível para estas eleições e pelos próximos
oito anos, com a declaração de nulidade de seus votos e convocação de
novo pleito.
De acordo com informações divulgadas pelo TSE, entre os argumentos
apresentados, a coligação afirma que todos os candidatos que disputaram a
eleição presidencial no primeiro turno foram prejudicados, "já que o
aporte financeiro das pessoas jurídicas trouxe um flagrante
desequilíbrio entre a paridade das armas dos concorrentes". A coligação
pede liminar para que Bolsonaro, o empresário Luciano Hang, da rede
Havan, e todas as empresas de impulsionamento de mensagens citadas na
reportagem sejam proibidos de praticar qualquer ato de divulgação de
mensagens pelo WhatsApp ou qualquer outra rede social. Essa liminar foi
negada pelo corregedor, segundo o TSE.
O ministro Mussi observa
que o pedido de suspensão de uso de WhatsApp e redes sociais pelo
candidato e empresários tem caráter genérico, "haja vista a amplitude
dos termos da postulação e a circunstância de estar toda a argumentação
desenvolvida pela representante assentada em matérias jornalísticas,
cujos elementos não ostentam aptidão para, em princípio, nesta fase
processual de cognição sumária, demonstrar a plausibilidade da tese em
que se fundam os pedidos e o perigo de se dar o eventual provimento em
momento próprio, no exame aprofundado que a regular instrução
assegurará".
Na decisão de hoje, o corregedor determinou a
notificação de Bolsonaro e as empresas para apresentarem defesa em cinco
dias, a exemplo do que já tinha sido decidido na última sexta-feira,
19, quando o ministro deu andamento a outra ação também baseada em fatos
apontados pela reportagem da Folha de S.Paulo, essa apresentada pela
Coligação O Povo Feliz de Novo, do candidato Fernando Haddad.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast publicada no
último dia 6, na véspera do primeiro turno, Mussi disse que a Justiça
Eleitoral "atuará com serenidade e firmeza para coibir toda e qualquer
conduta que puder atentar contra o regime democrático, a lisura e a
normalidade do pleito e a igualdade de oportunidades entre os
candidatos".

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