sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Após reformar necrotério, Itep padroniza normas para recebimento e liberação de corpos


O Instituto Técnico-Científico de Perícia do Rio Grande do Norte está normatizando os procedimentos a serem adotados a partir do recebimento até a liberação dos corpos que chegam à unidade.
O Procedimento Operacional Padrão (POP) deve ser publicado ainda esta semana no Diário Oficial do Estado (DOE). “A normatização das rotinas do Departamento Médico Legal é o fechamento de um ciclo que começou com a reforma de toda a estrutura física do necrotério. Olhar como tudo isso aqui ficou é ver o renascimento do Itep, e isso nos dá um extremo prazer”, celebrou Marcos Brandão, diretor-geral do Itep. 
O Agora RN foi ao Itep para ver de perto as melhorias feitas no setor mais emblemático do instituto. É para o necrotério onde são levadas e periciadas todas as vítimas de morte violenta no estado. A diferença é gritante. Onde antes se empilhavam corpos, o que se vê agora é um corredor climatizado e higienizado. No lugar das gavetas jogadas no chão e dos sacos com corpos estirados no chão, à céu aberto, agora existem macas e lençóis limpos. Atualmente, a capacidade da câmara-fria do Itep é para até 45 corpos.
No momento da reportagem, 31 estavam a espera de liberação. “Além da sujeira, falta de estrutura, desorganização e do mau cheiro que existiam aqui no necrotério, faltava humanidade aqui. Até os pedreiros que contratávamos para trabalhar em alguma obra aqui no necrotério desistiam do serviço. Agora é diferente. Está limpo, higienizado, foi todo adequado para poder oferecer aos nossos servidores um ambiente melhor de trabalho”, acrescentou o diretor.
Ainda de acordo com Marcos Brandão, foram investidos cerca de R$ 100 mil somente na reforma física do prédio e outros R$ 20 mil na compra de equipamentos de uso diário, como fardamentos, instrumentos cirúrgicos, máscaras e luvas de proteção, além de outros materiais que são usados durante as perícias. “Uma melhora leva à outra. Hoje temos um fluxo melhor de trabalho no necrotério, sem acúmulo ou superlotação de corpos. E a tendência é de evoluirmos ainda mais. A normatização dos procedimentos que adotamos a partir da entrada de um corpo, tem este objetivo, que é padronizar a nossa rotina. E isso, com certeza, vai humanizar ainda mais o nosso trabalho”, ressaltou Brandão.
Servidor do Itep há 20 anos, Edmar Pereira ocupa a função de necrotomista. Ninguém mais apropriado do que ele para atestar o quanto o órgão progrediu nos últimos anos. “Antigamente era difícil. Hoje, temos um instituto padrão, um modelo a ser seguido”, afirmou.
E uma das razões, ainda de acordo com Edmar, está no setor de antropologia, onde são feitas as perícias para a identificação de ossadas. O setor foi criado recentemente e dá um suporte ainda maior aos profissionais do necrotério. “Antes, esta sala vivia cheia de caixas, de restos. Agora, é um laboratório. Aqui estudamos, aqui fazemos ciência”, acrescentou o necrotomista. Veja mais em AgoraRN.

Anderson Barbosa/Agora RN

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