O Instituto Técnico-Científico de Perícia do
Rio Grande do Norte está normatizando os procedimentos a serem adotados a
partir do recebimento até a liberação dos corpos que chegam à unidade.
O Procedimento Operacional Padrão (POP) deve
ser publicado ainda esta semana no Diário Oficial do Estado (DOE). “A
normatização das rotinas do Departamento Médico Legal é o fechamento de
um ciclo que começou com a reforma de toda a estrutura física do
necrotério. Olhar como tudo isso aqui ficou é ver o renascimento do
Itep, e isso nos dá um extremo prazer”, celebrou Marcos Brandão,
diretor-geral do Itep.
O Agora RN foi ao Itep para ver de perto as
melhorias feitas no setor mais emblemático do instituto. É para o
necrotério onde são levadas e periciadas todas as vítimas de morte
violenta no estado. A diferença é gritante. Onde antes se empilhavam
corpos, o que se vê agora é um corredor climatizado e higienizado. No
lugar das gavetas jogadas no chão e dos sacos com corpos estirados no
chão, à céu aberto, agora existem macas e lençóis limpos. Atualmente, a
capacidade da câmara-fria do Itep é para até 45 corpos.
No momento da reportagem, 31 estavam a espera
de liberação. “Além da sujeira, falta de estrutura, desorganização e do
mau cheiro que existiam aqui no necrotério, faltava humanidade aqui.
Até os pedreiros que contratávamos para trabalhar em alguma obra aqui no
necrotério desistiam do serviço. Agora é diferente. Está limpo,
higienizado, foi todo adequado para poder oferecer aos nossos servidores
um ambiente melhor de trabalho”, acrescentou o diretor.
Ainda de acordo com Marcos Brandão, foram
investidos cerca de R$ 100 mil somente na reforma física do prédio e
outros R$ 20 mil na compra de equipamentos de uso diário, como
fardamentos, instrumentos cirúrgicos, máscaras e luvas de proteção, além
de outros materiais que são usados durante as perícias. “Uma melhora
leva à outra. Hoje temos um fluxo melhor de trabalho no necrotério, sem
acúmulo ou superlotação de corpos. E a tendência é de evoluirmos ainda
mais. A normatização dos procedimentos que adotamos a partir da entrada
de um corpo, tem este objetivo, que é padronizar a nossa rotina. E isso,
com certeza, vai humanizar ainda mais o nosso trabalho”, ressaltou
Brandão.
Servidor do Itep há 20 anos, Edmar Pereira
ocupa a função de necrotomista. Ninguém mais apropriado do que ele para
atestar o quanto o órgão progrediu nos últimos anos. “Antigamente era
difícil. Hoje, temos um instituto padrão, um modelo a ser seguido”,
afirmou.
E uma das razões, ainda de acordo com Edmar,
está no setor de antropologia, onde são feitas as perícias para a
identificação de ossadas. O setor foi criado recentemente e dá um
suporte ainda maior aos profissionais do necrotério. “Antes, esta sala
vivia cheia de caixas, de restos. Agora, é um laboratório. Aqui
estudamos, aqui fazemos ciência”, acrescentou o necrotomista. Veja mais em AgoraRN.
Anderson Barbosa/Agora RN
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