segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

“Não é marcha pelo povo, é pelo poder”, diz padre em Aparecida

 

Durante uma celebração no Santuário Nacional de Aparecida, o padre Ferdinando Marcílio fez um pronunciamento que repercutiu entre fiéis ao abordar o uso da religião como instrumento político. Na homilia, o sacerdote adotou um tom firme ao questionar discursos que, segundo ele, se afastam dos princípios centrais do cristianismo.

Sem citar partidos ou bandeiras religiosas específicas, o padre criticou movimentos que se apresentam como manifestações de fé, mas que, na prática, estariam voltados à disputa de poder. “Não é marcha pelo povo, é marcha pelo poder”, afirmou durante a missa, ao comentar atos políticos realizados em nome da religião.

Em outro momento, o sacerdote chamou atenção para o que classificou como incoerência entre discurso e prática. “Não adianta marchar por Brasília e dizer que defende a vida, mas ser a favor das armas”, disse, arrancando reações discretas da assembleia. A fala foi interpretada como uma crítica direta a lideranças políticas que se identificam como cristãs, mas defendem pautas contrárias à proteção dos mais vulneráveis.

Ao longo da homilia, o padre reforçou que a fé cristã, em sua essência, está ligada ao cuidado com os pobres, doentes e marginalizados, e não ao uso do nome de Deus para justificar projetos de poder. Ele também questionou quais vidas são efetivamente defendidas quando a retórica religiosa é usada de forma seletiva.

A declaração ganhou destaque por ocorrer em um dos principais espaços religiosos do país e por tocar em um debate cada vez mais presente no cenário nacional: o limite entre fé, política e responsabilidade social.

A marcha 

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), iniciou na tarde da segunda-feira (19) uma caminhada de protesto com destino a Brasília. A mobilização foi anunciada como um ato contrário às condenações impostas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e foi divulgada pelo próprio parlamentar por meio de vídeos publicados nas redes sociais.

Nas imagens compartilhadas nos stories do Instagram, Nikolas aparece caminhando pela BR-040, comentando sobre o desafio físico da jornada. Segundo ele, o primeiro dia de percurso teria uma meta de aproximadamente 40 quilômetros, com expectativa de enfrentar dias longos e exaustivos ao longo do trajeto. Ele saiu de Paracatu (MG) com destino à capital federal. 

MPF denúncia agrônomo por crimes ambientais em área próxima a aldeia indígena no RN

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia à Justiça Federal contra um produtor rural por uma série de crimes ambientais cometidos em áreas próximas à aldeia indígena Lagoa do Tapará, da etnia Tapuia-Tarairiú, situada entre os municípios de Macaíba e São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal (RN).

A ação penal aponta que o agrônomo promoveu desmatamentos e queimadas frequentes para o cultivo de cana-de-açúcar sem as devidas licenças ambientais e descumprindo normas legais. As atividades atingiram áreas de preservação permanente e plantios da comunidade indígena, afetando cerca de 155 famílias da aldeia.

Incêndio – As queimadas foram realizadas nas fazendas São Geraldo e Talismã e geraram fumaça e fuligem intensas, expondo os moradores a poluentes tóxicos e riscos à saúde, além de prejuízos materiais. Em dezembro de 2021, a situação se agravou com princípios de incêndio que atingiram terrenos da aldeia, forçando famílias a abandonarem suas casas temporariamente. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar precisaram intervir para conter o fogo.

O MPF aponta que a Fazenda São Geraldo e a Fazenda Talismã tem operado sem licença válida, conforme comunicação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema/RN). Houve também omissão do agrônomo, que deixou de registrar a existência de áreas de preservação no Cadastro Ambiental Rural (CAR), tendo promovido desmatamentos não autorizados de vegetação em área de Reserva Legal.

Ele igualmente descumpriu orientações técnicas com relação à realização das queimadas, como a necessidade de respeitar a distância mínima de 500 metros em relação a povoados – algumas residências se situam a menos de dez metros de áreas onde ocorreram queimadas – e a de realizar essa queima apenas em horários com temperaturas mais baixas.

Prejuízos – A denúncia se baseou em informações da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e em elementos levantados tanto em inquérito da Polícia Federal, quanto em diligências do próprio MPF, que confirmaram a degradação da vegetação nativa (Mata Atlântica) e outros danos ao ecossistema local.

O réu deverá responder por crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), incluindo poluição atmosférica e destruição de florestas preservadas, e pelo crime de incêndio, previsto no artigo 250 do Código Penal.

O processo inclui um pedido de liminar para cessar imediatamente o cultivo de cana-de-açúcar nas fazendas São Geraldo e Talismã, nas áreas que possam causar prejuízos à aldeia da Lagoa do Tapará.

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Reservatórios do RN têm nível de água mais baixo da década; veja o volume atual de cada barragem

 Anderson Barbosa

A bacia hidrográfica do Rio Grande do Norte não passa por um bom momento. Apesar de o sertanejo potiguar já usufruir das águas do Velho Chico -- graças à transposição do Rio São Francisco -- os maiores reservatórios do estado ainda sofrem com a escassez de chuvas. 

Hoje, a média da capacidade das grandes barragens do RN está em menos de 35%. Este é o volume mais baixo de água armazenada desde 2018.  

Para entender melhor a situação, veja a lista abaixo o relatório atualizado do Instituto de Gestão das Águas do RN (IGARN), que monitora 55 reservatórios com capacidade superior a 5 milhões de metros cúbicos, responsáveis pela segurança hídrica do Rio Grande do Norte. Destes, apenas cinco estão mais da metade cheios, o que representa menos de 10%. Outros 38 estão abaixo da marca de 50% do nível de água (70%), sete reservatórios já estão totalmente secos, sem uma gota d'água sequer (12%).

 

Veja lista completa abaixo:

Reservatório  Município  Capacidade (hm³)  Volume (%) 
ARMANDO RIBEIRO GONÇALVES  ASSÚ  2.373,07  43,42 
OITICICA  JUCURUTU  683,40  14,65 
SANTA CRUZ  APODI  599,71  S/INF 
UMARÍ  UPANEMA  292,81  51,22 
POÇO BRANCO  POÇO BRANCO  136,00  52,29 
TABATINGA  MACAÍBA  89,84  9,53 
BOQUEIRÃO  PARELHAS  84,79  9,15 
LAGOA DO BONFIM  NÍSIA FLORESTA  84,27  59,29 
ITANS  CAICÓ  81,75  Seco 
MENDUBIM  ASSÚ  77,60  42,04 
SABUGI  SÃO JOÃO DO SABUGI  61,85  Seco 
PAU DOS FERROS  PAU DOS FERROS  54,85  18,96 
PASSAGEM DAS TRAÍRAS  SÃO JOSÉ DO SERIDÓ  49,70  Seco 
GARGALHEIRAS  ACARI  44,42  44,42 
TRAIRI  TANGARÁ  35,23  47,89 
ESGUICHO  OURO BRANCO  27,94  Seco 
CARNAÚBA  SÃO JOÃO DO SABUGI  25,71  1,52 
LUCRÉCIA  LUCRÉCIA  24,75  18,83 
CRUZETA  CRUZETA  23,55  41,32 
CAMPO GRANDE  SÃO PAULO DO POTENGI  23,14  45,12 
RODEADOR  UMARIZAL  21,40  23,64 
JAPI II  SÃO JOSÉ DO CAMPESTRE  20,65  S/INF 
INHARÉ  SANTA CRUZ  17,60  19,83 
BOQUEIRÃO DE ANGICOS  AFONSO BEZERRA  16,02  27,53 
PATAXÓ  IPANGUAÇU  15,02  13,98 
RIO DA PEDRA  SANTANA DO MATOS  13,60  25,22 
MARCELINO VIEIRA  MARCELINO VIEIRA  11,20  19,02 
LAGOA DO BOQUEIRÃO  TOUROS  11,07  S/INF 
LAGOA DE EXTREMOZ  EXTREMOZ  11,02  72,96 
BONITO II  SÃO MIGUEL  10,87  5,06 
DOURADO  CURRAIS NOVOS  10,32  7,36 
JESUS MARIA JOSÉ  TENENTE ANANIAS  9,64  Seco 
RIACHO DA CRUZ II  RIACHO DA CRUZ  9,60  63,33 
CALDEIRÃO DE PARELHAS  PARELHAS  9,32  14,38 
FLECHAS  JOSÉ DA PENHA  8,95  38,66 
SANTO ANTÔNIO  CARAÚBAS  8,54  11,94 
PASSAGEM  RODOLFO FERNANDES  8,27  31,56 
BELDROEGA  PARAÚ  8,06  6,08 
TOURÃO  PATU  7,99  2,13 
ZANGARELHAS  JARDIM DO SERIDÓ  7,92  S/INF 
MALHADA VERMELHA  SEVERIANO MELO  7,54  20,56 
ALECRIM  SANTANA DO MATOS  7,00  S/INF 
MORCEGO  CAMPO GRANDE  6,71  17,73 
BREJO  OLHO D’ÁGUA DO BORGES  6,45  Seco 
PILÕES  PILÕES  5,90  15,42 
ENCANTO  ENCANTO  5,19  49,90 
SANTA CRUZ  SANTA CRUZ  5,16  22,09 
25 DE MARÇO  PAU DOS FERROS  4,72  4,24 
CORREDOR  ANTÔNIO MARTINS  4,64  S/INF 
ARAPUà LUIS GOMES  4,29  18,41 
CURRAIS  ITAÚ  4,02  16,92 
TESOURA  FRANCISCO DANTAS  3,93  21,88 
CURRAIS NOVOS  CURRAIS NOVOS  3,81  13,91 
MUNDO NOVO  CAICÓ  3,60  Seco 
UMARIZAL  UMARIZAL  3,10  5,48 
SOSSEGO  RODOLFO FERNANDES  2,35  16,60 
4.538,86  34,80 

O primeiro relatório do IGARN de 2018 revelava que nunca os níveis de armazenamento dos reservatórios potiguares estiveram tão baixos. A disponibilidade hídrica total do Rio Grande do Norte, que à época era de 4,4 bilhões de metros cúbicos, iniciava aquele ano com apenas 11,24% da capacidade total.

Ainda em 2018, o maior reservatório potiguar, a barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, em Assú, que comporta até 2,4 bilhões de metros cúbicos de água, chegou a 11,74%, entrando pela primeira vez em sua história no chamado "volume morto".

 

Jovem currais-novense que homenageou pais em apresentação de TCC comemora colação de grau em Santa Cruz

A jovem Maria Elisa Silva, que viralizou no início do mês de dezembro após homenagear o pai durante sua apresentação de conclusão de curso, colou grau e se tornou, oficialmente, fisioterapeuta.

A cerimônia foi realizada em Santa Cruz, nas instalações da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (FACISA), onde Maria Elisa se formou.

Na sua entrada, ao seu lado estavam seu pai e sua mãe, vivendo o orgulho da conclusão de mais uma etapa vencida pela sua filha. Parabéns à jovem e parabéns aos pais pela conquista.

Relembre

O caso viralizou no início de dezembro. Maria Elisa, após apresentar seu TCC, tirou da sua bolsa itens que representaram a luta e o esforço dos pais. Ela pegou um colete de moto-taxista, representando o esforço do pai, e um livro escolar, em alusão ao trabalho da mãe professora.

Após a publicação, o assunto viralizou pelo Brasil inteiro, sendo notado pelo apresentador Luciano Huck, ganhando destaque em jornais e portais de notícia de nível nacional, bem como de perfis de relevância no próprio Instagram.

Homenagem durante o TCC viralizou por todo o Brasil

Estudo: viajar à noite aumenta em até 3,5 vezes risco de acidente grave

Viajar à noite, especialmente entre as 2h e 4h da madrugada, aumenta o risco de sofrer um acidente grave em até 3,5 vezes em comparação ao período diurno, revela um novo estudo internacional divulgado em 30 de janeiro.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Mauá de Tecnologia em parceria com a USP e a Universidade de Swansea, do Reino Unido, e publicada no Brazilian Journal of Medical and Biological Research. O estudo utilizou dados da Polícia Rodoviária Federal e constatou que, apesar das estradas estarem muito mais vazias nesse horário, dirigir à noite representa um comportamento de alto risco.

Segundo os pesquisadores, o principal fator é o sono, que afeta motoristas não acostumados a ficarem acordados nesse período. Eles alertam que dirigir com sono oferece riscos comparáveis aos de dirigir sob efeito de álcool. A recomendação é evitar dirigir à noite sempre que possível.

Vanderlei Parro, professor do Instituto Mauá e autor principal do estudo, explica que não é apenas o dormir em excesso, mas episódios chamados de microssonos, que são piscadas mais longas e que podem causar perda de atenção fatal, em especial para quem dirige veículos maiores como caminhões.

O problema é principalmente grave para caminhoneiros, que muitas vezes escolhem dirigir à noite para fugir do trânsito, acelerar as viagens, poupar combustível ou compensar atrasos. Claudia Moreno, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP e coautora do estudo, destaca que essa preferência pela noite requer políticas públicas específicas, como mais áreas de descanso seguras nas estradas, já que as atuais paradas a cada três horas são insuficientes.

Conforme Claudia, a maioria dos caminhoneiros trabalha sob demanda e numerosas vezes não consegue se preparar adequadamente, por exemplo, para dormir durante o dia antes de viajar à noite. Outro fator que dificulta o descanso é o receio de roubo e furto da carga durante as paradas.

Parro reconhece que solucionar a questão é complexo, pois envolve diversas questões econômicas e trabalhistas, mas ressalta que agora há dados concretos que fundamentam a discussão, superando opiniões pessoais.

O estudo abrange dados das rodovias federais brasileiras de 2015 a 2018, período em que o número anual de acidentes nessas vias variou entre 67 mil e 73 mil, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que em 2024 ocorreram 37.150 mortes no trânsito, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior, o que equivale a uma média diária de 100 vítimas fatais.

Operação Zero Álcool registra 66 prisões por embriaguez ao volante em janeiro no RN

 

A Operação Zero Álcool, realizada pelo Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE) por meio do Batalhão Rodoviário, contabilizou, somente no mês de janeiro, 66 prisões de motoristas flagrados dirigindo sob a influência de álcool no Rio Grande do Norte.

De acordo com o CPRE, esse quantitativo corresponde a 16% de todas as prisões efetuadas pela unidade em 2025. O dado chama atenção porque o ano já foi iniciado com o maior número de flagrantes da última década no estado.

As autuações criminais ocorreram em Natal e municípios da Grande Natal, com a seguinte distribuição:
17 prisões em Natal;
14 em Parnamirim;
10 em Macaíba;
8 em Nísia Floresta;
7 em São Gonçalo do Amarante;
6 em Extremoz;
4 em São José de Mipibu.

Segundo a legislação, configura crime de trânsito quando o teste do etilômetro apresenta valor superior a 0,33 mg/l. Também há enquadramento criminal nos casos em que o condutor se recusa a testar, mas apresenta sinais visíveis de alteração da capacidade psicomotora.

O CPRE reforça que as fiscalizações seguem intensificadas em todo o estado, com o objetivo de reduzir acidentes e preservar vidas nas rodovias potiguares.

Papa Leão XIV pede diplomacia entre EUA e Cuba


Foto: Reprodução/Vatican News

 A diplomacia entre EUA e Cuba voltou ao centro do debate internacional neste domingo (1), após o papa Leão XIV fazer um apelo público por diálogo entre os dois países. A declaração ocorreu durante a oração do Angelus, na Praça São Pedro, no Vaticano, logo depois do anúncio de novas sanções econômicas impostas pelo governo dos Estados Unidos contra a ilha caribenha.

Segundo o pontífice, a escalada de medidas punitivas agrava o sofrimento da população cubana. Além disso, ele afirmou acompanhar com preocupação as notícias que chegam do país, destacando a escassez de alimentos, medicamentos e itens básicos enfrentada pelos cidadãos. Para o papa, a diplomacia deve prevalecer sobre ações de força ou interesses ideológicos.

Diplomacia e apelo humanitário

Durante o pronunciamento, Leão XIV foi direto ao defender a dignidade humana como prioridade absoluta nas relações internacionais. Conforme declarou, nenhum povo pode ser tratado como instrumento de pressão política. Por outro lado, o líder da Igreja Católica reforçou que decisões econômicas precisam considerar impactos sociais imediatos, especialmente em países já fragilizados.

O posicionamento do papa ocorreu após o presidente Donald Trump assinar um decreto que impõe tarifas a países que fornecem petróleo a Cuba. Além disso, o governo norte-americano estuda a possibilidade de um bloqueio naval à ilha, o que ampliou as tensões diplomáticas e gerou reações em diversos setores da comunidade internacional.

Em resposta, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel divulgou uma nota oficial classificando as medidas como criminosas. Segundo ele, as sanções aprofundam dificuldades históricas enfrentadas pelo país. No entanto, Díaz-Canel afirmou confiar na compreensão da comunidade internacional e no apoio de nações que defendem a soberania cubana.

Justiça pelo cão Orelha mobiliza protesto em Natal/RN



 Foto: Cedida/Edmo Nathan

A justiça pelo cão Orelha voltou a mobilizar manifestantes neste domingo (1), desta vez em Natal, no bairro de Mirassol. Durante a tarde, ativistas da causa animal, moradores e protetores independentes se reuniram para cobrar punição aos responsáveis pela morte do cachorro, além de defender maior rigor em casos de maus-tratos e a revisão do Código Penal para situações semelhantes.

O ato destacou a indignação popular diante da violência praticada contra o animal em Florianópolis, Santa Catarina. Além disso, os participantes levantaram faixas e cartazes pedindo mudanças na legislação, argumentando que as penas atuais não inibem crimes contra animais. Conforme os organizadores, a manifestação ocorreu de forma pacífica e buscou conscientizar a sociedade sobre a gravidade do caso.

Ao mesmo tempo, o protesto em Mirassol reforçou que a comoção ultrapassou fronteiras estaduais. Por outro lado, os manifestantes também cobraram celeridade nas investigações e transparência na apuração dos fatos. Muitos participantes levaram seus próprios animais, como forma simbólica de protesto e de defesa da causa.

Justiça e o histórico do crime

Orelha viveu por cerca de dez anos nos arredores da Praia Brava, em Florianópolis, e recebia cuidados comunitários. Como mencionado anteriormente, moradores da região se organizavam para alimentá-lo, limpar casinhas improvisadas, trocar cobertores e acompanhar sua rotina. Dessa forma, o cachorro acabou se tornando parte do cotidiano local.

No entanto, no início de janeiro, Orelha desapareceu por dois dias. Depois disso, moradores o encontraram em estado grave e acionaram o resgate. Ele chegou a ser encaminhado para atendimento veterinário, mas, diante da gravidade das lesões e do intenso sofrimento, os profissionais optaram pela eutanásia.

Exames descartaram a hipótese de atropelamento. Pelo contrário, os laudos indicaram que os ferimentos foram provocados por agressões. Posteriormente, a Polícia Civil de Santa Catarina informou que quatro adolescentes praticaram a violência contra o animal.

Segundo a investigação, dois dos envolvidos estavam no estado no momento das diligências. Os outros dois encontravam-se nos Estados Unidos em uma viagem programada e retornaram ao Brasil na última quinta-feira (29). Na última segunda-feira (26), a polícia cumpriu mandados de busca nas residências dos investigados. Em uma delas, os agentes apreenderam uma porção de droga, celulares e outros objetos. As investigações seguem sob sigilo.

 

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