quarta-feira, 17 de junho de 2026

Morte em salto: testemunha aponta ocultação de provas

Uma testemunha que presenciou a morte da jovem de 21 anos que caiu em queda livre por cerca de 40 metros após ser lançada de uma ponte sem a corda de segurança durante um salto de rope jump afirmou que os funcionários da empresa responsável demonstraram “apatia” após a tragédia e tentaram ocultar provas. O acidente ocorreu na manhã do último sábado (13), na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.

Ao SBT News, Rafael Goulart, de 40 anos, relatou que os funcionários da empresa Entre Cordas não prestaram socorro imediato a Maria Eduarda Rodrigues. Em vez disso, segundo ele, passaram a recolher os equipamentos utilizados na atividade e levá-los para veículos estacionados no local. 

De acordo com o relato, alguns colaboradores retornaram sem as vestimentas que os identificavam como integrantes da equipe, o que poderia indicar uma tentativa de descaracterização.

Falta de cuidado da equipe

Ao ouvir o estrondo da queda, Rafael conta que caminhou alguns metros para entender o que havia acontecido e, então, viu o corpo de Maria Eduarda estirado no chão. Segundo ele, o que mais chamou sua atenção foi a falta de cuidado da equipe. 

O capacete estava caído ao lado da vítima, o que, em sua avaliação, indica que o equipamento não havia sido preso adequadamente.

De acordo com Rafael, enquanto os demais presentes se mobilizavam para ajudar o noivo de Maria Eduarda e buscar socorro para a vítima, os funcionários da empresa adotavam outra postura. 

Após a queda, alguns colaboradores teriam inclusive manipulado o corpo da vítima na tentativa de retirar a câmera GoPro que estava presa a ela. 

A testemunha registrou o momento em vídeo, mas o SBT News optou por não exibir as imagens devido ao seu conteúdo gráfico.

Enquanto familiares e participantes buscavam ajuda e aguardavam a chegada do Samu e da polícia, os responsáveis pela operação teriam usado o tempo para apagar rastros da atividade. 

O grupo de WhatsApp que reunia cerca de 80 participantes do evento foi bloqueado, e a página da empresa no Instagram foi desativada. Até a publicação desta reportagem, o perfil permanecia fora do ar.

Chegada da polícia

Rafael afirmou ainda que, quando os policiais chegaram à ponte após os primeiros atendimentos prestados à vítima, encontraram funcionários tentando recolher materiais e se misturar aos demais presentes. 

Diante da situação, ele decidiu gravar a movimentação com o celular para registrar o que acontecia. Foi nesse momento, segundo a testemunha, que os agentes deram voz de prisão aos envolvidos para impedir que deixassem o local.

A testemunha também questionou a organização do evento e apontou indícios de atrasos na programação dos saltos. Segundo seu relato, ele estava inscrito para saltar às 9h30 e recebeu a ficha de número 46. Já Maria Eduarda, que ocupava a posição 15 na fila, sofreu o acidente por volta das 10h, o que, em sua avaliação, demonstra que havia um grande acúmulo de participantes aguardando a atividade.

Para Rafael, o atraso evidencia uma tentativa de acelerar os procedimentos para atender um alto volume de clientes. Nesse sentido, acredita que a “ganância” e a busca pelo lucro pode ter contribuído para a negligência na operação. Cada participante teria desembolsado entre R$ 150 e R$ 200 pela experiência, e cerca de 80 saltos estavam programados para aquele dia.

"Quem foi o louco que deixou eu vir pular de uma ponte???".

Minutos antes de ser jogada de uma altura de 40 metros na Ponte do Esqueleto, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, postou uma sequência de storys mostrando que iria praticar o Rope Jump.

Em uma das postagens, ela chega escrever "Quem foi o louco que deixou eu vir pular de uma ponte???".

A jovem de 21 anos foi jogada de cima de ponte sem os equipamentos de segurança, por uma falha dos funcionários da empresa "Entre Cordas", conhecida pela prática do Bungee Jump.

Seis pessoas foram presas e encaminhadas ao 2ºDP de Limeira.

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