sexta-feira, 19 de junho de 2026

Polícia Civil faz operação contra grupo que usava bets para desviar dinheiro de golpes

 Dinheiro apreendido na Operação Conto da Sorte, deflagrada em PE, em SP e no CE — Foto: MPRN/Divulgação

Foto: MPRN/Divulgação

A Receita Federal e o Ministério Público do Rio Grande do Norte e de Pernambuco cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (18), contra fraudes em apostas esportivas. A ação foca na apreensão de R$ 145 milhões em bens para garantir a restituição das fraudes apuradas.


O que aconteceu…

Operação Conto da Sorte mira desvios com empresas ilegais de apostas esportivas. A ação de busca e apreensão contra 14 alvos é realizada nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo. O grupo é formado por empresas de apostas de quota fixa que funcionavam sem autorização da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) do Ministério da Fazenda.

Ministro da Fazenda diz que grupo alvejado movimentou R$ 50 bilhões. Dario Durigan disse que o esquema identificado tinha 37 empresas que atuavam como bets ilegais. "Esses 14 mandados de busca e apreensão vão nos permitir apurar os valores exatos, que serão divulgados muito em breve", afirmou.

Apurações começaram após a prefeitura de Bodó (RN) credenciar empresas de forma irregular pela autarquia Lotseridó. O grupo de empresas investigado foi impedido de atuar em outubro de 2025, mas manteve as bancas de apostas ativas de forma irregular após a regulamentação do setor

Os investigados abriram dezenas de empresas de fachada em nome de laranjas para movimentar os bilhões de reais. Para isso, os investigados usavam dados de parentes e até de beneficiários do auxílio emergencial para ocultar os verdadeiros donos do negócio ilegal.

Investigação aponta indícios de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro com imóveis e descumprimento da lei. Segundo o Fisco, o grupo não repassava a taxa sobre a receita líquida de apostas. 

A Receita também destaca que a ação combate fraudes com CNPJs de fachada e ressalta que a atuação integrada com outros setores é fundamental para evitar sonegação.

Durigan antecipou que novas operações contra bets ilegais serão realizadas. O ministro garantiu que o governo adotou "tolerância zero" com as bets ilegais e o jogo irresponsável. "Vocês vão ter novidades muito breve de operações envolvendo essas bets ilegais, para que a gente faça um combate muito duro, com bloqueio de bens, com atuação para além do âmbito administrativo, que cabe à Secretaria de Prêmios e Apostas", disse, em entrevista ao Metrópoles.

"O papel do Estado é fazer com que a gente aperte esse cerco. [...] No caso dos programas sociais, já há decisão do Supremo e o governo cumpre, excluindo a possibilidade de quem recebe os programas jogar em bets."

Dario Durigan.


Do UOL, em São Paulo

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