Wilson Dias/Arquivo Agência Brasil
Beatificação de Zilda Arns: mais de 260 mil assinaturas foram coletadas
Não foi a primeira vez que a
médica abriu mão dos próprios interesses para se colocar a disposição
dos demais. Decorridos cinco anos de sua morte, prazo mínimo para que
seja aberto processo de beatificação, milhares de fiéis pedem que o
processo, que é um passo para que ela se torne santa, seja aberto. As
moções de apoio somam 260 mil assinaturas.
A médica sanitarista e
pediatra Zilda Arns Neumann é reconhecida nacional e internacionalmente
por ter fundado a Pastoral da Criança e posteriormente a Pastoral da
Pessoa Idosa. Ela desenvolveu um trabalho de prevenção com famílias
carentes e ensinando muitas mães a preparar o soro caseiro. Por meio
desta e de outras ações, ela ajudou a combater a desnutrição no Brasil.
Para dom Aldo, o objetivo não
é apenas reconhecê-la como santa, "fazer uma estátua e colocar no
altar". "É pedir que se comece o reconhecimento das virtudes que tinha.
Ela salvou milhares de vidas, não só combatendo a mortalidade infantil,
mas trabalhando na prevenção de doenças que são curáveis, passando
saberes a gestantes e mães muito pobres", diz.
A entrega oficial da moção
que solicita a abertura do processo de beatificação de Zilda ocorreu no
dia 10 de janeiro, durante celebração no Estádio Arena da Baixada Clube
Atlético Paranaense, à Arquidiocese de Curitiba, que deverá conduzir o
processo. Uma equipe que contará com um postulador e um historiador,
entre outros integrantes, deverá reunir fatos que comprovem as virtudes
heroicas de Zilda. Posteriormente, o trabalho será remetido ao Vaticano,
que dará o veredito para a beatificação.
Para tornar-se beata, é
necessária a comprovação de um milagre por sua intercessão. Após a
beatificação, segue o processo de canonização, que reconhece a pessoa
como santa. Não há prazo para que isso ocorra. Canonizada, Zilda se
juntará ao Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, o primeiro nascido no
Brasil.
"Muitos que nos encontravam
diziam que rezavam e pediam muito para ela. O mais curioso é que não
pediam coisas para si. As pesssoas pediam pela comunidade, pelas
crianças, pela vida dos vizinhos. Isso que mais me chamou atenção",
disse o coordenador nacional adjunto da Pastoral da Criança, Nelson Arns
Neumann, filho de Zilda, sobre os depoimentos colhidos na celebração do
dia 10.
Médico, Neumann seguiu os
passos da mãe. Sobre a profissão diz: "O comentário dela em família era
que a opção deveria ser pelo que trouxesse satisfação pessoal e
condições de sustentar a família. Mas que seria incompleta se não
servisse a comunidade". Uma lembrança que guarda de Zilda é dos
atendimentos que ela fazia quando a família ia para a chácara no final
de semana. "Muitas pessoas procuravam [minha mãe] no sábado e domingo
com os filhos doentes. Depois de atendidos, perguntavam qual era o
pagamento. Ela respondia que deveria rezar três Ave Marias e um
Pai-Nosso."
Pelo seu trabalho, Zilda Arns
recebeu o título de Cidadã Honorária de 11 estados e 37 municípios
brasileiros, 19 prêmios nacionais e internacionais e dezenas de
homenagens de governos, empresas, universidades e outras instituições,
pelo trabalho feito na Pastoral da Criança.
Hoje, a pastoral está
presente em todos os estados brasileiros e em mais 21 países da África,
Ásia, América Latina e do Caribe. No Brasil, conta com quase 200 mil
voluntários e atende a 45 mil comunidades.
Perguntada por que Zilda deve
ser beatificada, a religiosa Rosangela Maria Altoé, da Congregação das
Irmãs de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, que viajou com ela para o
Haiti, disse: "Porque foi uma mulher que em sua ação não excluiu
ninguém. A pastoral beneficia a todos, não importa religião, sexo,
etnia, política.Todos estão incluídos."
Eentre as características da
médica, Rosangela destaca a simplicidade, “sua capacidade de transformar
o conhecimento científico de maneira simples para que fosse
compreendida pelas pessoas que não tiveram oportunidade de estudar. Sua
simplicidade ousada em um sorriso fácil, nas relações que estabelecia”.
Ela conta que Zilda não parou
de trabalhar desde o momento em que chegaram ao Haiti, no dia 11 de
janeiro de 2010. No mesmo dia, ela começou a dialogar com os religiosos
presentes que a conheciam. No dia seguinte, a primeira ação foi conhecer
e conversar com gestantes e outras tantas mulheres haitianas que
aguardavam por alimento para seus filhos. “Sua morte se deu em pleno
momento de uma missão que assumiu com entusiasmo, responsabilidade e ao
mesmo tempo profissionalismo e que foi o motivo de grande entusiasmo e
luta em favor da vida”, explicou.
Em seu último discurso, Zilda
ressaltou que, para que haja uma transformação social, é necessário o
investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das
crianças, ação que deve começar ainda na gravidez.
“Não existe ser humano mais
perfeito, mais justo e mais solidário e sem preconceitos que as
crianças. Como os pássaros que cuidam dos seus filhos ao fazer um ninho
no alto das arvores e nas montanhas longe dos predadores, ameaças e
perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos com um
bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e promovê-los”, disse a
médica na ocasião.
Fonte: Agência Brasil
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