Tendo apenas uma presença em sessões plenárias, deputado gastou mais de R$ 80 mil com propaganda
Ciro Marques
Repórter de Política
Geralmente, os deputados que mais utilizam a cota indenizatória da
Câmara Federal somam, com ela, um valor quase que igual aos seus
salários – ou um pouco superiores. Ou seja: recebem R$ 27 mil e gastam,
da cota, cerca de R$ 30 mil mensais. Em dezembro, quase todos os
deputados da bancada potiguar na Câmara Federal gastaram menos de R$ 20
mil da cota indenizatória. Betinho Rosado (PP) e João Maia (PR) foram
exceções. Betinho, porém, gastou “apenas” R$ 37,6 mil.
O valor de Betinho Rosado, que seria considerado “acima da média” se
comparado aos demais meses – ou aos valores gastos pelos demais
deputados – acabou sendo visto como “apenas” se comparado ao R$ 123 mil
de dinheiro público gasto por João Maia, maior montante utilizado por um
deputado potiguar na Câmara Federal em 2014. E detalhe que quase R$ 80
mil desse valor foi só para propaganda. Alias: “divulgação da atividade
parlamentar”, como é identificado o gasto na lista de despesas da cota
indenizatória.
A Semear Editora Gráfica foi a escolhida para os trabalhos de
divulgação de João Maia. Localizada em Brasília, onde João Maia
trabalha, a Semear teria prestado quatro serviços ao parlamentar em
final de mandato: impressão e acabamento de divulgação da atividade
parlamentar; automação e publicidade CD e E-book, com gravação de
conteudo em mídia digial, impressão de label e confecção de embalagem
publicação de divulgação das atividades dos mandatos; criação,
consultoria e assessoria jornalística em comunicação, seleção de imagem,
layout e revisão para a impressão; e diagramação, arte final, correções
e fechamento de arquivos para publicação de divulgação das atividades
parlamentares.
Os valores do serviço custaram para a Câmara Federal,
respectivamente, R$ 39 mil, R$ 25,9 mil, R$ 8,8 mil e R$ 5,7 mil.
Contudo, além disso, João Maia ainda pagou R$ 2,1 mil com combustível,
R$ 24,1 mil com consultorias e pesquisas técnicas, R$ 10 mil de locação
de veículos e mais R$ 7 mil de serviços postais – duas encomendas
contratadas pelos Correios custou mais de R$ 2 mil cada.
É importante lembrar que, em dezembro, João Maia participou de apenas
uma das sete sessões plenárias realizadas na Casa Legislativa – durante
o ano, o deputado do PR esteve ausente em 21 das 82 sessões, ou seja,
mais de 25% de ausências “justificadas”.
Candidato a vice-governador do RN na chapa encabeçada por Henrique
Eduardo Alves, João Maia foi derrotado pela parceria Robinson Faria
(PSD) e Fábio Dantas (PC do B). Pelo menos, ele conseguiu eleger a irmã,
a médica Zenaide Maia, também do PR, para substituí-lo na Câmara
Federal. Ela assume o cargo em fevereiro.
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