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sábado, 12 de novembro de 2016

“Brasília vê o Nordeste como se não fosse afetado pela seca”, diz presidente da FAERN

Em entrevista ao programa “Meio-Dia Cidade”, da Rádio Cidade (94,3 FM), o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (FAERN), Zé Vieira falou a respeito do tratamento concedido pelo governo federal ao Nordeste do país na questão dos produtores e da economia rural. Zé Vieira contou ainda que esteve em recente reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiro (PMDB-AL) e com o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), para pedir agilidade na regulamentação do endividamento rural e um melhor tratamento para com a região nordestina.
“Mostramos a eles que, de 2012 a 2016, nada foi feito com o setor rural do Nordeste, principalmente em função desses cinco anos de seca. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ocorreram enchentes e isso causou a prorrogação da dívida dos produtores de lá. Em MaToPiBa (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia), grande celeiro de exploração de oportunidades, também houve prorrogação pela seca. Fomos cobrar isso ao governo. Entendemos que esses outros estados são importantes para a economia brasileira, mas não se pode deixar que o governo federal não tenha uma atenção conosco em cinco anos de seca no Nordeste”, disse Vieira, que demonstra o otimismo quanto ao interesse do governo federal em ajudar o Nordeste. “O governo está sensibilizado, e estamos na expectativa que a regulamentação do endividamento rural saia até a próxima semana. Na próxima reunião do Conselho Monetário, entrará em pauta o endividamento rural de 2012 a 2016. Este é o grande anseio dos produtores rurais: precisamos inseri-lo novamente na economia rural, o setor está completamente falido. Queremos uma nova política agrícola para o semi-árido. Causa uma revolta grande quando burocratas de Brasília, ministérios, e até a diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tratam o Nordeste e o semi-árido, como se não fossem afetados pela seca e estivéssemos em uma situação completamente normal”, complementou.
Além da reunião com o governo, a FAERN também se encontrou com a direção nacional do Banco Nacional do Nordeste. Zé Vieira explicou o conteúdo da reunião: “Fomos dar continuidade a uma parceria que temos feito com o Banco e mostrar uma ideia que tivemos, para que assim que sair a regulamentação, os produtores possam fazer imediatamente suas renegociações sem maiores burocracia. A Confederação Nacional da Agricultura desenvolve uma cartilha e um simulador e fomos mostrar isso a eles. Funciona assim: o produtor tem uma cédula rural, e ao invés de ir ao banco, ele vem ao nosso sindicato e faz uma simulação de quanto vai ficar sua dívida para saber quanto vai precisar pagar. Muitas vezes os produtores iam ao banco e não tinham acesso sequer ao extrato da dívida. Queremos de forma propositiva e transparente ajudar o produtor do Nordeste, para que ele possa optar entre liquidar ou renegociar. Esse é um avanço extraordinário e o Banco achou tudo isso muito interessante”, contou.


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