sábado, 5 de novembro de 2016

Professora envolve crianças indígenas de escola pública em manifestação contra a PEC 241 em Pernambuco

Em Pernambuco, crianças do ensino infantil de escolas indígenas participaram na quinta-feira (03), de uma mobilização contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 55/2016), que estabelece limite para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. Na Câmara, a proposta tramitou como PEC 241. Os alunos também pintaram cartazes de protesto contra o governo do presidente Michel Temer (PMDB).
Após críticas nas redes sociais por um possível uso político das crianças por movimentos de esquerda, a organizadora das mobilizações Edilene Bezerra Pajeú, de 41 anos, conhecida popularmente como Pretinha Truká, disse que “as crianças não são seres impensantes”. Ela é membro titular do Fórum Nacional de Educação (FNE) como representante da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena (CNEEI).
“É claro que as crianças não vão conseguir ter um entendimento sobre o que é ou não PEC da mesma forma que um adulto. Mas elas sabem que aquilo não é bom para elas. Nossas crianças são inteligentes, elas estão vendo os pais e professores se mobilizando e querem participar, não são forçadas”, explicou Truká.
De acordo com a representante do movimento, as manifestações aconteceram de forma pacífica e com atividades de conscientização. “Não levamos as crianças para a rua, nem para as rodovias foi tudo de forma pacífica e dentro da escola. Alguns pais foram assistir e as crianças recitaram poesias e participaram de pinturas, contra a PEC e os pais que foram aprovaram”, disse.
Segundo Pretinha Truká, nenhum partido político participou da mobilização. “Foi tudo acertado pela comunidade escolar e líderes de comunidades indígenas”, disse ela que foi candidata a vereadora de Cabrobó, no Sertão de Pernambuco. Truká não foi eleita.
As manifestações infantis contra a PEC 55 foram realizadas em outras cidades do Sertão como Salgueiro e Petrolândia. “Foi feito um trabalho de conscientização política em todas as escolas indígenas de Pernambuco, não podemos nos calar diante do que está acontecendo no Brasil, não somos melhores do que ninguém, mas não aceitamos nenhum direito a menos. Esse governo não nos representa. Fora temer, e leve com você a PEC 241”, disse Pretinha Truká em sua página no Facebook.
Em entrevista à Rádio Jornal, na manhã desta sexta-feira (04), o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), disse que a atitude mostra um total despreparo dos organizadores e afirmou que escola não pode ser reduto partidário. “É deplorável e inaceitável. A rigor são crianças indefesas em processo de alfabetização tendo que fazer musiquinha contra a PEC. A escola não pode ser ambiente de proselitismo. Não podem transformar a escola em comitê político-partidário e ideológico cabe ao Ministério Público investigar se houve ferimento do Estatuto da Criança”, disse o pernambucano.

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