quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Foguete com plataforma de microgravidade é lançado no Rio Grande do Norte

 

 Foto: Reprodução/Agencia Espacial Brasileira

O foguete que transporta a Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R) foi lançado nesta terça-feira (15), durante a Operação Potiguar 2, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. A missão foi realizada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e teve como principal objetivo testar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da plataforma.

A plataforma utiliza paraquedas para retornar à superfície e permitir o resgate da carga útil no mar. Após o lançamento, a carga foi recuperada por um helicóptero da FAB.

Segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Chamon, o lançamento permitiu realizar experimentos em condições de microgravidade e testar a plataforma nacional para futuros voos científicos.

Desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), pela Orbital Engenharia e pela AEB, a PSM-R possui sistemas de energia, telemetria e controle de atitude para apoiar os experimentos durante o voo. A plataforma é projetada para transportar cargas úteis a altitudes superiores a 100 quilômetros e atingiu cerca de 150 quilômetros durante a missão.

A recuperação da plataforma permite o retorno de amostras aos laboratórios, o reaproveitamento de equipamentos e a redução do intervalo entre lançamentos. De acordo com o presidente da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (ALADA), Sérgio Roberto de Almeida, a tecnologia também pode ser aplicada em pesquisas das indústrias farmacêutica e química.

Quatro experimentos têm apoio da AEB

A PSM-R levou quatro módulos destinados a experimentos científicos e tecnológicos desenvolvidos por instituições e empresas parceiras da AEB.

Um deles é a Análise dos Efeitos da Microgravidade sobre Microrganismos (AEMM), da Rede Space Farming Brasil, que reúne instituições como ITA, Embrapa, USP e INPE. O estudo avalia os efeitos da microgravidade e das vibrações sobre microrganismos durante o voo.

O experimento CTM-Sec, da R-CRIO, investiga os efeitos de um voo suborbital sobre a estabilidade do secretoma de células-tronco mesenquimais, formado por proteínas, fatores de crescimento e vesículas produzidos pelas células.

A missão também levou o MundoTec, plataforma do SENAI CIMATEC em parceria com o Manual do Mundo, que realiza testes relacionados à aceleração e às oscilações em voos suborbitais.

O quarto experimento apoiado pela AEB é o Antenna for CubeSat Telemetry, da Tycho Space, que avalia o funcionamento de uma antena para CubeSats durante o lançamento.

Tecnologias do IAE também são testadas

Além dos experimentos apoiados pela AEB, a missão transportou três tecnologias desenvolvidas pelo IAE. O Sistema de Interface Pirotécnica (SIP) testa um equipamento voltado à segurança de sistemas pirotécnicos em veículos de sondagem e lançadores. O Bat Li-Ion avalia uma bateria de alta densidade energética desenvolvida para veículos suborbitais.

Já o RangeLoRa, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), utiliza a tecnologia LoRa para transmitir informações que auxiliam na localização da carga após o pouso.

Missão dá continuidade a testes iniciados em 2024

A Operação Potiguar 2 dá continuidade às atividades realizadas em 2024 e integra o Programa Microgravidade da AEB. Nesta etapa, o foco está na avaliação do sistema de recuperação da PSM-R e na realização de experimentos científicos em ambiente de microgravidade.

Na configuração utilizada na missão, a plataforma apresenta dimensões e massa semelhantes às de uma carga útil típica do VSB-30 e representa a maior e mais pesada carga já lançada por um VS-30.

O veículo de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo IAE, possui um estágio, utiliza propelente sólido e é estabilizado por sistemas aerodinâmicos e por rotação. O foguete é destinado ao transporte de cargas úteis para altitudes superiores a 100 quilômetros.

Para Sérgio Roberto de Almeida, o teste demonstra a capacidade dos centros de lançamento brasileiros de realizar operações destinadas a empresas públicas e privadas, nacionais ou estrangeiras. Os resultados da missão também fornecem dados para a avaliação da PSM-R e podem contribuir para futuras pesquisas e aplicações em microgravidade.

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