O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contrapôs, na segunda-feira (12), a valorização das armas ao investimento em educação, cultura e leitura ao comentar imagens de duas crianças do Rio Grande do Norte que ganharam repercussão nacional. Em declaração no Palácio da Alvorada, em Brasília, no Dia das Crianças, Lula afirmou que as fotografias simbolizam visões distintas sobre o futuro do país.“De um lado, você acha que a solução do problema do Brasil é daqueles que usam a arma na mão, apontando metralhadora, fazendo todas essas coisas. E do outro lado, nós que acreditamos que a educação, que a cultura, que a leitura, que a arte, que o cinema, que biblioteca.”
A fala faz referência à imagem de um menino segurando um objeto semelhante a uma arma durante uma comemoração de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), em Parnamirim, na Grande Natal. Em contraponto, uma menina apareceu segurando um exemplar da Constituição Federal durante um ato de Lula no bairro do Alecrim, em Natal, no sábado (10).
Ao relacionar as duas imagens, o presidente afirmou que o contraste vai além das fotografias.
“Aquela fotografia daquele menino com a arma e colocamos do lado daquela menina com o livro na mão é o fenômeno da diferença do que está em disputa nesse país”, declarou.
O episódio envolvendo o menino provocou repercussão e mobilizou órgãos de proteção à infância e autoridades policiais. A mãe da criança afirmou desconhecer a participação do filho no evento político. A imagem da menina com a Constituição, por sua vez, passou a circular nas redes sociais em comparação com a primeira.
Lula defende bibliotecas em conjuntos habitacionais
Na declaração, Lula também associou a educação à tranquilidade das famílias e à necessidade de ampliar o acesso das crianças à cultura. O presidente defendeu a educação em tempo integral, argumentando que a permanência dos estudantes na escola durante todo o dia permite que pais e mães trabalhem com maior segurança em relação ao cuidado dos filhos.
“Educação de tempo integral para essas crianças significa dar tranquilidade ao pai e à mãe para poder trabalhar o dia inteiro sabendo que o filho está numa escola estudando”, afirmou.
O presidente também destacou a inclusão de bibliotecas nos conjuntos habitacionais vinculados ao Minha Casa, Minha Vida. A iniciativa busca aproximar os livros das famílias beneficiadas pela política habitacional e ampliar as oportunidades de acesso à leitura.
“É por isso que cada conjunto habitacional, se vocês não sabem, é importante saberem, cada conjunto habitacional agora tem uma biblioteca. Porque a gente quer que as crianças aprendam a ler”, disse.
A instalação de bibliotecas nos empreendimentos do programa já havia sido anunciada pelo governo federal como parte da proposta de estimular a leitura e ampliar o acesso aos livros. Em 2023, durante uma cerimônia de entrega de moradias, Lula defendeu a iniciativa como uma forma de incentivar crianças e adultos a ler.
Ao encerrar a fala, o presidente voltou a defender investimentos na formação das novas gerações e resumiu o contraste que procurou estabelecer entre os dois modelos: “Esse país precisa de muita cultura, de muita educação, de muito investimento na formação profissional dessas crianças e menos de armas”.
Declaração ocorre em meio à disputa eleitoral
A fala de Lula acontece durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em que o petista enfrenta Flávio Bolsonaro (PL). A comparação entre as imagens das crianças passou a integrar a disputa política após a repercussão dos registros no Rio Grande do Norte.
A discussão também se conecta ao debate sobre segurança pública e circulação de armas no país. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a política de armamento foi uma das marcas da gestão, com medidas que facilitaram o acesso a armas e munições. Lula, por sua vez, tem defendido a revisão dessa política e a ampliação dos investimentos sociais como parte de sua abordagem para enfrentar a violência.

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