Profissionais da rede pública de saúde do Rio Grande do Norte terão uma formação específica sobre cannabis medicinal a partir de novembro. Antes do início das aulas, Natal recebe, no dia 24 de outubro, o Seminário CannaSUS.RN – Cannabis & Saúde, encontro que vai reunir discussões sobre uso terapêutico da cannabis, atendimento a pacientes e os desafios que esse tipo de tratamento já coloca para o SUS.O seminário acontece das 8h às 19h, no auditório do Museu da Rampa. A inscrição é gratuita, embora a participação dependa da lotação do espaço. A Associação Reconstruir, responsável pela realização, ainda vai divulgar a programação detalhada.
O encontro abre o CannaSUS, curso gratuito voltado a profissionais do Sistema Único de Saúde no Estado. As aulas começam em novembro e serão realizadas integralmente online. O conteúdo será dedicado à endocanabinologia, área que estuda o sistema endocanabinoide e sua participação em funções do organismo relacionadas, por exemplo, à dor, ao sono, ao apetite, à memória e à resposta imunológica.
A formação chega num momento em que pacientes já procuram os serviços de saúde com prescrições, dúvidas sobre produtos à base de cannabis e necessidade de acompanhamento. Esse movimento encontrou muitos profissionais formados numa época em que o tema praticamente ficava fora das graduações e dos programas de atualização clínica.
É esse encontro entre uma demanda que já existe e uma rede que precisa saber como lidar com ela que dá sentido ao CannaSUS. Médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, fisioterapeutas e outros trabalhadores podem receber pacientes que usam derivados da cannabis, querem iniciar um tratamento ou chegam ao serviço em busca de informação segura sobre indicações, acompanhamento e possíveis efeitos.
No Rio Grande do Norte, a discussão também avançou para a legislação. A Lei Estadual nº 11.055, sancionada em 2022, estabeleceu diretrizes relacionadas ao tratamento com produtos de cannabis e seus derivados. O texto inclui incentivo à pesquisa, divulgação de informações e formação em saúde baseada em evidências científicas.
A mesma lei prevê a possibilidade de articulação do poder público com associações de pacientes, universidades e instituições de pesquisa. A existência de uma norma, porém, resolve apenas parte do caminho. Quando o paciente chega à unidade de saúde, é o conhecimento da equipa que define a qualidade da orientação, do acompanhamento e do diálogo sobre um tratamento que ainda provoca dúvidas dentro e fora dos consultórios.
A Associação Reconstruir atua no Rio Grande do Norte com pacientes e familiares que buscam acesso à cannabis medicinal. O trabalho envolve acolhimento, orientação e articulação com profissionais ligados ao tratamento e à pesquisa.
No dia 24 de outubro, parte dessa experiência será levada ao Museu da Rampa para uma discussão voltada à saúde pública. Em novembro, o assunto continua nas aulas online do CannaSUS, dirigidas a profissionais que lidam diariamente com pacientes e que começam a encontrar a cannabis medicinal também dentro da rotina do SUS.
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