
Há dez anos, um gesto de cuidado deu origem a uma rede de acolhimento que hoje oferece apoio gratuito a mulheres com câncer e seus familiares no Rio Grande do Norte. Criado a partir de uma experiência pessoal da advogada Adilza Holanda, o Instituto Bonitas se consolidou como referência no atendimento humanizado, reunindo assistência psicológica, social, fisioterapêutica e ações voltadas à autoestima e à qualidade de vida.
A história da instituição ganha ainda mais significado durante o Outubro Rosa 2026, campanha anual de conscientização voltada à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento do câncer de mama e do colo do útero. Além de alertar sobre a importância dos exames preventivos e do acompanhamento médico, a campanha também reforça a necessidade de oferecer suporte emocional e social às pacientes durante todas as etapas do tratamento.
Segundo Adilza Holanda, o Instituto Bonitas nasceu em 2015 após ela acompanhar a cunhada durante o tratamento oncológico e perceber que muitas mulheres precisavam de muito mais do que assistência médica.
“Eu acompanhava minha cunhada durante o tratamento contra o câncer e, naquele ambiente, percebi o quanto muitas mulheres precisavam não apenas de atendimento, mas de acolhimento, informação e apoio para enfrentar as dificuldades do tratamento. Começamos com um grupo de WhatsApp, que foi crescendo e se transformou em uma rede de apoio. Com o tempo, essa iniciativa ganhou estrutura e se tornou o Instituto Bonitas. Hoje, dez anos depois, seguimos com a mesma essência: acolher pessoas com câncer e seus familiares, oferecendo apoio e mostrando que ninguém precisa passar por esse processo sozinho”, contou.
Os atendimentos são gratuitos e adaptados às necessidades de cada assistida. Além do acompanhamento psicológico, da assistência social e da fisioterapia, o Instituto promove atividades voltadas ao fortalecimento da autoestima, da convivência e da reconstrução da qualidade de vida.
“Nosso objetivo é olhar para a pessoa além do diagnóstico, entendendo suas necessidades e oferecendo uma rede de apoio para que ela se sinta cuidada e não precise enfrentar esse processo sozinha”, afirmou.
Para Adilza, o cuidado integral faz diferença no enfrentamento da doença. Ela destaca que o tratamento oncológico precisa ir além dos procedimentos médicos.
“O câncer não afeta apenas o corpo. O diagnóstico e o tratamento mexem com a autoestima, as emoções, a rotina, a família e muitas vezes com a própria capacidade de seguir a vida. O tratamento médico é fundamental, mas o apoio emocional, psicológico e social também faz parte desse cuidado. Quando a pessoa se sente acolhida, ouvida e amparada, ela consegue atravessar esse processo com mais segurança, dignidade e esperança”, destacou.
Música para acolher e transformar vidas
Entre
os projetos desenvolvidos pelo Instituto está o Acordes que Curam,
iniciativa que utiliza a música como instrumento de inclusão,
convivência e fortalecimento emocional. As aulas de violão são
oferecidas às assistidas e já formaram a primeira turma da instituição.
Um dos diferenciais do projeto é que a professora também faz parte da história do Bonitas.
Curada do câncer, ela hoje atua como voluntária e ensina outras mulheres que enfrentam a doença.
“A música tem um papel muito especial
porque ajuda a trazer leveza para um momento que muitas vezes é marcado
pelo medo e pela insegurança. O projeto nasceu para mostrar que, mesmo
durante o tratamento, existem espaço para aprender, criar, sorrir e
descobrir novas possibilidades. Hoje já temos a primeira turma formada,
que recebeu seus diplomas, e nossa professora é uma assistida que venceu
o câncer e voltou como voluntária para ajudar outras mulheres”,
comentou.
Em 2026, o Instituto Bonitas celebra uma década de atuação.
Para a fundadora, a data representa a consolidação de uma missão
construída diariamente por meio do acolhimento e da solidariedade.
“Completar
10 anos de Instituto Bonitas significa olhar para trás e perceber que
uma iniciativa que nasceu de um gesto de cuidado se transformou em uma
missão de vida. São 10 anos acolhendo vidas, transformando histórias e
aprendendo, todos os dias, que cuidar de alguém vai muito além de tratar
uma doença. É estar presente, ouvir, estender a mão e devolver
esperança.
Para mim, esses 10 anos representam perseverança, compromisso e, acima de tudo, a certeza de que vale a pena fazer o bem. E essa missão continua: seguir acolhendo, fortalecendo e mostrando que ninguém precisa enfrentar o câncer sozinho”, disse.
Além de ampliar o debate sobre a prevenção e o diagnóstico precoce, o Outubro Rosa também evidencia iniciativas que ajudam pacientes a enfrentar o tratamento com mais dignidade. No Rio Grande do Norte, o Instituto Bonitas se tornou um exemplo de que informação, acolhimento e cuidado caminham juntos e podem transformar a experiência de quem convive com o câncer e de toda a família.
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