sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Brasil vê caminho para investigar Bolsonaros nos EUA após eleição

 

O governo brasileiro avalia que a vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos abre espaço para avançar na investigação sobre o clã Bolsonaro no país, incluindo o destino do dinheiro ligado ao filme “Dark Horse”, financiado pelo Banco Master.

No Palácio do Planalto, a leitura é que a derrota republicana também enfraquece a articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado do PL à Presidência da República, e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) no Congresso americano.

A maioria republicana na Câmara e no Senado dava espaço a parlamentares que defendiam os Bolsonaro em Washington. Na avaliação de integrantes do governo brasileiro, a perda desses interlocutores dificulta que a família mobilize apoio no parlamento para pressionar o Brasil.

Os democratas, por sua vez, ganham espaço para cobrar explicações do governo Donald Trump sobre medidas adotadas contra o país e pressionar por investigações.

Na visão do Planalto, contudo, o Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, segue como o principal canal da família no governo Trump.

A avaliação é que o resultado das eleições deve ter pouco efeito sobre a permanência dos irmãos nos Estados Unidos no curto prazo. Uma mudança é vista como possível após a eleição presidencial de 2028, caso os democratas recuperem a Casa Branca.

Eduardo, que está nos EUA desde fevereiro de 2025, disse que não teme ter de deixar o país após a vitória democrata.

“Acho que eles vão tentar [medidas contra nós]. Não cabe ao Congresso, nos EUA, revogar vistos ou cidadanias. Eu estou 100% legal aqui, assim como meu irmão e nossa família”, afirmou em entrevista ao influenciador americano Joey Mannarino.

Em junho, Eduardo foi condenado pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Os ministros entenderam que ele articulou sanções contra integrantes da Corte e tarifas contra o Brasil para pressionar o STF no julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Já Flávio deixou o Brasil após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As circunstâncias da fuga, porém, ainda não foram esclarecidas. Em carta divulgada após chegar aos EUA, o senador agradeceu o presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente americano Donald Trump pelo “acolhimento”.

Em entrevista ao “The New York Times” publicada nesta quinta-feira (5), o senador afirmou que traçou o plano com a mulher, Fernanda Bolsonaro, e que levará os detalhes da operação “para o túmulo”.

Relação com os EUA

Na avaliação do governo brasileiro, a reeleição de Lula e a vitória democrata abriram uma “janela de oportunidade para normalização pragmática” na relação entre Brasil e Estados Unidos.

A leitura é que a pressão de Washington tinha como pano de fundo a aposta numa derrota de Lula. Encerrada a eleição brasileira, o governo Trump teria menos incentivo para ampliar essa pressão.

Pedido de cooperação

No caso Dark Horse, a Polícia Federal acionou o Ministério da Justiça em 9 de outubro. O pedido de cooperação foi enviado aos Estados Unidos na semana seguinte para rastrear os repasses do Banco Master ao Havengate Development Fund, fundo sediado no país. Ainda não há resposta do governo americano.

A PF apura se parte do dinheiro foi desviada para sustentar Eduardo nos Estados Unidos. O ex-deputado nega ter recebido recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ou do fundo.

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