Em 2022, o cenário eleitoral vive uma polarização política que atinge
inúmeros setores da sociedade. Em um País cuja Constituição Federal
determina um estado laico, até as instituições religiosas, como a igreja
católica, passaram a ser atingidas pelos debates na disputa
presidencial entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva
(PT).Em entrevista ao AGORA RN, Dom Jaime Vieira, arcebispo
metropolitano de Natal, falou sobre o papel de neutralidade da Igreja
Católica na eleição presidencial, do momento histórico na disputa entre
os dois candidatos, sobre como o eleito deve olhar o RN e o Nordeste e
também sobre a reeleição de Fátima Bezerra (PT) e Rogério Marinho (PL)
ao governo e Senado respectivamente.
O arcebispo seguiu o ponto de vista
de analistas políticos que definiram que esta é a eleição presidencial
mais importante para o país desde o nascimento da República. “Então é
muito importante que tenhamos esta clareza. Eu não posso porque se eu
for fazer escolha, eu digo que sempre é importante que [os candidatos]
tenham sensibilidade social.
Nós valorizamos o negócio, o lucro, a
exportação, o mercado, o capital, mas é preciso que o povo esteja como
prioridade um. O bem-estar e as condições necessárias”, observou.Ele fez
questão de ressaltar a atuação da Igreja com um papel apartidário. “A
igreja está aberta e pregando esta isenção político-partidária sem
deixar, sem abrir mão do seu papel e da sua missão de se colocar a
serviço do bem comum. Quem me pergunta, e me rotula de partido A, B ou
C, o meu partido é o Evangelho.
Fui e serei sempre do partido do
Evangelho. Louvo e bendigo os que têm o poder econômico, as grandes
empresas, as pessoas são bem-sucedidas, mas também é preciso que haja
sensibilidade.
Se houver sensibilidade de todos os candidatos para os
mais necessitados, os direitos fundamentais da pessoa humana, tudo
estaria resolvido. Seria mais fácil fazer uma opção”, apontou.
No
âmbito regional, Dom Jaime Vieira afirmou que, independentemente de quem
vença, os nordestinos devem ser vistos com dignidade.
“O Nordestino é
bastante pisoteado, desrespeitado, ridicularizado. E é uma região de uma
história tão rica, população riquíssima, de homens públicos em todos os
níveis, na literatura, política, na economia.
Então o que nós
esperamos, pelo Rio Grande do Norte é que olhem para o Nordeste e para
nosso estado com um olhar de responsabilidade social.
Quem ganhou está
legitimado democraticamente e é o presidente de todos, por isso é
importante que quem governe, governe para todos”, avalia.
Ainda
conforme o arcebispo, o Rio Grande do Norte tem muitas fontes de geração
de riquezas, como a geração de energia eólica, extração e refino de
petróleo, no entanto as empresas devem ter uma visão social.
“Bendigo e
respeito, sou muito favorável aos empresários, pessoas que lutam,
vencem, que dão vida econômica ao estado, mas que tenham essa
sensibilidade de olhar para aquelas que têm oportunidade de estar diante
de algum representante do governo federal, eu digo com muita clareza,
que vejam, se lembrem do Nordeste e também nos rejam com essa
sensibilidade social olhando para todos e certamente teremos também a
nossa vez em termos de poder ter mais esperança, porque a pobreza
aumenta, a miséria, os grandes projetos foram interrompidos e também
recomendo aqueles com que tenho contato, que assumam políticas,
defendam, conservem, avancem nas políticas de nação e não apenas de
partido”, afirma.
Questionado sobre as campanhas de Bolsonaro e
Lula, Dom Jaime Vieira apontou que a torcida é para que o povo exerça o
direito democrático e, inclusive. Incentivou o voto. “Meus votos é que a
campanha seja bonita, digna, que a nação toda se manifeste. Se eu
tivesse que fazer campanha, faria essa de pedir ao povo que vote.
Ninguém deixe de votar.
Até para fazer um registro, quando as pessoas
eram levadas pelos cabos eleitorais, elas diziam que iriam votar ao
final do dia para não perder valor, porque quando não votava, perdia o
seu valor. É preciso que nós valorizemos ao máximo este poder de lutar
por um Brasil justo, fraterno, solidário e que seja a pátria de todos”,
finalizou.
No RN
O religioso também comentou de forma
superficial os resultados das eleições de figuras da política potiguar,
como a reeleição de Fátima Bezerra. “Ela tem uma folha de serviços
prestados ao Estado, ao Nordeste sobretudo, eu não posso negar de modo
nenhum o investimento na educação, ela chegou a ser presidente da
Comissão para a Educação da Câmara e do Senado, é uma comissão muito
importante. Eu lembro que no meu tempo de jovem, eu só conhecia a escola
industrial aqui de Natal, ali na Rio Branco.
Hoje, temos um benefício
muito importante – oxalá que seja valorizado e investido e se desenvolva
bem – que são os Institutos Federais, educação técnica. Isso, para mim,
é muito importante. Ela dá a impressão que procurou [governar] com
muita simplicidade, ela não tem nenhuma vaidade, não se vale do cargo
para benesses e se dedica a tentar governar para atender aquilo que são
as necessidades mais urgentes do nosso povo”, comentou.
Em relação a
Rogério Marinho, o sacerdote afirmou que conhece a família do Senador, e
que ele será um bom representante para o Estado no Senado. “É uma
pessoa de valor que poderá, se tiver sensibilidade, isenção e tiver
visão de cidadania, as pessoas e os políticos devem pensar grande, serem
pessoas que estão acima daquilo que é uma posição precária, mais
mesquinha”, finalizou.
Com informações do Agora RN