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O Rio Grande do Norte e mais estados estão sendo investigados pela
Operação Plata, do Ministério Público, que apura lavagem de dinheiro
proveniente do tráfico de drogas e de integrantes de facção criminosa. A
ação deflagrada nesta terça-feira investiga um grupo criminoso que atua
no Rio Grande do Norte, e em outras partes do país.
A suspeita é de que os criminosos tenham lavado mais de R$ 23 milhões
com a compra de imóveis, fazendas, rebanhos bovinos e até com o uso de
igrejas.
A operação Plata cumpriu sete mandados de prisão e outros 43 de busca
e apreensão nos Estados do Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas
Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará e Paraíba, e
ainda no Distrito Federal.
Segundo maior chefe do PCC e irmão potiguares são investigados
As investigações que culminaram na deflagração da operação Plata
foram inciadas em 2019, com o objetivo de apurar o tráfico de drogas e
associação para o tráfico, além do crime de lavagem de dinheiro. O
esquema é liderado por Valdeci Alves dos Santos, também conhecido por
Colorido. Valdeci é originário da região do Seridó potiguar e é apontado
como sendo o segundo maior chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC),
facção criminosa que surgiu nos presídios paulistas e que tem atuação em
todo o Brasil e em países vizinhos.
O esquema de lavagem de dinheiro, de acordo com as investigações do
MPRN, já perdura por mais de duas décadas. Valdeci foi condenado pela
Justiça paulista e atualmente está preso na Penitenciária Federal de
Brasília, onde foi cumprido novo mandado de prisão nesta terça-feira.
No Rio Grande do Norte, Valdeci tem como braço-direito um irmão dele,
Geraldo dos Santos Filho, também já condenado pela Justiça por tráfico
de drogas. Pastor Júnior, como é conhecido, foi preso em 2019 no Estado
de São Paulo fazendo uso de documento falso. Geraldo estava cumprindo a
pena em regime semiaberto.
Lavagem de dinheiro em várias regiões do país
As investigações do MPRN apontam que os irmãos Valdeci e Geraldo
ocultaram e dissimularam a origem criminosa de seus recursos
provenientes do tráfico de drogas por meio do uso de “laranjas”
recrutados de várias regiões do país. O dinheiro era lavado com a compra
de bens e animais em nome desses laranjas, a maioria irmãos, filhos,
cunhados e sobrinhos de Valdeci e Geraldo. A suspeita é que o esquema
tenha movimentado pelo menos a quantia de R$ 23 milhões.
Além de Valdeci e Geraldo, a operação Plata cumpre mandados de prisão
contra outras cinco pessoas, inclusive uma pessoa de confiança que
atuava como “tesoureiro” do grupo criminoso no Rio Grande do Norte. Os
mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas
cidades potiguares de Natal, Jardim de Piranhas, Parnamirim, Caicó, Assu
e Messias Targino. Houve ainda cumprimento de mandados nas cidades
paulistas de São Paulo, Araçatuba, Itu, Sorocaba, Tremembé, Votorantim e
Araçoiaba da Serra; em Brasília/DF, Fortaleza/CE, Balneário
Camboriú/SC, Picuí/PB, Espinosa/MG e em Serra do Ramalho e Urandi, ambas
na Bahia.
Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a pedido do MPRN,
houve a retenção do passaporte de um dos filhos de Valdeci, e oito
pessoas passarão a ter monitoramento eletrônico por meio de
tornozeleira.
Valdeci Alves dos Santos e Geraldo dos Santos Filho são investigados
na operação Plata ao lado de pelo menos mais outras 22 pessoas. A
Justiça determinou o bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite
de R$ 23.417.243,37 relacionados a 28 contas bancárias dos suspeitos.
Pastor júnior e mulher abriram pelo menos sete igrejas evangélicas no RN e SP
O dinheiro do grupo é proveniente do tráfico de drogas. O lucro do
comércio ilegal era lavado com a compra de imóveis, fazendas,
automóveis, na abertura de mercados e até com o uso de igrejas.
Segundo
já apurado pelo MPRN, Geraldo dos Santos Filho e a mulher dele abriram
pelo menos sete igrejas evangélicas nos estados do Rio Grande do Norte e
de São Paulo. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em algumas
dessas igrejas.
A pedido do MPRN, além do bloqueio de contas bancárias, a Justiça
também determinou o bloqueio de bens e imóveis, a indisponibilidade de
veículos e a proibição da venda de rebanhos bovinos.
Todo o material
apreendido será analisado pelo MPRN para apurar se há envolvimento de
outras pessoas nos crimes. Valdeci dos Santos permanecerá preso na
Penitenciária Federal de Brasília. Os demais presos na operação Plata
foram encaminhados ao sistema carcerário potiguar e estão à disposição
da Justiça.
NIP.
A lavagem de dinheiro investigada na operação Plata contou com a
atuação do Núcleo de Informações Patrimoniais, que foi implementado pelo
MPRN no ano passado.
A criação de setor especializado em recuperação
de ativos e investigação patrimonial proporcionou ao MPRN uma unidade
de referência voltada à persecução patrimonial promovendo a melhoria das
atividades de investigação e inteligência no combate aos crimes
financeiros