Unidade chega a receber 25 mil chamadas por mês nas quatro zonas da capital
- Foto: Wellington Rocha
A coordenadora geral do SAMU Natal, Maria Valéria Bezerra, disse a O
Jornal de Hoje que a qualidade do serviço prestado pelo atendimento
móvel só não é melhor por causa de demora da viatura para se deslocar
até o local do acidente. “A quantidade veículos que trabalhamos é
baseada na demanda populacional atendida. É claro que termos mais
veículos iria melhorar os serviços, mas nosso maior problema é
administrar o tempo que o veículo leva até o local específico de
atendimento”, disse.
Valéria explica que o tempo de deslocamento das viaturas é o maior
questionamento da população. “Muita gente reclama que levamos até uma
hora para chegar ao local exato, mas isso se deve a inúmeros fatores. O
aumento do número de casos de violência e acidente nas ruas que precisam
do SAMU é constante, mas o trânsito da nossa cidade é algo que
prejudica bastante”.
Uma das medidas que poderá ajudar no deslocamento das viaturas é a
finalização do projeto que prevê a construção de quatro bases
descentralizadas do SAMU Natal. A sede, localizada no bairro Dix-Sept
Rosado, na zona Oeste, contaria com o apoio de mais quatro bases nas
outras zonas administrativas da cidade. De acordo com informações da
direção, o projeto está em processo de licitação.
“Além de ajudar na agilidade dos atendimentos, as bases
descentralizadas são um pré-requisito para qualificar o serviço do SAMU
Natal, que hoje ocupa o posto de ‘habilitado’ pelo Ministério da Saúde. À
medida que vamos nos qualificando, recebemos incremento de verba”,
afirmou Valéria Bezerra, explicando que os custos do SAMU Natal são
mantidos com verba do Governo Federal (responsável por 50% dos repasses)
e dos governos estadual e municipal, cada um desses responsável por 25%
dos repasses.
A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) e a Secretaria de
Estado de Saúde Pública (Sesap) tentam dar um suporte para agilidade do
SAMU no que diz respeito à organização do perfil e situações clínicas
dos hospitais. O maior hospital de trauma do Estado, Hospital Walfredo
Gurgel, por exemplo, é um dos pontos que também atrapalham os Serviços
de Atendimento Móvel.
Por ser o principal destino dos acidentados e viver constantemente
com ‘superlotação’, o Hospital Walfredo Gurgel acaba prendendo as macas
do SAMU. “Sem maca, o serviço do SAMU não funciona. O Hospital deveria
ser apenas a porta para deixarmos os pacientes, mas as macas acabam
ficando mais tempo por falta de leito”, disse. “Isso também atrasa nosso
atendimento aos chamados das ruas. Temos apenas que direcionar os
pacientes à porta dos Hospitais para não termos nossas macas presas. Não
podemos exercer outro papel. Somos apenas parte integrante de uma rede
de urgência e emergência”, afirmou Valéria.
COPA
Durante a Copa do Mundo em Natal, não houve demanda que
sobrecarregasse os atendimentos nas ruas, segundo registrou o SAMU
Natal. Na FIFA Fan Fest, maior local com possíveis riscos iminentes, os
atendimentos foram tranquilos em função da existência de um Posto Médico
Avançado (PMA). “Não precisamos nem aumentar o nosso efetivo. Apenas
fizemos uma reorganização da escala dos profissionais. A Copa do Mundo
foi um grande aprendizado para nós”, disse a coordenadora geral.
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